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Papa nomeia novos membros para o Pontifício Comitê de Ciências Históricas

O Papa Leão XIV nomeou três novos membros para o Pontifício Comitê de Ciências Históricas: trata-se dos professores Umberto Longo, diretor do Instituto Histórico Italiano da Idade Média...

Papa nomeia novos membros para o Pontifício Comitê de Ciências Históricas

O Papa Leão XIV nomeou três novos membros para o Pontifício Comitê de Ciências Históricas: trata-se dos professores Umberto Longo, diretor do Instituto Histórico Italiano da Idade Média em Roma (Itália); Francesco Cesareo, presidente emérito da Assumption University em Worcester (Estados Unidos); e Anna Barańska, professora associada da Faculdade de Ciências Humanas da Katolicki Uniwersytet Lubelski Jana Pawła II (Polônia).

O Pontifício Comitê de Ciências Históricas (Pontificio Comitato di Scienze Storiche) é um organismo da Santa Sé dedicado à promoção dos estudos históricos, particularmente da história da Igreja, e à colaboração entre pesquisadores católicos e a comunidade científica internacional. Sua origem formal remonta a 7 de abril de 1954, quando o Papa Pio XII decidiu instituí-lo. No entanto, sua história é bem mais antiga e está ligada ao esforço da Igreja, desde o século XIX, de incentivar uma pesquisa histórica rigorosa e o acesso aos seus arquivos.

O antecedente direto do Comitê foi a Comissão Cardinalícia para os Estudos Históricos, criada por Leão XIII em 18 de agosto de 1883, por meio da carta apostólica Saepenumero considerantes. A iniciativa ocorreu no contexto da abertura progressiva do então chamado Arquivo Secreto Vaticano aos estudiosos, iniciada entre 1879 e 1880. Leão XIII desejava estimular uma investigação histórica mais científica, colocando as fontes documentais à disposição dos pesquisadores e favorecendo uma compreensão mais adequada da história da Igreja.

Outro passo importante ocorreu na década de 1930. Em 1937, surgiu a proposta de que a Santa Sé participasse do Comité International des Sciences Historiques (CISH), principal organismo internacional de cooperação entre historiadores. O cardeal Eugène Tisserant obteve de Pio XI a representação da Santa Sé no Congresso Internacional de Ciências Históricas de Zurique, em 1938, e a adesão do Vaticano ao CISH. A Segunda Guerra Mundial, porém, interrompeu ou reduziu essas iniciativas. Com a retomada das atividades internacionais em 1948, a colaboração foi novamente fortalecida.

Foi nesse contexto que Pio XII criou formalmente o Pontifício Comitê de Ciências Históricas, em 7 de abril de 1954, tendo como primeiro presidente o historiador e sacerdote Pio Paschini, e como secretário Michele Maccarrone. Entre os primeiros membros estavam estudiosos ligados às universidades pontifícias e a importantes instituições culturais, como Angelo Mercati, Pietro Salmon, Lucien De Bruyne, Ferdinando Antonelli, Pedro de Leturia, Antonio Casamassa e Thomas Kappeli. A principal finalidade inicial era assegurar a representação da Santa Sé junto ao CISH e, posteriormente, também junto à Comissão Internacional de História Eclesiástica Comparada (CIHEC).

Um momento decisivo foi o X Congresso Internacional de Ciências Históricas de Roma, em 1955. O recém-criado Comitê participou oficialmente do evento, e uma sessão foi realizada no Vaticano, onde também foi organizada uma exposição de documentos do Arquivo Vaticano. Em 7 de setembro de 1955, Pio XII dirigiu um importante discurso aos historiadores reunidos em Roma. Segundo a própria documentação histórica do Comitê, esse pronunciamento marcou uma mudança significativa: a Igreja passou a assumir de maneira mais explícita a legitimidade da crítica histórica científica, afastando-se da perspectiva predominantemente polêmica e apologética que havia caracterizado parte da historiografia católica do século XIX.

Nas décadas seguintes, o Comitê ampliou suas atividades. Além de representar a Santa Sé nos organismos internacionais de história, passou a promover congressos, seminários, pesquisas e publicações, colaborar com universidades e instituições científicas e acompanhar questões relacionadas ao patrimônio documental e aos arquivos eclesiásticos. Também incentivou o estudo do latim e do grego, considerados instrumentos fundamentais para a pesquisa histórica, e desenvolveu iniciativas voltadas à formação de jovens pesquisadores.

Ao longo de sua história, o organismo foi dirigido por importantes historiadores da Igreja: Pio Paschini (1954–1962), Michele Maccarrone (1963–1989), Victor Saxer (1989–1998), Walter Brandmüller (1998–2009), Bernard Ardura (2009–2023) e, desde setembro de 2023, Marek Inglot, SJ. Entre os secretários estiveram Michele Maccarrone, José Ruysschaert, Amato Pietro Frutaz, Raffaele Farina, Vittorino Grossi, Cosimo Semeraro e Luigi Michele De Palma; desde 2023, o secretário é Pierantonio Piatti.

Um momento importante de sua trajetória foi o cinquentenário, em 2004, celebrado com iniciativas acadêmicas e posteriormente com um seminário internacional sobre as pesquisas e questões abertas da história do cristianismo na segunda metade do século XX. Em 2014, por ocasião dos 60 anos, o Papa Francisco destacou a função do Comitê como espaço de pesquisa histórica e de diálogo com o mundo científico. Segundo o atual estatuto, aprovado em 2019, sua missão inclui promover os estudos históricos, favorecer o diálogo interdisciplinar e multicultural entre diferentes sensibilidades historiográficas e colaborar com a comunidade acadêmica internacional.

Atualmente, portanto, o Pontifício Comitê de Ciências Históricas não deve ser entendido simplesmente como um organismo que pesquisa a história da Igreja. Sua função é mais ampla: promover a pesquisa histórica científica, estabelecer pontes entre a Santa Sé e a comunidade internacional dos historiadores e estimular o diálogo entre diferentes culturas e tradições historiográficas. O Papa Francisco, ao receber seus membros em 2022, ressaltou justamente que o estudo da história pode contribuir para o diálogo e para a paz, ajudando a compreender as experiências dos povos e das sociedades ao longo do tempo.

Em síntese, sua trajetória pode ser vista em três grandes etapas: a preocupação de Leão XIII, no final do século XIX, em fortalecer a pesquisa histórica e abrir os arquivos; a institucionalização da presença da Santa Sé no mundo acadêmico internacional, culminando na criação do Comitê por Pio XII em 1954; e, posteriormente, a consolidação de uma instituição voltada ao diálogo científico, à pesquisa histórica crítica e à cooperação internacional. Essa evolução acompanha a própria transformação da relação da Igreja com a historiografia moderna.

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