Roma

Trinitários em Madagascar: cem anos da Ordem da Santíssima Trindade

Desde o primeiro encontro com os missionários espanhóis até a guia do Vicariato Apostólico da Arábia do Norte: uma viagem entre memória, fé e missão. No centenário da presença da Ordem...

Trinitários em Madagascar: cem anos da Ordem da Santíssima Trindade

Desde o primeiro encontro com os missionários espanhóis até a guia do Vicariato Apostólico da Arábia do Norte: uma viagem entre memória, fé e missão. No centenário da presença da Ordem na ilha, o bispo Aldo Berardi relembra o caminho que, há quarenta anos, o levou a escolher a família religiosa dos Trinitários.

O bispo Berardi, Vigário Apostólico da Arábia do Norte, jurisdição que abrange Bahrein, Catar, Kuwait e Arábia Saudita, prepara-se para partir para Madagascar a fim de participar das celebrações do centenário da presença da Ordem da Santíssima Trindade na ilha, uma comemoração que remete às raízes de sua vocação religiosa.

O bispo encontra-se atualmente em Cerfroid, na França, berço histórico da Ordem dos Trinitários e sede da casa-mãe, onde fez uma parada após ter celebrado, no último dia 26 de julho, o 35º aniversário de sua ordenação sacerdotal na igreja de Saint-Martin, em Ars-sur-Moselle.

Em entrevista à Agência Fides, o bispo Berardi relembrou as etapas de sua trajetória vocacional, que teve início com o encontro com o carisma trinitário e com o testemunho dos primeiros missionários da Ordem.

“O centenário da presença dos Trinitários em Madagascar representa para mim uma data com significado especial. Volto depois de quarenta anos: até agora nunca tinha conseguido, porque sempre surgia algum obstáculo. Durante a pandemia de Covid, eu era responsável pela formação e havia planejado visitar as casas de formação, mas ficamos retidos em Roma. Quando finalmente parecia possível partir, chegou a nomeação episcopal. Esta viagem é para mim um retorno às raízes da minha vocação. Quando era seminarista diocesano, ainda em busca de meu caminho, foi justamente em Madagascar que encontrei minha família religiosa. Volto como peregrino: celebraremos junto com a comunidade e, em seguida, seguirei para a região de Tsiroanomandidy, onde morei por dois anos. Foi justamente um bispo malgaxe que me ordenou sacerdote”.

O que o conquistou, conta ele, foram, desde o início, a simplicidade e a espiritualidade da Ordem, capazes de conciliar a dimensão monástica com a apostólica. “Também me impressionaram o empenho, a coragem e os sacrifícios dos primeiros missionários, que partiam sabendo que provavelmente nunca mais voltariam à pátria”.

A vida do bispo tem sido uma jornada contínua entre continentes e culturas. “Minha vocação nasceu na França, na região de Metz, onde cresci, frequentei as escolas, o serviço vocacional e os seminários menor e maior. Depois veio Madagascar, onde descobri minha família religiosa; em seguida, Roma, para os estudos, e, por fim, Montreal, onde permaneci três anos no seminário maior”.

Tendo entrado no seminário na França aos dezesseis anos, após os estudos no seminário menor e, posteriormente, no seminário maior de Villiers-lès-Nancy para a diocese de Metz, ele optou por dedicar dois anos ao serviço civil como alternativa ao serviço militar. Então foi enviado a Madagascar, onde conheceu os Trinitários espanhóis engajados nas missões da diocese de Tsiroanomandidy. A partir dessa experiência, tomou forma a decisão definitiva de ingressar na Ordem da Santíssima Trindade.

Hoje, os Trinitários são protagonistas da vida da Igreja e estão na origem de quatro dioceses de Madagascar — Miarinarivo, Tsiroanomandidy, Ambatondrazaka e Maintirano —, onde seu empenho missionário continua a contribuir para o crescimento das comunidades eclesiais.

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