Papa

Ucrânia: história de Olena e seu filho, morto em Bakhmut

"Para mim, como para qualquer mãe, ele era o melhor filho": eis as palavras de Olena ao recordar seu filho, Taras Kovryk, nascido em 1988, na aldeia de Hlyboka, oeste da Ucrân...

Ucrânia: história de Olena e seu filho, morto em Bakhmut

"Para mim, como para qualquer mãe, ele era o melhor filho": eis as palavras de Olena ao recordar seu filho, Taras Kovryk, nascido em 1988, na aldeia de Hlyboka, oeste da Ucrânia. A sua história refere-se aos anos de migração, guerra e luto, mas também à força de uma mãe que pretende manter a memória de seu filho e transformar seu sofrimento em prol do próximo. Em 1999, Olena deixou a Ucrânia e foi trabalhar na Itália. Uma escolha ditada por suas difíceis condições econômicas, na esperança de garantir um futuro melhor para seus filhos. Um deles, Taras, cresceu longe da mãe, fez o serviço militar, abraçou a carreira militar e, em 2014, participou das operações no leste do seu país. Ao retornar, continuou seu serviço nas forças de segurança pública.

A invasão russa em larga escala mudou novamente o rumo da sua vida. Em março de 2022, Taras foi enviado às cidades de Bucha, Irpin e Hostomel para operações de desminagem; ali, foi testemunha dos efeitos mais dramáticos da guerra, como narra Olena: "Quando ele voltou, estava profundamente mudado, pois o que viu o afetou profundamente". Embora tivesse esposa e um filho de oito anos, ele decidiu partir voluntariamente para a frente de batalha. Sua mãe tentou dissuadi-lo, dizendo: “As pessoas fogem da guerra!”. Então, ele lhe respondeu com as palavras que ela ainda mantém em seu coração: "Não, mãe, lá eu sou bem mais útil". Essa decisão nasceu de sua experiência ao trabalhar com crianças órfãs na região de Donetsk: "Aquelas crianças não têm mais ninguém", disse-lhe ao explicar os motivos da sua decisão.

Em 14 de fevereiro de 2023, mãe e filho conversaram ao telefone até altas horas da noite, embora Olena soubesse que sua unidade seria enviada para a região de Bakhmut: "Mãe, duzentos e cinquenta homens vieram para cá há duas semanas. Após uma semana, só cinquenta ficaram vivos". No dia seguinte, ele a tranquilizou novamente: "Estamos indo para a linha de frente. A gente conversa sábado, tá". Mas aquele telefonema nunca aconteceu. Após dias de angústia, buscas e esperança, Olena deixou a Itália e voltou para a Ucrânia. Durante semanas, procurou seu filho em hospitais e começou a pensar que ele tivesse se tornado prisioneiro: "Eu não queria acreditar em coisas piores. Eu tinha certeza de que Taras estava vivo".

Durante dias e dias de espera, Olena entrou em contato com a Cruz Vermelha e, junto com outras famílias, participou de um encontro com o Papa Francisco. Em Bari, diante das relíquias de São Nicolau, ela rezou com uma única intenção: "Quero que me devolvam meu filho, vivo ou morto!". Depois de alguns dias, o corpo de Taras foi encontrado: "Disseram-me que o meu grito de mãe podia ser ouvido a quilômetros de distância". Sua dor, com o tempo, encontrou apoio em sua família e comunidade.

Hoje, Olena fundou uma associação em sua comunidade, que reúne mães e esposas de soldados falecidos em combate. Todos os anos, no Dia das Mães, ela organiza momentos de encontro, oração e recordação para ajudar aqueles que passam pela mesma experiência de sofrimento. Além disso, ela também fez com que todos os vinte e dois camaradas de Taras, que morreram em 18 de fevereiro de 2023, recebessem uma condecoração por parte do Estado. No entanto, seu pensamento se volta, de modo especial, para as famílias que ainda esperam receber notícias de seus entes queridos: "Quantas vezes penso naquelas mães que ainda vivem na incerteza: não tenho palavras para expressar essa dor. No entanto, sobrevivemos!". A partir da sua experiência surge um apelo ainda mais poderoso: "Uma mãe me disse: ‘Por favor, não me deixe sozinha; me liga porque preciso conversar’. Por isso, estou convencida de que a proximidade, a recordação e a humanidade têm um poder imenso".

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.