Pelo menos 27 pessoas morreram depois que um drone russo atingiu um depósito de armas e munições em Bucha — perto da capital, Kiev — no fim da noite de ontem, provocando um grande incêndio.
«Infelizmente, neste momento, contabilizamos 27 vítimas. E esse número pode não ser definitivo», declarou o governador da região de Kiev, Tymur Tkachenko. Os feridos seriam pelo menos 42.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que o armazém atingido pelo ataque russo perto de Kiev continha munição, drones e explosivos usados pelos militares. "O primeiro ataque atingiu um local onde munição estava armazenada e que absolutamente não deveria estar lá — um depósito de defesa", disse Zelensky, citando "detonações em grande escala de projéteis, minas, outras munições e drones". "Uma situação terrível e negligência grave por parte daqueles que armazenaram explosivos bem ao lado de residências", acrescentou, classificando o ocorrido como "inaceitável" e enfatizando que "uma investigação está em andamento".
Além de restaurantes e casas, também foi danificada uma casa de repouso para idosos. «Mais de 370 pessoas já foram evacuadas, e a operação ainda não terminou».
Pelo menos uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas em consequência de um ataque russo que, durante a noite, atingiu a região de Odessa, no sul da Ucrânia. A informação é da Ukrinform, que especifica que oito caminhões usados para o transporte de alimentos pegaram fogo, após relatos de um ataque contra o distrito de Izmail e de danos à infraestrutura.
Para atingir portos ucranianos no Mar Negro, Moscou lança mísseis Banderol da Crimeia — frequentemente de helicópteros Mi-28. Esse tipo de míssil pode atingir velocidades de 700 quilômetros por hora e alcançar alvos a até 500 quilômetros de distância.
Avistado pela primeira vez na Ucrânia na primavera de 2025 e entrando em produção em série "no final do mês passado" (segundo o britânico Telegraph), este sistema carrega uma ogiva de 114 quilos e combina algumas características de drones de ataque com as de mísseis de cruzeiro.
É relativamente barato — entre € 42.500 e € 127.500 cada unidade, em comparação com os quase € 700.000 de um míssil de cruzeiro — mas, para abatê-lo, Kiev é obrigada a usar armas antiaéreas cada vez mais caras (e difíceis de encontrar).
Segundo altos funcionários ucranianos, esses mísseis foram usados em aproximadamente 80% dos ataques russos contra a infraestrutura de Odessa.
Nas últimas 24 horas, as tropas russas realizaram quase 50 ataques contra vinte localidades da região ucraniana de Sumy. A informação foi divulgada pela administração regional no Telegram. Os ataques mais intensos atingiram os distritos de Sumy e Shostka.
O invasor utilizou contra a população civil morteiros, artilharia, lançadores múltiplos de foguetes, drones e bombas aéreas guiadas. Em Sumy, doze pessoas sofreram ferimentos e lesões: nove homens com idades entre 23 e 65 anos e duas mulheres, de 67 e 47 anos. Outro homem, de 40 anos, sofreu ferimentos devido ao impacto de um drone inimigo.
Além disso, uma adolescente de 15 anos e uma mulher de 49 anos procuraram atendimento em unidades de saúde após sofrerem ferimentos em 27 de agosto, em consequência do lançamento de bombas aéreas guiadas sobre o território do município de Sumy.
Também foram atingidas as localidades rurais de Mykolaiv, Yunakiv, Bereziv, Esman, Seredino-Bud, Novoslobodsk e Velykopysariv. Na região, infraestruturas civis foram danificadas e destruídas. Também foram registrados danos a residências particulares nas comunidades de Zno-Novgorodskaya e Khutir-Mikhailovskaya, em consequência de bombardeios anteriores. No total, nas últimas 24 horas, o alerta aéreo na região de Sumy durou 23 horas.
Segundo informações publicadas pelo Financial Times, os ataques em andamento neste momento demonstram «uma mudança na tática russa». Moscou estaria utilizando «um número menor, mas contínuo, de drones mais caros e mais difíceis de interceptar, equipados com motores a jato».
Desde quinta-feira, esses drones vêm sendo lançados em um fluxo contínuo, provocando — escreve o FT — «pelo menos 27 alertas aéreos que duraram mais de 30 horas».
Na prática, como observam alguns altos representantes do governo ucraniano, os ataques têm como objetivo «paralisar Kiev».
A tática, porém, é mais ampla: um ataque maciço combinado de drones e mísseis contra Mykolaiv, no sul do país, deixou 300 mil famílias sem eletricidade.
Um armazém em Rostov, no sul da Rússia, foi alvo de um ataque recentemente. "Na noite passada, uma de nossas instalações logísticas na região de Rostov foi atingida por um ataque de drone", disse a empresa em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tass. "Evacuamos todos os funcionários com antecedência. De acordo com informações preliminares, não houve vítimas. Um pequeno incêndio começou, mas foi imediatamente extinto", continuou o comunicado. O Ministério da Defesa russo informou posteriormente que 313 drones ucranianos foram abatidos durante a noite em território russo e sobre os mares de Azov e Negro.
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