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"A tecnologia deve servir para defender os seres humanos", afirma advogada

Enquanto guerras e conflitos continuam a devastar nações ao redor do mundo, Oleksandra Matviichuk, diretora do Centro para as Liberdades Civis, organização que defende os direitos human...

"A tecnologia deve servir para defender os seres humanos", afirma advogada

Enquanto guerras e conflitos continuam a devastar nações ao redor do mundo, Oleksandra Matviichuk, diretora do Centro para as Liberdades Civis, organização que defende os direitos humanos e a democracia na Ucrânia e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022, enfatiza a necessidade de reformar as organizações intergovernamentais e priorizar os seres humanos em detrimento do progresso tecnológico. "Vivemos tempos muito conturbados, nos quais a ordem mundial baseada na Carta da ONU e no direito internacional entrou em colapso", observou ela. "Uma das questões fundamentais que enfrentamos hoje é esta", indagou ela: "Como nós, vivendo no século XXI, defenderemos os seres humanos, suas vidas, sua liberdade e sua dignidade humana? Podemos confiar no direito ou apenas a força bruta importa?" "Devemos avaliar o papel da tecnologia com base na forma como ela aborda essas questões." Oleksandra Matviichuk, advogada e defensora dos direitos humanos, conversou com o Vatican News à margem do Encontro Mundial de Prêmios Nobel sobre Inteligência Artificial e Guerra Nuclear, realizado no Borgo Laudato Si’ ("Aldeia Laudato Si’"), nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, a cerca de uma hora de Roma.

Este evento, realizado de 14 a 16 de julho, reuniu mais de 200 ganhadores do Prêmio Nobel, especialistas e acadêmicos para mesas-redondas, antes da assinatura da "Declaração de Roma por uma Paz sem Armas e Baseada no Desarmamento", no Monte Capitolino, em Roma. A advogada falou durante uma sessão dedicada ao tema "Tecnologia a Serviço da Humanidade" e ao uso de IA em sistemas de armas nucleares. O Centro para as Liberdades Civis trabalha na defesa dos direitos humanos, da democracia e da solidariedade na Ucrânia e na região da OSCE, concentrando-se também na documentação de crimes de guerra desde o início da invasão em larga escala pela Rússia, em fevereiro de 2022.

Segundo Oleksandra Matviichuk, para conter o uso de IA em conflitos e a corrida armamentista que atualmente afeta o nosso mundo, devemos primeiro repensar o que significa ser humano. "Temos falado muito sobre tecnologia e pouco sobre humanidade", enfatizou ela. Nesse sentido, ela também descreve a encíclica "Magnifica Humanitas", do Papa Leão XIV, dedicada à proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial, como um "documento muito importante". "Fico muito feliz que ela tenha sido publicada em um momento em que não temos respostas jurídicas nem éticas, mas em que a humanidade precisa de clareza", afirmou. "Sou muito grata por Sua Santidade dedicar tanta atenção ao papel da IA ​​e das novas tecnologias, tanto agora quanto no futuro."

Para Oleksandra Matviichuk, o segundo passo para mudar a forma como a IA é utilizada em conflitos é regular a tecnologia antes que seja tarde demais. "Às vezes, sinto que estamos perdendo essa batalha sem sequer ter entrado na luta", observou Matviichuk. Ela também enfatizou a necessidade de uma "reforma fundamental do sistema das Nações Unidas" para promover a paz global. "Não conseguimos proteger as populações da violência em massa, do autoritarismo e da guerra. Isso não afeta apenas o povo da Ucrânia, do Sudão, de Mianmar, da Nicarágua, da Venezuela ou de Gaza; tornou-se uma realidade para todos, independentemente de onde vivam", afirmou. A advogada expressou sua satisfação em ter a oportunidade de se reunir com especialistas e intelectuais de diversas áreas e países para discutir essas "questões urgentes que moldarão nosso futuro compartilhado". Ela ressaltou que tinha "expectativas modestas" quanto ao impacto da conferência e da Declaração de Roma que assinaram, frisando que "tudo dependerá do acompanhamento posterior".

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