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Angelus em Castel Gandolfo: Deus não deixa de acreditar em nós

Entre o azul intenso do céu de verão e as águas tranquilas do Lago Albano, milhares de fiéis e peregrinos preencheram a Praça da Liberdade neste domingo, 12 de julho, para rezar o Angel...

Angelus em Castel Gandolfo: Deus não deixa de acreditar em nós

Entre o azul intenso do céu de verão e as águas tranquilas do Lago Albano, milhares de fiéis e peregrinos preencheram a Praça da Liberdade neste domingo, 12 de julho, para rezar o Angelus com o Papa Leão XIV em Castel Gandolfo.. A temperatura era mais amena do que em Roma, cerca de 31 graus contra os 34 registrados na capital italiana, mas suficiente para recordar que o verão chegou em cheio também à residência pontifícia dos Castelos Romanos.

Foi neste cenário que o Pontífice presidiu a oração mariana, retomando, como no ano passado, esta tradição profundamente ligada a Castel Gandolfo. Antes do Angelus, Leão XIV refletiu sobre a parábola do semeador, proposta pela liturgia do XV Domingo do Tempo Comum (cf. Mt 13,1-23), “que descreve a generosidade e a confiança com que Deus espalha a sua Palavra no nosso coração e o seu poder em nós”:

“O próprio Jesus, o Verbo que se fez homem, que deu a sua vida pela nossa salvação, é a semente que o Pai continua a espalhar pelo mundo para que, ao morrer, dê muito fruto (cf. Jo 12,24). É verdade que Ele, às vezes, encontra em nós um terreno duro e insensível; outras vezes, distraído, semelhante ao solo batido dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos arbustos espinhosos; mas há momentos em que encontra uma terra receptiva e fértil, e então desencadeiam-se milagres de amor capazes de mudar tudo, como certamente também nós já experimentámos na nossa vida. Por isso, o Pai não desiste de semear, porque sabe que o poder do seu amor é mais forte do que a nossa fraqueza (cf. 2 Cor 12,9-10).”

Em seguida, o Santo Padre sublinhou a confiança inabalável de Deus em cada ser humano. Citando São João Crisóstomo, Leão XIV explicou que aquilo que pareceria irracional para um agricultor, semear em terrenos difíceis, torna-se plenamente compreensível quando se trata do coração humano, capaz de mudar e de acolher a graça divina:

“A generosidade de Deus para conosco não é ingênua, mas sábia, e sabe aproveitar em nós a possibilidade de um bem do qual, por vezes, nem sequer percebemos. Por isso, o Senhor, que conhece o terreno do nosso coração melhor do que nós próprios, não deixa de acreditar em nós, em quem somos e em quem nos podemos tornar, dia após dia, se nos entregarmos a Ele com fé.”

Segundo Leão XIV, é precisamente dessa combinação entre a gratuidade com que Deus lança a semente e a disponibilidade com que ela é acolhida que nascem os frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. “Quanto o nosso mundo precisa destes frutos e de ser preenchido e transformado por eles!”, exclamou.

Ao concluir a reflexão, o Papa dirigiu um convite especial aos fiéis que vivem este período de férias. Sem descuidar do descanso e do lazer saudável, encorajou todos a reservar tempo para a escuta, a leitura e a meditação da Palavra de Deus, bem como para momentos de silêncio e oração, e completou:

“Retornaremos às nossas ocupações habituais renovados no corpo e no espírito, prontos para anunciar a Boa Nova do Evangelho e cada vez mais capazes de cooperar no crescimento do Reino de Deus. Que Maria, Rainha dos Apóstolos e Estrela da Evangelização, nos ajude nisto.”

Ao término da oração mariana, o Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção Apostólica.

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O Angelus é uma oração recitada em recordação do Mistério perene da Encarnação três vezes ao dia: às 6 da manhã, ao meio-dia e às 18 horas, momento em que é tocado o sino do Angelus.

O nome Angelus deriva do primeiro verso da oração – Angelus Domini nuntiavit Mariae – que consiste na leitura breve de três simples textos sobre a Encarnação de Jesus Cristo e a recitação de três Ave Marias.

Esta oração é recitada pelo Papa na Praça São Pedro ao meio-dia de domingo e nas Solenidades. Antes de recitar o Angelus, o Pontífice também faz uma breve reflexão inspirando-se nas leituras do dia. Seguem as saudações aos peregrinos.

Da Páscoa até Pentecostes, ao invés do Angelus, é recitado o Regina Coeli, que é uma oração em recordação da ressurreição de Jesus Cristo, ao final do qual é recitado o Glória três vezes.

Angelus Dómini nuntiávit Mariæ. Et concépit de Spíritu Sancto. Ave Maria...

Ecce ancílla Dómini. Fiat mihi secúndum verbum tuum. Ave Maria...

Et Verbum caro factum est. Et habitávit in nobis. Ave Maria...

Ora pro nobis, sancta Dei génetrix. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.

Orémus. Grátiam tuam, quǽsumus, Dómine, méntibus nostris infunde; ut qui, Ángelo nuntiánte, Christi Fílii tui incarnatiónem cognóvimus, per passiónem eius et crucem, ad resurrectiónis glóriam perducámur. Per eúndem Christum Dóminum nostrum.

Dominus vobiscum.Et cum spiritu tuo. Sit nomen Benedicat vos omnipotens Deus, Pa ter, et Fi lius, et Spiritus Sanctus.

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria. R. E Ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria…

V. Eis a escrava do Senhor. R. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra. Ave Maria…

V. E o Verbo divino encarnou. R. E habitou no meio de nós. Ave Maria…

V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus. R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.