Papa

O primeiro gesto do Papa Leão em Lampedusa

Sempre tive uma queda por cemitérios. Não pela morte, mas pelos vivos que não se conformam. Quando posso, entro no Cemitério Verano de Roma, vou lá com gosto. Eu sei, é um hábito meio e...

O primeiro gesto do Papa Leão em Lampedusa

Sempre tive uma queda por cemitérios. Não pela morte, mas pelos vivos que não se conformam. Quando posso, entro no Cemitério Verano de Roma, vou lá com gosto. Eu sei, é um hábito meio estranho. Não tenho ninguém para visitar, mas entro mesmo assim. Caminho devagar pelos corredores, respiro aquele cheiro de ciprestes, de terra molhada e de flores esquecidas nos vasos. Muitas vezes me detenho diante de alguma fotografia e, quase sem perceber, passo a mão por cima. Tiro um pouco de poeira. Acho um pecado que esses rostos sumam sob o pó. Olham para mim homens de bigode, mulheres com vestido de festa, crianças que não tiveram tempo de gastar um par de sapatos. São principalmente as crianças que me prendem. Elas estão quase sempre com a roupa de festa. A gola da roupa branca, engomada, o cabelo penteado com um pouco de água, as orelhas limpas, aquele rostinho sério que as crianças faziam quando a mãe dizia: "Agora não se mexa". E eu, toda vez, não vejo apenas uma fotografia.

Consigo ver as mãos, mãos de mães que ajeitam um colarinho rebelde, que alisam uma prega na roupa, que tentam segurar uma criança que já queria sair correndo. Vejo pais que sacodem o paletó para tirar um grão de poeira e se afastam um momento antes do clique. Essa teimosia me comove. Nós dizemos que são fotografias de mortos. Eu penso que, na verdade, são fotografias de vivos. São o último gesto de rebeldia do amor. É como se dissessem à morte: você vai levar o sopro de vida dele, mas não o seu rosto. Por isso, quando entro em um cemitério, sempre leio os nomes. É algo que me vem espontaneamente. Me pergunto quem era aquele homem, qual era a sua profissão, se tinha filhos, se alguém ainda lhe traz uma flor. Um nome basta para colocar a imaginação em movimento. A partir de uma data, de uma fotografia, de um sobrenome, você começa a imaginar uma vida. Cada lápide é uma história que chega até você tarde demais, mas chega.

Depois, há cruzes simples demais, cravadas diretamente na terra. Nenhuma lápide. Nenhuma fotografia. Nenhum rosto. Nem sequer uma data ou uma inscrição que possa sugerir alguma coisa. Nada. E é ali que eu realmente paro. Porque diante daquelas cruzes a imaginação se rende, você não tem mais uma história para fantasiar. Resta apenas uma pergunta: quem era você? Você tinha uma mãe que te chamava pelo nome? Tinha alguém que te esperava à noite? Alguém que se preocupava se você se atrasasse? Alguém que te ensinou a andar, a rezar, a rir? O silêncio não responde.

Talvez tenha sido por essa convicção e sensibilidade que, ao ler o programa da visita de Leão XIV a Lampedusa, parei logo na primeira linha. Não na missa, não no cais, mas no cemitério. Imaginei o Papa caminhando devagar entre aqueles túmulos. Ele ainda não pronunciou uma palavra, ainda não cumprimentou ninguém, ainda não celebrou a Eucaristia. Ele caminha, olha para as cruzes, para e deposita uma flor. Só isso. Uma flor não muda a história, não devolve nenhuma vida, não move um navio, não convence nenhum governo. Mas impede uma coisa: que um homem seja esquecido duas vezes.

O Evangelho conhece bem essa obstinação. Quando Jesus morre, o mundo já mudou de assunto. Acontece sempre assim. Enquanto um homem respira, ele divide opiniões, vira notícia, acende paixões. Quando para de respirar, começa o trabalho lento do esquecimento. Os sacerdotes conseguiram o que queriam, Pilatos lavou as mãos, os soldados repartem as vestes, a multidão volta para casa. Amanhã será outro dia. É impressionante a velocidade com que os homens viram a página. Na cruz não está mais o Rabi da Galileia que fazia as multidões discutirem. Há apenas um cadáver, e diante de um cadáver os homens têm sempre pressa. É preciso liberar o lugar, encerrar o dia, arquivar o assunto. Todos têm pressa. Todos, exceto um. O Evangelho diz pouquíssimo sobre ele. E, no entanto, não consigo esquecê-lo. Chama-se José de Arimateia.

Ele chega quando tudo parece perdido. Não pode salvar Jesus, não pode poupá-lo da cruz, não pode mudar o veredito. Pode fazer apenas uma coisa: pedir o corpo.

É uma das passagens mais comoventes do Evangelho. Para Pilatos, há agora apenas um corpo a ser devolvido. Para José de Arimateia, ainda é Jesus. Aqui o Evangelho se torna camponês. Deixa de falar de ideias e fala de mãos, de um lençol comprado às pressas, de um corpo que é preciso tirar da madeira, de sangue coagulado, de espinhos, de peso. Um homem morto sempre pesa mais que um homem vivo. Ele não te ajuda; pelo contrário, cai sobre você e você precisa sustentar sua cabeça, seus braços, suas pernas. Precisa carregar também toda a sua humilhação. José sabe disso. E, no entanto, não recua.

Muitas vezes me perguntei por que os evangelistas contam esses detalhes. Bastava escrever: "Eles o sepultaram". Teria sido suficiente. Em vez disso, contam sobre o lençol, a pedra, o sepulcro. Porque o cristianismo nunca teve medo dos corpos. Nós sim: preferimos chamá-los de restos, despojos, cadáveres. O Evangelho continua obstinadamente a dizer: Jesus. Mesmo quando ele está morto. Jesus nunca se tornou apenas um cadáver. E é então que, lembrando-me de José de Arimateia, penso ter compreendido o programa de Lampedusa.

Leão XIV não começa pelo cais, pela multidão. E não começa nem mesmo pelo altar. Começa por um cemitério. Não porque ali haja simplesmente mortos, mas porque ali ainda há pessoas. Pessoas que o mar não conseguiu apagar de todo e que a Igreja se recusa a entregar à última violência: a do anonimato.

Talvez seja exatamente esta a obra de misericórdia que esquecemos. Pensamos que sepultar os mortos signifique apenas cavar uma cova para eles. Trata-se, a meu ver, de algo muito maior. Significa rebelar-se contra a última violência, aquela que transforma uma pessoa em um caso, em um número, em um argumento, em uma categoria. Nós dizemos: migrantes. O Evangelho não consegue falar assim: ele diz Bartimeu, diz Zaqueu, diz Maria.

Não é este o motivo da visita de Leão XIV ao cemitério de Lampedusa? O Papa vai para se deter, em silêncio, diante de homens e mulheres que o mundo corre o risco de lembrar apenas com uma palavra: migrantes. A Igreja, que sequer conhece o nome deles, continua obstinadamente a procurá-lo.

Continuarei a parar nos cemitérios. Continuarei a perder tempo diante daquelas imagens desbotadas de crianças com a roupa de festa. Porque um dia o meu nome também estará gravado sobre uma pedra. Como o seu. E passará alguém; talvez passe reto, talvez pare um momento para ler. Gosto de pensar que será então, nesse pequenino gesto, que o Evangelho recomeçará do zero. Espero sempre que, um dia, Deus pronuncie o meu nome com a mesma obstinação com que eu, algumas vezes, tentei ler o dos outros.

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