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Olav Schrader: encontro literário em Montenegro

O escritor Olav Schrader foi convidado para o encontro internacional de pensadores poliglotas e escritores para co-representar o Brasil neste evento, que reuniu acadêmicos e autores de...

Olav Schrader: encontro literário em Montenegro

O escritor Olav Schrader foi convidado para o encontro internacional de pensadores poliglotas e escritores para co-representar o Brasil neste evento, que reuniu acadêmicos e autores de diversos países, incluindo Grécia e República Tcheca, com o objetivo de compartilhar as narrativas e ancestralidades de suas respectivas culturas.

Durante o encontro, que buscou estabelecer um eixo simbólico e cultural em vez de uma abordagem política, Schrader abordou a história jesuítica e a síntese com as tribos Tupi-Guarani no Brasil. O debate contou também com a contribuição de um acadêmico grego sobre o conceito de bizantinismo e a participação de uma doutora judia de Praga, especialista em história da Igreja.

Como resultado de sua passagem pela Europa, Schrader anunciou o lançamento de um livro de sua autoria na República de Montenegro. A obra, que traz uma leitura pós-colonial e pós-moderna inspirada na figura de José de Anchieta e nos primórdios da formação cultural brasileira, será publicada no idioma sérvio.

O convite partiu do ex-ministro da Cultura e embaixador de Montenegro. Segundo Schrader, a única exigência do país anfitrião era que o manuscrito original estivesse em inglês para facilitar a tradução, uma decisão que o autor já havia adotado com o objetivo de fazer a mensagem do Brasil fluir de maneira natural para o mundo.

"Tomei a preocupação de fazer capítulos que se sustentam, cada um como uma narrativa em si própria, e de condensar informação em poucas palavras", explicou Schrader sobre o formato da obra, adaptado à dinâmica contemporânea de leitura.

Com experiência de trabalho em 22 países na área de cultura, Olav Schrader acumulou por um tempo a função técnica de superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro, onde geriu o maior conjunto de patrimônio histórico do Brasil.

Ao avaliar os desafios da salvaguarda de bens artísticos no país, Schrader apontou a necessidade de uma maior consciência civilizatória: 

Incorporação do passado: o escritor defendeu que o Brasil precisa incorporar a sua história para avançar, em vez de tentar apagá-la em busca de inovação.

Práxis burocrática: Ressaltou que, além de boas intenções e regras, as políticas públicas precisam focar na aplicação prática e eficaz das normas de preservação.

Para os seus próximos trabalhos na escrita, Schrader planeja publicar um artigo sobre a figura histórica de Hildegarda de Bingen, analisando suas posturas sob uma ótica contemporânea. Além disso, projeta um novo livro focado na influência e nos elementos da cultura africana no Brasil, explorando as relações da corte de Dom João VI com príncipes africanos.

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