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Portugal. Padre António Valério: “ajudar cada pessoa a encontrar a pessoa de Jesus”

O novo provincial da Companhia de Jesus em Portugal é o padre António Valério de 48 anos. No início das suas funções no passado mês de junho publicou uma mensagem vídeo dirigindo-se a “...

Portugal. Padre António Valério: “ajudar cada pessoa a encontrar a pessoa de Jesus”

O novo provincial da Companhia de Jesus em Portugal é o padre António Valério de 48 anos. No início das suas funções no passado mês de junho publicou uma mensagem vídeo dirigindo-se a “toda a comunidade inaciana” afirmando que “a missão da Companhia de Jesus é ajudar cada pessoa a encontrar a pessoa de Jesus”.

“Estou profundamente convencido que no coração de cada pessoa habita o desejo de Deus”, quer sejam pessoas crentes ou não crentes, revela o sacerdote na mensagem que aqui divulgamos.

“Sou o padre António Valério, estou no início das minhas funções enquanto provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus e neste momento quero dirigir a toda a imensa comunidade inaciana no nosso país, que partilha a nossa espiritualidade, que partilha a nossa missão, quero desejar uma saudação muito especial a todos e agradecer por estarem connosco.

Em primeiro lugar, recebo com muita alegria e sentido de responsabilidade aquilo que entendo ser a primeira missão do Provincial, que é acompanhar, que é animar, que é cuidar os meus companheiros jesuítas na realização da sua missão e na generosidade da sua entrega. Esta missão primeira não pode ser desligada daquela que é a missão de animar, a fazer o caminho que se tem estado a fazer ao longo destes anos na Província Portuguesa da Companhia de Jesus, de trabalhar com tantas pessoas, com tantos leigos, tantas leigas, sacerdotes diocesanos, religiosos e religiosas, a realizar de alguma forma e a caminhar connosco na missão da Companhia de Jesus em Portugal.

Esta missão que a Companhia de Jesus procura realizar e tenta realizar todos os dias é uma missão que é para este lugar, para este tempo, para este espaço específico da nossa história em que estamos a viver. Estou profundamente convencido que no coração de cada pessoa habita o desejo de Deus. Este desejo que se concretiza de muitas formas, por pessoas que são crentes, por pessoas que não são crentes, por aquelas que estão mais próximas da Igreja, aquelas que estão mais afastadas, dentro da multiplicidade dos carismas dentro da Igreja. Todos nós procuramos uma vida feliz, uma vida realizada, uma vida plena e toda esta vida que nos leva a um movimento para o outro e para o serviço do outro. É ali que encontramos verdadeiramente a nossa felicidade e reconhecemos, e estou profundamente convencido, que neste movimento que nos leva até ao bem do outro está o movimento do Espírito Santo e do coração de Deus.

A missão da Companhia de Jesus é ajudar cada pessoa a encontrar a pessoa de Jesus, o seu amor e o seu lugar neste mundo como um lugar onde se realiza plenamente a pessoa e se encontra o bem do outro. Confio-me com alegria a esta nova missão que estou a iniciar, peço as vossas orações por todos os jesuítas e confio também que todo este caminho que estamos a procurar juntos seja, para a Companhia de Jesus em Portugal, um instrumento e um meio para realizarmos na Igreja e para o mundo um encontro pessoal e transformador com a pessoa de Jesus.”

Nomeado em fevereiro de 2026, pelo padre Geral da Companhia de Jesus, Arturo Sosa, o padre António Valério tomou posse no domingo 28 de junho na Igreja do Colégio S. João de Brito, em Lisboa. Em recentes declarações à Agência Ecclesia, o padre António Valério declarou que a Igreja tem que ir ao encontro das pessoas.

“De facto, as palavras que eu disse no início do meu mandato, na missa de tomada de posse, é este convite a sair de si mesmo, penso muito no ritmo que nós temos hoje em dia, nós religiosos, uma ordem religiosa, a Igreja em si, não pode estar fora e não está fora do contexto de hoje, da velocidade da informação, das coisas que acontecem. Então, quando se tem um coração generoso e desejoso de responder às necessidades, a nossa tentação é dizer logo a tudo que sim e responder a tudo, mas é preciso sair dessas zonas, e há essa disponibilidade, mas sair de uma forma que seja pensada interiormente. E por isso, não tanto a partir das instituições, mas sobretudo o sentir este desejo missionário. Eu creio que a Igreja, cada vez mais, acho que o Papa Francisco, mas já antes, já vinha muito esta ideia que a Igreja é enviada em missão para fora de si mesma, já não é um sítio onde as pessoas vêm procurar algo, mas é um sítio que tem que ir ao encontro onde as pessoas estão.

E por isso, sair dos lugares institucionais, dos lugares existenciais, das próprias ideias, ainda por cima estamos numa mudança de paradigma muito grande, e por isso é importantíssimo que esta atitude seja a primeira, que não é só acolher aqueles que vêm ter comigo, mas é o próprio de dar respostas e acolher aqueles que estão lá fora.

A missão do Provincial é uma missão também muito de estar aqui e ter o seu trabalho aqui na Curia Provincial, na parte mais formal do que é administrar uma província, e os jesuítas que lá estão, as comunidades, as obras, as pessoas com quem colaboramos, mas ao mesmo tempo passa mais de metade do seu ano a visitar as comunidades e as obras. O que me tem motivado mais e tenho trabalhado mais é a questão do acompanhar, do animar, do entusiasmar, e estar envolvido aqui, neste caso em Lisboa, por um colégio e por um centro universitário ajuda muito a dizer que estamos ali em áreas que atualmente sempre foram, mas que atualmente ainda ganham uma relevância maior sobre as fronteiras a que somos enviados. O trabalho com os jovens, o trabalho da interioridade que se faz num centro universitário, a formação, todas as gestões educativas que têm a ver com formar pessoas para o futuro, e futuro incerto, nós agora não sabemos o futuro que nos espera.

O Papa Leão, seja na escolha do seu nome, seja agora na primeira encíclica que ele publicou, ele segue, tal como o Papa Leão XIII que foi importantíssimo numa era de grande revolução e de uma mudança de paradigma, na revolução industrial nós estamos a meio de uma revolução tecnológica da qual ainda não nos conseguimos situar. E o Papa Leão com aquela encíclica, de facto põe-nos no centro de uma mudança e que nos quer dar algumas coordenadas para nos orientarmos ali. E por isso estamos numa mudança de paradigma.”

O padre António Valério nasceu em 1977, em Idanha-a-Nova. Entrou na Companhia de Jesus, em Coimbra, em 1997, e foi ordenado sacerdote em julho de 2009, no Carmelo de Fátima.

É licenciado em Filosofia e Humanidades pela Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa. Fez os seus estudos de Teologia, primeiro em Bilbau, Espanha, e depois em Roma, na Universidade Gregoriana, concluindo o mestrado em Teologia Fundamental, em 2010. Realizou, na Bolívia, em 2017, a última etapa de formação na Companhia de Jesus, e fez os votos solenes em 2018.

O padre António Valério trabalhou apostolicamente na pastoral universitária, e foi Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa. Atualmente era o Diretor-Geral do Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso.

Assume agora a missão de provincial da Companhia de Jesus em Portugal sucedendo ao padre Miguel Almeida, que assim concluiu o seu mandato.

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