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Migrantes continuam a chegar a Ceuta vindos a nado do Marrocos

Stefano Leszczynski, Silvonei José – Vatican News O enclave espanhol de Ceuta, na costa norte do Marrocos, volta a ser o centro da pressão migratória. Após alguns dias de chegadas contí...

Migrantes continuam a chegar a Ceuta vindos a nado do Marrocos

Stefano Leszczynski, Silvonei José – Vatican News

O enclave espanhol de Ceuta, na costa norte do Marrocos, volta a ser o centro da pressão migratória. Após alguns dias de chegadas contínuas, somente nesta quinta-feira (30/07), centenas de pessoas cruzaram a fronteira, somando-se aos cerca de 1.500 a 2.000 migrantes que já haviam chegado nos dias anteriores. Trata-se do maior afluxo registrado na cidade autônoma desde maio de 2021, quando mais de 10.000 pessoas chegaram ao território espanhol em apenas dois dias. Entretanto, a Guarda Civil informou que o número de corpos de migrantes mortos na tentativa de alcançar a nado o território espanhol e recuperados no mar subiu para 18.

Centenas de jovens migrantes, muitos deles menores de idade, passaram a noite em parques da cidade, em gramados ou na entrada de estacionamentos públicos, transformando a cidade autônoma em um dormitório a céu aberto, com o sistema de acolhimento à beira do colapso.

Também no amanhecer desta sexta-feira (31/07), dezenas de pessoas continuaram a se lançar ao mar para chegar a nado ao enclave, enquanto por terra colunas de migrantes tentam cruzar a fronteira na zona industrial do Tarajal, segundo as imagens transmitidas ao vivo pela emissora TVE.

Depois de mobilizar unidades do Exército para lidar com a emergência, O primeiro-ministro Pedro Sánchez, estará nesta sexta-feira na cidade autônoma, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Muitos migrantes chegaram a Ceuta a nado ou usando colchões infláveis, enquanto outros passaram pelo posto de fronteira. Muitos comemoraram a chegada com manifestações de alegria, saudando a Espanha como destino de uma longa jornada na esperança de um futuro melhor.

A nova onda de chegadas colocou rapidamente sob pressão as estruturas de acolhimento. O presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, falou de uma situação de “absoluta emergência humanitária e social”, explicando que os centros destinados aos migrantes já estão superlotados. Segundo as autoridades locais, nos últimos dias mais de 1.500 pessoas desembarcaram por via marítima, com uma média de cerca de 200 chegadas diárias. Entre elas, há também vários menores. Enquanto isso, centenas de outras pessoas se reuniram na vizinha cidade marroquina de Fnideq, tentando chegar a Ceuta por mar ou escalando a barreira da fronteira. De acordo com alguns depoimentos coletados no local, a concentração de migrantes teria sido favorecida pela disseminação de boatos sobre a abertura da fronteira.

Ceuta, juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. É justamente essa localização que a torna um dos principais pontos de tensão ao longo das rotas migratórias rumo à Europa. A última grande crise remonta a 2021, em pleno período de tensões diplomáticas entre a Espanha e o Marrocos sobre a questão do Saara Ocidental. Desde então, as relações bilaterais foram progressivamente restabelecidas, mas as novas chegadas mostram o quanto a gestão dos fluxos migratórios continua sendo um desafio em aberto, no qual se entrelaçam as necessidades de segurança, cooperação internacional e proteção das pessoas mais vulneráveis.

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