«Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20,28). Estas foram as palavras de Tomé depois de sua desconfiança diante da notícia da ressurreição e do convite do próprio Jesus para tocar as feridas da crucificação. Hoje, ao celebrar a festa do Apóstolo Tomé, a Igreja nos convida a reconhecer nele as nossas dúvidas, as nossas incertezas e o nosso caminho de fé. Não por acaso, o Papa São Gregório Magno afirmou: «A incredulidade de Tomé beneficiou mais a nossa fé do que a fé dos outros discípulos».
Tomé nos ensina a regressar às feridas. É pelo toque, pela experiência concreta e pela relação que a fé amadurece. Ela não é um emaranhado de sentimentos nem uma coleção de conceitos. A fé é um encontro vivo com Cristo, que muitas vezes nasce justamente da fraqueza, da dúvida e da queda de todas as falsas certezas. Reconhecer a própria fragilidade torna-se uma verdadeira epifania, capaz de abrir os olhos e as mãos para tocar também as feridas do mundo.
O teólogo checo Tomáš Halík, um dos grandes pensadores cristãos da atualidade, escreveu um belo livro intitulado Toque as feridas. Nele, recorda um episódio da vida de São Martinho. Conta-se que o próprio Satanás apareceu ao santo sob a aparência de Cristo. Martinho, porém, não se deixou enganar. Apenas perguntou: «Onde estão as tuas feridas?»
Halík conclui com uma provocação que pode se tornar a nossa oração neste dia: «Não acredito em uma fé sem feridas, em uma Igreja sem feridas, em um Deus sem feridas. Somente o Deus ferido, acolhido por meio de nossa fé ferida, pode curar o nosso mundo ferido.»
Talvez seja justamente aí que nasce a fé mais autêntica: não da ausência de perguntas, mas da coragem de levar as próprias feridas ao encontro das feridas gloriosas de Cristo. É delas que brota a esperança que cura e transforma o mundo.
* professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS
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