Realiza-se nesta segunda-feira, 24, em Kyiv, por ocasião do 35º aniversário da independência da Ucrânia, uma nova cúpula da Coalizão da Boa Vontade*. A reunião, copresidida pelo Reino Unido, França e Alemanha, conta com a participação presencial do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e de diversos líderes conectados remotamente. No centro das conversas estão o pedido ucraniano para reforçar a defesa aérea do país e aumentar a pressão sobre a Rússia.
Na véspera da cúpula, o presidente Volodymyr Zelensky falou sobre um plano elaborado juntamente com os Estados Unidos e a União Europeia para pôr fim à guerra. A proposta preveria, antes de tudo, um cessar-fogo e, posteriormente, a criação de uma zona econômica livre, por meio do recuo das forças ucranianas e russas e da formação de uma zona-tampão confiada à administração de uma terceira parte. Outro ponto diria respeito às garantias e aos compromissos da Ucrânia, da União Europeia e da Otan. Segundo Zelensky, as propostas deverão agora ser discutidas mais detalhadamente por Washington com Kiev e Moscou.
Enquanto isso, os aliados europeus anunciam novas ajudas. Precisamente nestas horas, a Noruega confirmou para 2027 um apoio à Ucrânia no valor de 9 bilhões de dólares, mantendo o mesmo nível previsto para este ano. A maior parte dos recursos será destinada às Forças Armadas ucranianas. Kiev, que estima em 27 bilhões de dólares o déficit financeiro de seu Exército, também pediu à União Europeia que antecipe parte do empréstimo de 90 bilhões de euros para atender às necessidades já ao longo deste ano.
Também o Reino Unido reiterou seu apoio. O primeiro-ministro, Andy Burnham, em Kiev para sua primeira missão internacional desde que assumiu o cargo, deverá anunciar uma nova iniciativa no setor da defesa. Londres autorizou a empresa MBDA a compartilhar informações classificadas sobre os componentes britânicos do míssil de longo alcance SCALP, permitindo assim que a Ucrânia e a França concluam a montagem dos vetores diretamente em território ucraniano.
Desde o início do conflito, o apoio britânico à Ucrânia atingiu, no total, 25 bilhões de libras esterlinas, dos quais 16 bilhões destinados à assistência militar. Continua particularmente urgente a questão da defesa aérea. Zelensky indicou a necessidade de 300 mísseis Patriot para enfrentar a temporada de inverno. A Força Aérea ucraniana, por sua vez, necessitaria de 360. Kiev também pretende obter uma parte das reservas norte-americanas, justamente no momento em que a redução dos fornecimentos ocidentais está levando as forças ucranianas a intensificar os ataques contra plataformas de lançamento e infraestruturas russas.
Ontem, por sua vez, os líderes dos oito países nórdicos e bálticos (NB8) — Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia — reuniram-se com Zelensky em Kiev para uma cúpula de emergência centrada no reforço da defesa aérea e no apoio militar à Ucrânia.
Enquanto isso, no campo de batalha, os combates não dão trégua. Pelo menos três pessoas morreram em um ataque russo nos arredores de Kharkiv, onde os serviços de emergência evacuaram e socorreram diversos civis. No lado oposto, Kyiv intensificou os ataques em território russo contra alvos energéticos e logísticos. Moscou denunciou, durante a noite, um ataque maciço de drones, e o Ministério da Defesa russo afirmou ter abatido 351 aparelhos.
Na região de Krasnodar, segundo as autoridades russas, duas crianças morreram e outras nove pessoas ficaram feridas após a queda de destroços de drones sobre um centro de acolhimento. Também foram atingidos quatro depósitos da plataforma de comércio eletrônico Ozon, no sul da Rússia. Outro ataque foi registrado na zona industrial de Nevinnomyssk, na região de Stavropol.
A cúpula europeia realiza-se, portanto, em um dia de forte valor simbólico para Kiev. Em 24 de agosto de 1991, há 35 anos, o Parlamento ucraniano aprovava o Ato de Proclamação da Independência da União Soviética. A decisão foi confirmada alguns meses depois, no referendo de 1º de dezembro, quando mais de 90% dos eleitores votaram a favor da independência. Esta é a quinta Festa da Independência celebrada pela Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
*A Coalizão da Boa Vontade (frequentemente chamada também de coalizão dos dispostos ou coligação da boa vontade) é uma parceria internacional temporária formada por países aliados para atingir um objetivo político ou militar específico, sem a necessidade de um mandato formal prévio de organizações como a ONU ou a OTAN. [1]
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