A relação entre os Papas e Castel Gandolfo remonta ao século XVII. De fato, em 10 de maio de 1626, o Papa Urbano VIII foi o primeiro Pontífice a passar um período de descanso na localidade dos Castelli Romani, próxima a Roma, escolhendo-a por sua beleza, clima e localização. A antiga fortaleza foi então transformada em residência de verão pontifícia, e, ao longo dos séculos, outros Papas ampliaram e enriqueceram o complexo, que passou a incluir o Palácio Apostólico, jardins e as Villas Pontifícias.
A tradição foi interrompida em 1870, com o fim dos Estados Pontifícios e a tomada de Roma. Durante cerca de 60 anos, os Pontífices deixaram de frequentar Castel Gandolfo. A situação mudou com os Pactos Lateranenses de 1929, quando a localidade voltou a integrar as propriedades da Santa Sé e o Palácio Apostólico recuperou sua função de residência de verão dos Pontífices. Desde então, Castel Gandolfo tornou-se um dos lugares mais ligados à dimensão de descanso e recolhimento dos Papas, mas também à sua proximidade com a população local.
Diversos Pontífices deixaram marcas particulares na história de Castel Gandolfo. São João Paulo II, por exemplo, esteve profundamente ligado à cidade e, após sua eleição em 1978, foi recebido pelos moradores com grande entusiasmo. Durante décadas, os períodos de verão permitiram aos Papas alternar o ritmo intenso de Roma com momentos de oração, descanso e contato mais informal com peregrinos e habitantes. O complexo também ganhou importância cultural e científica, inclusive com a transferência da Specola Vaticana, o Observatório Astronômico do Vaticano, para Castel Gandolfo em 1934.
Nos últimos anos, a relação entre o Papado e Castel Gandolfo passou por uma transformação. O Papa Francisco decidiu não utilizar regularmente o Palácio Apostólico como residência de verão e o abriu ao público como espaço museológico.
Com o Papa Leão XIV, porém, a tradição ganhou novo impulso: ele tornou-se o 16º sucessor de Pedro a passar um período de descanso em Castel Gandolfo, retomando a presença papal na localidade. Assim, a cidade continua sendo um lugar emblemático da história dos Papas, onde se encontram tradição, espiritualidade, arte e a dimensão humana do descanso do Sucessor de Pedro.
Além de transformar o Palácio Apostólico em Museu, aberto à visitação, o Papa Francisco também deixou outra marca nas Villas Pontifícias de Castel Gandolfo lançando, por meio de um Quirógrafo de 2 de fevereiro de 2023, o Borgo Laudato si', inaugurado por Leão XIV em 5 de setembro de 2025, com o objetivo de transformar o espaço das antigas Vilas Pontifícias em um modelo tangível de ecologia integral, economia circular e sustentabilidade.
São 55 hectares, uma área dividida entre belíssimos jardins históricos (35 hectares) e uma zona agrícola e fazenda modelo (20 hectares). O local funciona como um centro de formação e sensibilização ecológica prática, inspirado diretamente nos princípios da encíclica Laudato si' de 2015. É gerido pelo Centro de Alta Formação Laudato Si' (CeAF-LS), e oferece cursos e atividades voltadas especialmente para jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
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