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A oração em ucraniano de Zuppi em Kiev: “que Deus conceda uma paz justa”

Para aquele mesmo céu de onde, até a última noite, caíram mísseis que destruíram infraestruturas civis, o cardeal Matteo Maria Zuppi, da capital Kiev, elevou uma oração em ucraniano a “...

A oração em ucraniano de Zuppi em Kiev: “que Deus conceda uma paz justa”

Para aquele mesmo céu de onde, até a última noite, caíram mísseis que destruíram infraestruturas civis, o cardeal Matteo Maria Zuppi, da capital Kiev, elevou uma oração em ucraniano a “Deus Todo-Poderoso” pela “querida Ucrânia”, pedindo bênção e proteção:

“Conceda uma paz justa, para que os prisioneiros possam voltar para casa, as crianças possam abraçar novamente suas famílias, os desaparecidos sejam encontrados e todos possam chorar diante do corpo do seu ente querido que morreu. Inspire em cada um de nós a coragem e a sabedoria para sermos construtores de paz…”

O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) está nesta quarta-feira, 15 de julho, em seu terceiro dia de missão no país atacado, onde chegou na noite de segunda-feira, dia 13, partindo da região de Lviv até chegar na noite de terça (14/07) a Kiev, para levar a solidariedade do Papa Leão XIV e fortalecer os contatos e canais já estabelecidos com a primeira missão de 2023 promovida pelo Papa Francisco, em prol da ação humanitária da Santa Sé. Uma ação voltada para facilitar a troca de prisioneiros de guerra, a devolução das crianças que, segundo a Ucrânia, foram levadas à força para a Rússia e o repatriamento dos corpos. É justamente com as associações e ONGs locais que atuam nessas áreas que Zuppi irá se reunir durante a tarde, além das reuniões institucionais que, no entanto, não incluem, pelo menos para esta quarta-feira (15/07), um encontro com o presidente Volodymyr Zelensky, com quem já se reuniu há três anos.

Pela manhã — após a missa na Nunciatura Apostólica que o hospeda, presidida pelo arcebispo Visvaldas Kulbokas, que acompanha o cardeal nestes dias de visita – o cardeal participou das celebrações pelo Batismo da Rus’ de Kiev, data comemorativa que ocorre anualmente em 15 de julho e que celebra a cristianização do país em 988 pelo príncipe Volodymyr, o Grande, considerado santo tanto pela Igreja Católica quanto pela Ortodoxa, simbolizando as raízes históricas e espirituais da Europa Oriental. Uma festa civil e religiosa, portanto, conhecida na Ucrânia também como Dia da Soberania Ucraniana, de acordo com o título escolhido pelo presidente Zelensky em 2021, que inseriu a data no calendário nacional. Inúmeras autoridades estiveram presentes na capital, entre elas, líderes de diversas religiões, o chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Sviatoslav Shevchuk; e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em sua décima primeira visita à Ucrânia desde o início do conflito.

Convidado de honra, o cardeal Zuppi participou da cerimônia na Praça São Miguel, em frente ao mosteiro dourado que – como lembra o jornal católico italiano Avvenire, acompanhando a missão – tornou-se um memorial de guerra desde os primeiros dias da invasão russa. Em “procissão” ao lado de Zelensky e das demais autoridades, o cardeal caminhou pela avenida ladeada pelo Memory Wall, o muro da memória no qual estão expostas as fotografias dos que morreram nestes anos de guerra, segurando um buquê de rosas vermelhas que depois depositou em homenagem àqueles que perderam a vida no campo de batalha.

Do centro da praça, o presidente da Conferência Episcopal Italiana e arcebispo de Bolonha, lendo um texto escrito em ucraniano, invocou então uma “paz justa” para esta terra tantas vezes definida pelo Papa Francisco como “martirizada”. Desejo este confiado a Deus e também à intercessão de São Volodymyr, cujo nome – disse ele – remete tanto ao nome do presidente da Ucrânia quanto ao do presidente da Rússia: “Que São Volodymyr ilumine as mentes e os corações dos dois chefes de Estado para abrir caminhos de justiça e paz”.

A oração pela paz também foi o fio condutor dos compromissos de terça-feira (14/07) do cardeal Zuppi na Ucrânia, que começou na fronteira com a Polônia, na região de Lviv, com uma visita à colônia penal de Zakhid-1, onde estão detidos prisioneiros de guerra capturados nos campos de batalha. Ainda em Lviv, o cardeal se reuniu com o chefe da administração regional, Maksym Kozytskyi, que lhe agradeceu pelos esforços voltados para o repatriamento de prisioneiros de guerra e crianças, bem como pela busca dos desaparecidos, e propôs áreas específicas de colaboração entre a capital ocidental da Ucrânia e as instituições da Santa Sé e da Itália.

Comovente, por fim, foi o evento de encerramento do primeiro dia de compromissos: a visita à sede da Comunidade de Santo Egídio em Lviv. Lá, o cardeal, guiado por Yuriy Lifanse, líder da seção ucraniana da Comunidade, recebeu e retribuiu o abraço de um numeroso grupo de fiéis, entre os quais, muitos deslocados assistidos por Santo Egídio. Mulheres, idosos e crianças cercavam o cardeal, que dirigiu a todos palavras de encorajamento e reiterou “a proximidade” do Papa Leão.

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