A aposentadoria do serviço ativo não apagou o espírito missionário de muitos missionários que serviram com dedicação por mais de cinco décadas de suas vidas na Papua Nova Guiné. Embora a idade e problemas de saúde os tenham forçado a retornar aos seus países de origem na Europa, seus corações permanecem firmemente enraizados nas comunidades que serviram, comunidades onde muitos deles teriam adorado permanecer e ser sepultados na terra a que se dedicaram. A Papua Nova Guiné possui diversas culturas, com mais de 800 idiomas e tradições vibrantes, mas muitas comunidades remotas enfrentam desafios no acesso a saúde, educação, infraestrutura e serviços governamentais. Nessas áreas, igrejas e missionários são frequentemente os principais provedores de educação, assistência médica e apoio comunitário.
O Pe. Christian Sieland, Diretor Nacional das Obras Missionárias Pontifícias na Papua Nova Guiné, visitou recentemente membros da Sociedade do Verbo Divino (SVD) e das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) que vivem em casas de repouso na Holanda e na Alemanha. Segundo a agência de notícias pontifícia Fides, a maioria dos missionários visitados tem agora entre 85 e 95. Entre eles estava o Bispo Emérito Henk Te Maarssen, SVD, que passou quase sessenta anos servindo a Igreja na Papua Nova Guiné. Os missionários da SVD desempenharam um papel fundamental na evangelização da Papua Nova Guiné (PNG) após chegarem a Madang, em 1896. "O que me impressionou nos missionários da SVD", recorda o Pe. Sieland, "é que nenhum deles se arrepende de ter se tornado missionário. Se tivessem outra oportunidade, fariam exatamente a mesma escolha." Construtores da Igreja e da nação
Esses missionários recordam a Papua Nova Guiné com gratidão e carinho, e não com foco nas dificuldades que enfrentaram no início da missão. Suas conversas são repletas de histórias sobre as pessoas que acompanharam, as amizades que construíram e as comunidades de fé que cultivaram.
O Pe. Sieland observou que a contribuição deles foi além da evangelização. Ao difundirem o Evangelho, lançaram as bases para escolas, hospitais, paróquias e instituições sociais que ajudaram a moldar a Papua-Nova Guiné moderna; e, apesar dessas conquistas, a humildade é exemplar. O Pe. Sieland ressaltou: "Eles nunca falavam com orgulho sobre o que haviam realizado, pois tudo o que faziam era para a glória de Deus".
Os missionários pioneiros mergulharam profundamente na cultura local. Chegaram nas décadas de 1950 e 1960, aprenderam as línguas locais, viveram entre o povo, abraçaram seu modo de vida e buscaram compreender suas tradições antes de pregar o Evangelho. "Eles não descartaram os costumes indígenas, mas reconheceram os valores já presentes neles", comentou o Pe. Sieland, "distinguindo cuidadosamente as práticas culturais que refletiam os valores do Evangelho daquelas que exigiam transformação pela fé". Alguns missionários elaboraram dicionários e gramáticas de línguas que, até então, existiam apenas na forma oral, preservando um patrimônio cultural inestimável.
Esses missionários serviram em aldeias remotas, sem estradas, instalações modernas ou confortos básicos, com perseverança e simplicidade. A convivência com as comunidades locais ensinou-lhes que a riqueza material não define o florescimento humano. "Eles descobriram um povo profundamente ligado à sua terra, à sua cultura e à vida comunitária, onde muitos valores do Evangelho já estavam presentes muito antes da chegada do cristianismo", disse o Pe. Sieland. Ele descreve essa experiência transformadora como ter sido "infectado pelo vírus da Nova Guiné", um amor profundo pelo povo que muda permanentemente o coração do missionário.
"O testemunho desses missionários idosos permanece extremamente relevante, à medida que a Igreja depende cada vez mais da liderança local", comentou o Pe. Sieland.
O Padre Sieland disse: "Sinto que esse espírito missionário inicial às vezes falta em muitos dos novos missionários que chegam hoje, em grande parte porque a maior parte do trabalho de base já foi realizada". Os missionários modernos continuam a edificar sobre os fundamentos estabelecidos por esses pioneiros, mas o zelo e a energia genuínos daqueles primeiros missionários eram algo absolutamente singular. Ele incentivou os jovens missionários e sacerdotes a se aproximarem de cada cultura com abertura, respeito e disposição para aprender. A evangelização autêntica não começa com a imposição da própria cultura, mas com a descoberta da presença de Deus já atuante na vida das pessoas a quem servem. Para o Padre Sieland, a vida desses missionários aposentados recorda que o maior legado missionário não se mede por edifícios ou estatísticas, mas por vidas marcadas pelo serviço humilde, pelo amor perseverante e por um Evangelho vivido com autenticidade. O testemunho deles continua a inspirar a Igreja a abraçar uma missão caracterizada pelo respeito, pela inculturação e pela dedicação altruísta ao povo de Deus.
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