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Luís Cabral - Uma figura dedicada à África e à libertação africana

Se estivesse vivo, o combatente e primeiro Presidente da Guiné-Bissau independente, Luís Cabral, teria completado no passado dia 11 de abril 95 anos. Infelizmente, faleceu aos 78 anos...

Luís Cabral - Uma figura dedicada à África e à libertação africana

Se estivesse vivo, o combatente e primeiro Presidente da Guiné-Bissau independente, Luís Cabral, teria completado no passado dia 11 de abril 95 anos. Infelizmente, faleceu aos 78 anos, a 30 de maio de 2009. E foi precisamente a data de 30 de maio deste ano, em coincidência com os 70 anos do PAICG, de que ele foi co-fundador, que, em Lisboa, foi-lhe feita uma homenagem. A iniciativa foi do sector do bairro Amadora desse histórico partido. Homenagem desde há muito esperada pela família e pelos apreciadores da participação de Luís Cabral na gesta libertária e na reconstrução da Guiné-Bissau, de que foi Chefe de Estado entre 1973 a 1980. A homenagem contou com oradores de relevo como o Comandante Pedro Pires, o historiador Julião de Sousa e artistas como o cineasta Flora Gomes, entre outros.  

A Luís Cabral, a Rádio Vaticano dedicou o programa semanal "África em Clave Cultural: personagens e eventos" de 4 de Junho de 2026. Nessa ocasião, em entrevistamos, a filha, Djamila Cabral, médica aposentada que se dedica, juntamente com outros familiares, à defesa e promoção da memória dessa figura da luta de libertação. Ela exprimiu satisfação por essa homenagem, há muito esperada,  ter vindo particularmente da camada jovem. Djamila Cabral fala também de Luís Cabral como pai e como político que transmitiu aos filhos o amor pela Guiné-Bissau e pela causa da libertação e do desenvolvimento do país. "O Partido marcou a sua forma de viver" - disse.  Não falta uma referência ao relacionamento com Cabo Verde e pela constante participação, particularmente do Comandante Pedro Pires, companheiro de luta de Luís Cabral, nas homenagens e encontros promovidos pela família em recordação do primeiro Presidente da Guiné-Bissau independente.  Djamila considera que esta homenagem abre portas para uma verdadeira valorização e estudo da atuação e atitude de Luís Cabral como combatente e estadista. Siga a entrevista para saber mais. 

Por seu lado, o historiador guineense, Julião de Sousa, estudioso dos movimentos de libertação e autor duma importante obra biográfica sobre Amílcar Cabral, descreve brevemente,  os cargos que ocupou e a sua importância. Considera que essa homenagem mercerida, chegou tarde, mas faz sentido em relação a esse homem generoso e que, entre outros trunfos da sua governação, garantiu fronteiras estáveis à Guiné-Bissau, que em dados momentos se viram ameaçadas. Instado a falar sobre em que aspeto Luís Cabral terá errado ao ponto de justificar um golpe de Estado contra ele, Julião de Sousa esboça algumas explicações que se podem ouvir na entrevista. 

A crónica do editor, poeta e ensaísta, Filinto Elísio, parceiro no programa "África em Clave Cultural: personagens e eventos", ajuda um pouco mais a compreender o percurso de vida de Luís Cabral, que ele define "uma figura dedicada à África e à libertação africana".  Leia em baixo: 

Luís Cabral: Uma figura dedicada à África e à libertação africana

No passado dia 30 de maio, a comunidade bissau-guineense em Lisboa, mobilizada pelo PAIGC Amadora, compareceu à Faculdade de Direito de Lisboa para homenagear Luís Cabral, Combatente da Pátria e primeiro Presidente da República da Guiné-Bissau. Esta cerimónia de homenagem, enquadra-se na celebração dos 70 anos do PAIGC.

Luís Severino de Almeida Cabral nasceu a 11 de abril de 1931, na cidade de Bissau. Fez os seus estudos primários e secundários em Cabo Verde, sempre muito ligado ao irmão mais velho, Amílcar Cabral. Na Guiné-Bissau, trabalhou na Casa Gouveia.

Segundo a narrativa oficial do PAIGC, esse partido foi fundado a 19 de setembro de 1956 por um grupo de alguns nacionalistas bissau-guineenses e cabo-verdianos, nomeadamente Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, Elysée Turpin, Júlio de Almeida e Fernando Fortes, entre outros que a história resolveu esquecer, como Rafael Barbosa ou Abílio Duarte.

Forçado a deixar Bissau, na sequência da repressão desencadeada pela PIDE, após o massacre no Porto de Pidjiguiti, em 1959, participou na preparação da luta armada. Em 1963, ano do início da Luta Armada de Libertação Nacional, Luís Cabral, que era contabilista de formação, era nomeado para o Comité de Luta, dois anos depois de ter fundado, em Conacri, a União Geral dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), ainda hoje a principal central sindical do país.

Em 1971, foi eleito para o secretariado permanente do Comité Executivo da Luta, com a responsabilidade de reconstruir as "zonas libertadas" pelo PAIGC e também eleito deputado à Assembleia Nacional Popular, ainda com a responsabilidade da direção da luta na Frente Norte.

Após o assassinato do irmão, Amílcar Cabral, em Conacri, a 20 de janeiro de 1973, o secretariado do PAIGC foi confiado a Aristides Pereira. Em julho desse ano, no segundo Congresso do PAIGC, Luís Cabral foi eleito secretário-geral adjunto, tornando-se a segunda figura do movimento.

Posteriormente, é alcandorado ao cargo de Presidente do Conselho de Estado da República da Guiné-Bissau, aquando da proclamação unilateral da Independência, no dia 24 de setembro de 1973, em Madina do Boé. Portugal só veria a reconhecer oficialmente o Estado da Guiné-Bissau, a 10 de Setembro de 1974, na sequência da Revolução dos Cravos, a 25 de abril de 1974.

Há unanimidade em considerar o mandato presidencial de Luís Cabral como o período mais promissor do País. Na Presidência, Luís Cabral tentou levar a cabo um programa de desenvolvimento e reconstrução nacional.

Ocupou a Presidência da Guiné-Bissau entre 1973 e 14 de Novembro de 1980, quando foi deposto por um golpe de Estado liderado por Nino Vieira. Foi então preso e detido durante 13 meses, sendo depois exilado em Cuba, onde esteve entre 1981 e 1983, tendo finalmente fixado residência em Portugal, na sequência de diligências do então Presidente da República Ramalho Eanes e do Primeiro-Ministro Mário de Soares.

No seu livro Crónica da Libertação, inicialmente editado em 1984 e reeditado pela Rosa de Porcelana Editora em 2024, Luís Cabral narra a luta pela independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde, sendo uma das obras de referência sobre a gesta da libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde e para a compreensão do processo histórico destes dois países africanos.

Foi ocasião para passar em revista a sua biografia, na homenagem em Lisboa, como uma das personagens mais marcantes da África Contemporânea e que, como estadista, lançou as bases económicas e sociais para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Ao longo da sua vida política, Luís Cabral, na linha de seu irmão Amílcar Cabral, foi uma figura dedicada à África e à Libertação africana. Faleceu em Portugal, a 30 de maio de 2009, após doença prolongada.

Para o antigo Presidente da República Portuguesa, Ramalho Eanes, “era homem de uma visão progressista, que não só contribuiu para a independência da Guiné-Bissau e Cabo-Verde, mas de toda a África, que de uma maneira geral deixou marcas para a geração vindoura”.

https://www.vaticannews.va/pt/podcast/africa-em-clave-cultural-personagens-e-eventos/2026/06/africa-em-clave-cultural-personagens-e-eventos-04-06-2026.html

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