O Papa Leão XIV recebeu em audiência na manhã desta quinta-feira (18/06) um grupo de 100 pessoas da ROACO, a Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais. O encontro na Sala Clementina, no Vaticano, marcou o encerramento da 99ª Assembleia Plenária do comitê que procura coordenar organizações de vários países do mundo de ajuda humanitária e pastoral que prestam apoio financeiro e espiritual aos católicos orientais e cristãos em regiões de conflito, como o Oriente Médio e a Terra Santa. A ROACO atua diretamente ligada ao Dicastério para as Igrejas Orientais, por isso o Pontífice começou saudando em discurso os seus representantes logo no início do discurso, a partir do prefeito, o cardeal Claudio Gugerotti, que também é o presidente do comitê.
A assembleia de 4 dias de trabalhos foi concentrada na reflexão de um tema específico, recordou o Papa, na formação dos clérigos e monges nos seminários e colégios orientais para aprofundar o conhecimento das diferentes tradições eclesiais que abriga e que se complementam mutuamente. "Acredito que tenha sido uma escolha muito oportuna", comentou o Pontífice, porque é preciso socorrer uma Igreja não apenas materialmente, mas ajudando a crescê-la "em identidade e força evangelizadora". Além de especialistas no argumento, também colaboraram com a formação o Custódio da Terra Santa, Pe. Francesco Ielpo, e o núncio apostólico no Líbano, dom Paolo Borgia.
"Todas as antigas Igrejas do Oriente nos remetem, de fato, às origens da fé", recordou Leão XIV, citando as "liturgias repletas de sacralidade", que "testemunham o poder da oração de intercessão, oferecem conteúdos espirituais que enchem o coração". São diversas tradições espirituais e teológicas, ritos e disciplinas diferentes que precisam ser conhecidos para se aprender a amar rumo à plena unidade, como já havia antecipado "com veemência", há mais de 30 anos, São João Paulo II através da Carta Apostólica Orientale lumen, ao convidar seminários e faculdades teológicas a oferta de um ensino adequado sobre tais matérias, sobretudo para os futuros sacerdotes.
A atenção concreta dada às Igrejas Orientais pela ROACO, salientou Leão XIV, além da grande dedicação pela caridade e conhecimento, requer um coração inflamado pelo Espírito Santo. A recomendação é cultivar a vida espiritual, "sobretudo por meio da constância na oração e na vida sacramental". Um conjunto do bem e de Deus que, no entanto, disse o Papa, acaba sendo desafiado pelas consequências da guerra:
"Caríssimos, olhando para vocês e pensando no serviço silencioso e benéfico que prestam, e nos tantos benfeitores que através de vocês destinam recursos a quem precisa, não posso deixar de pensar em quanto dinheiro, neste momento sombrio da história, é desperdiçado para matar, jogado fora por tantos que fomentam as guerras. Enquanto vocês geram vida, eles semeiam morte; enquanto vocês estendem a mão ao irmão, eles procuram inimigos para esmagar; enquanto vocês criam diálogos, eles buscam monólogos; enquanto vocês abrem caminhos de esperança, eles aprisionam os povos no medo; enquanto vocês constroem futuro, eles destroem o presente."
“Como não pensar na dolorosa hemorragia dos cristãos orientais dos seus próprios territórios, causada sobretudo pela guerra que, reitero, não resolve problemas, mas cria tragédias — tragédias muitas vezes deixadas no esquecimento geral.”
Fruto da guerra, continuou Leão XIV, "há uma praga da qual gostaria de falar hoje e que continua sangrando sobretudo nas Igrejas Orientais. Eu a defino com uma palavra: precariedade". Os países que sofrem com os conflitos, além do silêncio instalado, são marcados "pela instabilidade das instituições, pela presença de bandos armados que se dividem no território, por uma política condicionada e, não raro, manipulada por agentes e interesses externos, que não opera com liberdade, mas se debate entre mil artimanhas, acordos secretos e interesses partidários. E assim se gera uma precariedade perene, que sufoca as possibilidades de desenvolvimento e recai sempre sobre a pele dos mais pobres".
O medo e a insegurança acabam dominando esses lugares, comentou o Papa, refletindo em trabalho precário, pagamento irregular de salários, setores como saúde e educação instáveis. Quem sofre diretamente, recordou Leão XIV, são pessoas comuns, famílias, crianças e jovens, idosos e doentes: "torna-se um drama que pesa no coração de todos, devora a esperança e impede a construção do futuro, favorecendo a compulsão de partir".
Ao final do discurso, então, o apelo e a gratidão do Papa dirigido a todos que possam se empenhar "em remediar tanta desumanidade", perseverando "na caridade sem desanimar, animados pela esperança de Cristo":
“Gostaria de fazer mais uma vez um apelo para se refletir sobre as consequências da guerra e da precariedade, e para preveni-las com inteligência e responsabilidade, pois tudo isso não é fruto de um destino inevitável, mas de escolhas livres e, portanto, de responsabilidades moralmente imputáveis. A história demonstra como as tramas da violência e da prepotência, do poder e do domínio, dos ganhos obtidos sem justiça e sem escrúpulos, se voltam não apenas contra quem as sofre, mas também contra quem as pratica. Rezemos a Jesus, Senhor da paz, e exortemos às consciências das pessoas para que sejam sensíveis à indignação; e que o respeito pela humanidade e o devido sentido de civilização sejam restaurados!”
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