A Arquidiocese de Seul, na Coreia do Sul, concedeu ao Pe. Paolo Benanti, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana, um prêmio pelo conjunto da sua obra nas Ciências Humanas e Sociais, em reconhecimento ao trabalho sobre a ética da Inteligência Artificial e a governança tecnológica. Enquanto a Igreja coreana se prepara para receber jovens de todo o mundo por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027, a Arquidiocese de Seul, em 9 de junho, reafirmou a importância da dignidade da vida humana, colocando-a no centro da atenção pública por ocasião da 20.ª edição da cerimônia de entrega do “Mystery of Life Awards”, realizada na Universidade Católica da Coreia. Participaram da cerimônia representantes da Igreja, do meio acadêmico, da sociedade civil e de instituições públicas. Também estavam presentes o cardeal Andrew Yeom Soo-jung, arcebispo emérito de Seul; o arcebispo Peter Chung Soon-Taick, arcebispo de Seul e presidente do Comitê pela Vida; e o bispo Job Yo-bi Koo, bispo auxiliar de Seul e vice-presidente do Comitê pela Vida. O primeiro-ministro, Kim Min-seok, também participou da cerimônia, proferindo um discurso de felicitações.
Organizada pelo Comitê pela Vida da Arquidiocese de Seul, presidido pelo arcebispo Peter Chung Soon-taick, a cerimônia prestou homenagem a pessoas e organizações cuja atuação contribuiu para a defesa da vida humana e para a promoção de uma cultura da vida nos setores da ciência, da ética, da saúde e do engajamento social. Em discurso de agradecimento, o Pe. Benanti refletiu sobre o significado do “mistério da vida” em uma época cada vez mais moldada pela Inteligência Artificial. Ele afirmou: “a palavra ‘mistério’ indica algo que não se presta a um mero cálculo, que não pode ser reduzido a dados, que exige de nós não apenas análise, mas também reverência”.
Alertando contra a redução dos seres humanos a dados, o Pe. Benanti prosseguiu ressaltando que “os sistemas de IA não sabem como enxergar uma pessoa; eles veem padrões, veem correlações, veem sinais comportamentais e vetores de preferência. A tecnologia não é o destino”; pelo contrário, a dignidade da vida humana deve ser o parâmetro pelo qual toda escolha tecnológica é avaliada.
O Pe. Paolo Benanti é consultor da Santa Sé em matéria de ética da IA, presidente da Comissão de Inteligência Artificial para a Informação da Itália e ex-membro do Órgão Consultivo de Alto Nível sobre o tema da IA instituído pelo Secretário-Geral das Nações Unidas.
Além do Pe. Benanti — conforme informado em um comunicado à imprensa da Arquidiocese de Seul —, o prêmio “Mystery of Life” 2026 por trajetória nas Ciências da Vida foi concedido ao prof. Won-Suk Chung, do Departamento de Ciências Biológicas do KAIST, por sua contribuição à pesquisa sobre doenças neurodegenerativas; a professora Sujeong Kim — com o Prêmio de Incentivo nas Ciências Humanas e Sociais — da Faculdade de Ciências da Enfermagem da Universidade Católica da Coreia, por seu trabalho sobre a ética do cuidado no âmbito médico. Além disso, um prêmio de incentivo na categoria Atividades foi concedido à Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, com sede na Índia, por seu trabalho com as comunidades dalit e o empenho em prol dos direitos humanos e da dignidade humana.
Em discurso, o arcebispo Chung expressou gratidão aos ilustres premiados pelo testemunho em favor da dignidade da vida em seus respectivos âmbitos e destacou a importância do aniversário de 20 anos do prêmio. “Por meio desta cerimônia de premiação, espero que o valor da vida seja difundido mais amplamente e que uma cultura de respeito pela vida se enraíze ainda mais em nossa sociedade”, afirmou o arcebispo Chung. Ele também relacionou a missão do prêmio às futuras gerações que se reunirão na Coreia para a Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027. “Enquanto continuamos nos preparando para a Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027, esperamos compartilhar o valor da vida com as futuras gerações e contribuir para difundir em toda a sociedade uma cultura que proteja a dignidade humana”, concluiu.
O primeiro-ministro Kim Min-seok destacou que a proteção da vida não é apenas uma questão religiosa, mas também uma responsabilidade nacional e social. “As questões mais profundamente consideradas pelo atual governo, e mais frequentemente discutidas nas reuniões do gabinete, são os acidentes de trabalho, o suicídio e a segurança pública, e tais questões não podem ser abordadas apenas por meio de sistemas informatizados”, comentou o primeiro-ministro Kim. “Se a dignidade humana e um sistema de valores que respeite a vida não estiverem firmemente enraizados — disse ele, por fim —, as instituições, por si sós, não podem resolver essas questões”. Ele também agradeceu ao Comitê pela Vida da Arquidiocese de Seul por ter difundido uma cultura da vida na sociedade coreana nos últimos 20 anos e pediu à comunidade católica que continue caminhando ao lado do povo coreano na proteção da vida.
Cada vencedor recebeu uma placa em nome do arcebispo Chung, além de um prêmio em dinheiro de 100 milhões de won para os prêmios de mérito e de 30 milhões de won para os prêmios de incentivo. Criados em 2006 pelo Comitê pela Vida da Arquidiocese de Seul, os Prêmios “Mystery of Life” têm como objetivo defender a dignidade e o valor da vida humana e promover a bioética católica na sociedade. Por ocasião de seu vigésimo aniversário, a cerimônia deste ano destacou algumas das questões mais urgentes relacionadas à vida que a sociedade contemporânea enfrenta, entre elas a Inteligência Artificial, o avanço da tecnologia, a pesquisa médica, a ética dos cuidados, os direitos humanos e a proteção das comunidades vulneráveis.
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