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O Papa em Pavia: a razão humana não se fecha na lógica do lucro ou do domínio

No encontro com os cidadãos na Praça da Vitória, em Pavia, norte da Itália, na tarde deste sábado, 20 de junho, o Santo Padre iniciou seu discurso exaltando a beleza da cidade, que repr...

O Papa em Pavia: a razão humana não se fecha na lógica do lucro ou do domínio

No encontro com os cidadãos na Praça da Vitória, em Pavia, norte da Itália, na tarde deste sábado, 20 de junho, o Santo Padre iniciou seu discurso exaltando a beleza da cidade, que representa uma preciosa herança de um passado, que se torna compromisso para o presente. A cidade, de fato, é um dom e um dever para os que nela vivem, que se refletem nesta praça, com seus edifícios e pedras circunstantes.

Com efeito, o Papa se referiu aos monumentos, não apenas antigos, mas tudo o que circunda a população, tão significativos, que dão testemunho da hospitalidade, educação e cultura locais, fundamentos da Constituição Italiana.

Ao caminhar pelo centro histórico de Pavia - disse o Papa -, as ruas e praças exalam uma beleza impregnada de história, não superficial. O nome cidade ou “civitas” em latim, indica não apenas um lugar, mas também uma condição humana e explicou:

“A cidade, para todos, é única, singular e plural. As pessoas que a habitam constituem uma sociedade, ou seja, um organismo, que deve ser bem ordenado em suas relações e leis. Ser social significa ser solidário, comportar-se como verdadeiros sócios: motivados pelo bem comum e não por interesses partidários. Cidadãos são sempre concidadãos!”

O povo – disse o Pontífice - é responsável pelo espaço público, diante dos desafios atuais. E perguntou: “O que fortalece e corrói nossos lares? O que estabiliza e o que prejudica nossa sociedade?” Quando a indiferença parece desintegrar nossa comunidade, devemos renovar a participação ativa de todos na vida da cidade. Diante das formas de degradação e analfabetismo cívico, somos chamados a compartilhar linguagens de dedicação e serviço, que preservem praças, parques e ruas, como pontos de encontro por excelência. Essa boa cidadania sabe cultivar a harmonia por meio do diálogo e dos encontros construtivos entre as pessoas e culturas, que dão vida a Pavia.

A seguir, Leão XIV exortou os cidadãos de Pavia a dar mais valor à cidade, a preocupar-se com a saúde dos que os rodeiam e com a beleza do lugar onde vivo; a preocupar-se com a qualidade de vida nos ambientes de trabalho, com a harmonia da natureza e o cultivo da terra. Aqui, o Pontífice recordou a ilustre tradição acadêmica de Pavia e sua famosa universidade, que acolhe jovens estudantes:

“Neste centro cultural, eles experimentam não uma aglomeração de conhecimentos, mas um sistema capaz de moldar indivíduos, sem especular sobre o seu trabalho. Promover as ciências, de fato, significa promover a humanidade, que deve sempre permanecer protagonista da sua pesquisa”.

Nesta perspectiva, toda forma de conhecimento corresponde a uma forma de cuidado, como a ciência médica cuida do corpo humano, a jurisprudência cuida do corpo social e a filosofia considera o pensamento, do qual a humanidade desenvolve todas as suas artes. Tudo o que aprendemos nos ajuda a compreender a nós mesmos e nos leva a questionar sobre a nossa existência, sedentos de verdade e justiça. Esta sede preencheu a alma de Santo Agostinho, exemplo de inquietação saudável. Sua figura, ao mesmo tempo, incorpora o árduo e constante diálogo entre fé e razão. Enfim, o Pontífice afirmou:

“Não se pode acreditar sem pensar; tampouco é possível iluminar as questões mais elevadas da razão sem a fé. Com essa abertura confiante, a razão humana não se fecha na lógica do lucro ou do domínio, mas descobre novas formas de cuidar de si mesma e do mundo. A nossa fé nos lembra que não somos sujeitos a um destino anônimo, mas sustenta a certeza de que Deus é o Criador e Salvador da vida”.

O Santo Padre concluiu seu discurso à população de Pavia referindo-se à Igreja, que funciona como um seio materno, que acolhe a todos e gera uma nova humanidade. Esta instituição mais antiga da cidade é chamada a evangelizar como uma lareira de fé e de caridade a serviço dos mais jovens, pobres, solitários e idosos. Enfim, honrem sempre a dignidade de cada vida humana!

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