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Parolin exorta os sacerdotes a serem “sentinelas vigilantes” - Vatican News

No último dia de sua visita à Guatemala, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, presidiu nesta terça-feira, 4 de agosto, a celebração eucarística no Santuário Arqui...

Parolin exorta os sacerdotes a serem “sentinelas vigilantes” - Vatican News

No último dia de sua visita à Guatemala, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, presidiu nesta terça-feira, 4 de agosto, a celebração eucarística no Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua de Mixco, por ocasião da memória litúrgica de São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes. Em sua homilia, ele apresentou uma reflexão profunda sobre a identidade e a missão do ministério sacerdotal, convidando os presbíteros a redescobrirem a centralidade da oração, da Eucaristia e da compaixão como fundamentos de sua vocação.

No início da celebração, o purpurado destacou o significado do santuário como um lugar de adoração perpétua e lembrou o recente apelo do Papa Leão XIV para que a vida sacerdotal seja “um caminho eucarístico”, renovando a cada dia o “sim” a Deus e o chamado universal à santidade.

Inspirando-se no livro do profeta Ezequiel, o cardeal Parolin apresentou a figura do “sentinela” como uma imagem eloquente do ministério sacerdotal. Ele explicou que o sentinela permanece vigilante para proteger o povo, transmite fielmente a palavra recebida e não busca reconhecimento pessoal, mas sim a salvação daqueles que lhe foram confiados.

Nesse contexto, ele alertou sobre uma das tentações mais frequentes da vida pastoral: reduzir o ministério a uma sucessão de reuniões, projetos e atividades, negligenciando a vigilância interior e a escuta de Deus. Diante desse risco, insistiu na necessidade de cultivar uma intensa vida de oração.

Recordando o exemplo do Cura d’Ars, afirmou que “o sacerdote vale de joelhos o mesmo que vale depois no púlpito, no confessionário e no altar”, ressaltando que a verdadeira fecundidade pastoral nasce de uma profunda intimidade com o Senhor e não unicamente da eficácia organizacional.

O segundo eixo da homilia inspirou-se no Evangelho, onde Jesus contempla a multidão e sente compaixão por ela. Para o secretário de Estado, essa atitude constitui a origem de toda ação evangelizadora autêntica.

“Não é o cálculo pastoral nem a estratégia que move a Igreja. É o coração de Cristo”, afirmou, destacando que toda fecundidade apostólica nasce da participação nesse olhar compassivo do Senhor.

O purpurado explicou que o sacerdote é chamado a deixar-se transformar, em primeiro lugar, pela misericórdia de Deus, para poder olhar para os outros com os olhos de Cristo, especialmente para aqueles que vivem situações de sofrimento, vulnerabilidade ou afastamento da fé. Nesse sentido, exortou a não permitir que o cansaço pastoral substitua a compaixão pela rotina.

Parolin lembrou que São João Maria Vianney encontrou no confessionário a expressão mais elevada de sua caridade pastoral, pois compreendeu que o verdadeiro protagonista do ministério é sempre a misericórdia divina.

Numa época em que frequentemente se espera que os sacerdotes sejam gestores, comunicadores ou líderes, ele afirmou que o Cura d’Ars nos lembra uma verdade essencial: “antes de qualquer outra coisa, o sacerdote é homem de Deus e ministro da reconciliação”. Da mesma forma, ele evocou a conhecida expressão atribuída ao santo francês: “O sacerdócio é o amor do coração de Jesus”, ressaltando que somente permanecendo nesse coração o ministério evita se tornar uma mera função.

O cardeal convidou ainda os sacerdotes a examinar a origem de sua vida espiritual antes de seus resultados pastorais. “O santo povo de Deus precisa de sacerdotes competentes, certamente, mas, acima de tudo, precisa de homens transparentes cuja vida permita vislumbrar Cristo”, afirmou, acrescentando que a credibilidade do ministério depende mais da santidade do que da eficiência.

Ao concluir a homilia, o secretário de Estado incentivou os sacerdotes a renovarem interiormente sua resposta vocacional, sem permitir que o cansaço ofusque a alegria de terem sido chamados ao ministério.

Retomando o legado espiritual de São João Maria Vianney, ele destacou que, embora as circunstâncias históricas tenham mudado, os pilares de uma autêntica vida sacerdotal permanecem plenamente vigentes: uma existência eucarística, uma intensa vida de oração, o amor pelas almas, a disponibilidade para o sacramento da reconciliação e a humilde consciência de que tudo é obra da graça.

Por fim, confiou os sacerdotes à intercessão de Maria, Mãe dos Sacerdotes, e de São João Maria Vianney, para que o Senhor os encontre como “sentinelas vigilantes e pastores segundo o seu coração”.

Após a Guatemala, o secretário de Estado da Santa Sé seguiu para o México, onde tem previstos alguns encontros com as autoridades governamentais, bem como uma santa missa na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, de acordo com a programação divulgada pela Secretaria de Estado da Santa Sé na conta oficial @TerzaLoggia.

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