O Papa Leão XIV, antes da Audiência Geral desta quarta-feira (24/06), encontrou um grupo de 50 escritores provenientes de várias partes do mundo, reunidos em Roma por ocasião dos 100 anos da Livraria Editora Vaticana (LEV). A editora oficial da Santa Sé, fundada em 1926 pelo Papa Pio XI, já serviu 9 Pontífices, "divulgando o magistério como contribuição para a difusão do Evangelho no mundo", como recordou Leão XIV no início de maio, na audiência de aniversário do centenário da editora da Igreja Católica Romana.
No escritório junto à Sala Paulo VI nesta quarta-feira (24/06), Prevost recebeu os escritores e falou sobre a importância do livro e da própria escrita, "uma forma de expressão humana da qual vocês são, com variedade de estilos e de linguagens, mestres e modelos". Recordando São Paulo VI, enfatizou o quanto precisamos dos artistas, "da sua imaginação, da sua fantasia narrativa, da sua vivacidade de pensamento. Precisamos disso para criar espaços de liberdade e autenticidade, nos quais a graça divina possa fazer ressoar uma promessa de consolo e de paz". O Papa, então, agradeceu "por todas as vezes em que semearam a reconciliação, o encontro e a amizade", além de pedir que "sejam capazes de suscitar o interesse pela verdade, pois vocês mesmos são atraídos por ela":
"Escrever – da maneira como vocês o fazem – é um ato de verdade, de revelação. Escrever nos diz quem somos, aquilo em que acreditamos e esperamos, o mundo para o qual nos dirigimos, o futuro com que sonhamos. Nessa tensão pela verdade, percebemos como ela é discreta, como se apresenta a nós no diálogo interior com Deus e no diálogo aberto e respeitoso com o próximo. «A verdade não é um território a ser defendido, mas um bem a ser compartilhado» (Magnifica humanitas, 25). Nunca somos senhores da verdade; é ela, de fato, que nos 'conquista'."
Para falar sobre a escrita que amplia a nossa humanidade, Leão XIV citou o dramaturgo e poeta romano Terêncio, que foi eternizado pela célebre frase “Sou um ser humano; nada do que é humano me é estranho”; além do próprio Papa Francisco, que escreveu uma Carta sobre o Papel da Literatura na Educação, argumentando sobre o valor formativo da literatura através das experiências humanas. A escrita, aprofundou Prevost através das palavras de Bergoglio, ativa "o poder empático da imaginação", veículo fundamental para levar a sentimentos como a solidariedade, a partilha, a compaixão e a misericórdia:
"É nisso que reside a grande escola de humanidade que vocês fazem os leitores experimentarem, pois quem lê, de certa forma, vive muitas vidas além da própria. E isso nos ajuda a descobrir as diversidades de pontos de vista, a não absolutizar o nosso e a compor, como em um mosaico, o perfil daquela verdade que sempre passa por nós."
Por fim, finalizou o Papa em discurso, "escrever tem a ver com Deus. Pode parecer ousado dizer isso, mas vários teólogos refletiram e escreveram sobre a consonância entre a forma da escrita e a revelação do Deus bíblico". Leão XIV, então, citou o renomado frade dominicano, teólogo e escritor britânico, cardeal Timothy Radcliffe, que, retomando Terêncio, afirmou que, para os cristãos, "nada do que é humano é estranho a Cristo. Toda tentativa de dar resposta às questões fundamentais da nossa vida – como amar, ser justo, ser livre, enfrentar o sofrimento e a morte – nos ajuda a compreender Cristo, aquele que é o mais humano de todos" (T. Radcliffe, Acender a imaginação, Verona 2021, p. 29). E o Pontífice acrescentou:
“Quando chegamos ao âmago da nossa humanidade, não estamos distantes de Deus: é ali, em meio a histórias muito humanas, que Deus se revela. O Deus da Bíblia se manifesta na libertação da escravidão, no nascimento inesperado de um filho, no amor misericordioso e fiel. Fala por meio de fatos e encontros, rostos e histórias. «Deus opera na nossa vida através do que fazemos e do que somos, e através das muitas pessoas que encontramos».”
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