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Magnifica humanitas: preservar a centralidade da pessoa

A sociedade acompanhou recentemente a publicação da primeira Encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica humanitas: sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Nes...

Magnifica humanitas: preservar a centralidade da pessoa

A sociedade acompanhou recentemente a publicação da primeira Encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica humanitas: sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Nesta breve reflexão, destacamos três aspectos centrais do documento: a Doutrina Social da Igreja, o conceito de técnica e de inteligência artificial e a dignidade da pessoa humana na era digital.

Em primeiro lugar, a Encíclica retoma o desenvolvimento da Doutrina Social da Igreja, tendo como marco inicial a Rerum Novarum, do Papa Leão XIII (1891), e chegando às Encíclicas Laudato si’ (2015) e Fratelli tutti (2020), do Papa Francisco. Ao longo desse percurso, evidencia-se o esforço da Igreja em atualizar o anúncio do Evangelho diante das transformações sociais, iluminando os desafios contemporâneos à luz da fé e do respeito à dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, a Doutrina Social da Igreja busca promover e salvaguardar a dignidade e os direitos da pessoa humana, sobretudo na era digital, a partir da Encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV.

Em segundo lugar, a encíclica aborda o conceito de técnica e sua relação com a inteligência artificial. O documento reconhece o valor do progresso tecnológico, desde que esteja a serviço da vida e da dignidade humana. Nesse contexto, destaca que o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial exigem discernimento ético e responsabilidade social. Como afirma o texto, “não é possível dar uma definição unívoca e completa da IA. O que podemos afirmar é que se evite o equívoco de equiparar essa ‘inteligência’ à humana” (n. 99). A encíclica recorda ainda que as inteligências artificiais “não possuem um corpo, não passam pela alegria e pela dor. Nem sequer possuem uma consciência moral” (n. 99). Por isso, sua utilização deve ser orientada por princípios éticos que preservem a centralidade da pessoa.

Por fim, a encíclica reafirma que a pessoa humana continua sendo “a via da Igreja”. Diante dos desafios da era digital, o Papa Leão XIV defende a dignidade ontológica de cada ser humano, recordando que essa dignidade é inerente à pessoa e independe dos avanços tecnológicos. Assim, reafirma um princípio fundamental da Doutrina Social da Igreja: a pessoa humana “é um fim e não um meio” (n. 152), devendo permanecer no centro de toda inovação científica e tecnológica.

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