O segundo congresso de liturgistas africanos foi realizado de 3 a 8 de agosto de 2026, no Centro Kurasini, em Dar es Salaam, sede da Conferência Episcopal da Tanzânia. Durante cinco dias, 120 liturgistas de 11 países africanos refletiram sobre o tema: “Inculturação Litúrgica na África: prática e perspectivas”.
A inculturação litúrgica, explicaram, é “a arte de celebrar os sagrados mistérios utilizando expressões culturais autênticas e necessárias que tenham valor e propósito litúrgicos, estejam em harmonia com o Evangelho e sejam aprovadas pela Igreja, para que os fiéis possam encontrar Cristo mais profundamente dentro de seu contexto cultural”. A partir de suas reflexões, os participantes do congresso contribuíram com ideias sobre canto e dança litúrgicos, bem como sobre arquitetura.
Assim, à luz dos desvios observados na execução dos hinos, "os delegados fizeram um apelo a um reorientamento dos textos e composições para a mensagem do Evangelho, com o uso e a valorização dos instrumentos locais".
Em relação à dança, reconheceram que, na cultura africana, o canto é incompleto sem o movimento rítmico do corpo.
Portanto, "parece óbvio e natural que os cristãos africanos expressem sua gratidão a Deus em todos os momentos e lugares, em diversas circunstâncias, com cânticos acompanhados de ritmo". Consequentemente, para os liturgistas africanos, "é possível integrar música, canto e dança à liturgia sem introduzir elementos que profanem a sacralidade do ato litúrgico".
Os liturgistas africanos também enfatizaram que "canções e danças seculares não são permitidas em cerimônias religiosas tradicionais". "Não se trata de sufocar o espírito de criatividade", mas sim "de guiá-lo para que a música, o canto e a dança permaneçam verdadeiramente a serviço da oração da Igreja", esclareceram.
Para garantir que o canto e a dança permaneçam verdadeiramente a serviço da oração da Igreja, os participantes do congresso de Dar es Salaam enfatizaram a necessidade de proporcionar aos profissionais da liturgia formação doutrinária, litúrgica, técnica e musical, e de revitalizar os centros de formação em música sacra. Além disso, sugeriram que “os compositores sejam capacitados para desenvolver um repertório mais equilibrado que leve em consideração os outros sacramentos, os sacramentais, a Palavra de Deus e a Liturgia das Horas”. “Esta última é bastante negligenciada, tanto nas traduções quanto nas composições musicais”, observaram ainda os participantes do congresso.
Para alcançar um melhor desempenho desses atores na liturgia, a Associação de Liturgistas Africanos recomenda que "as Conferências Episcopais, ao promoverem a música e o canto tradicionais (cf. SC 119), tenham o cuidado de discernir e admitir no culto divino as expressões musicais, corais e coreográficas que estejam de acordo com a dignidade do templo e que realmente promovam a edificação dos fiéis".
Sobre o tema da arquitetura, “dada a lacuna em termos de investigação específica no campo litúrgico”, os participantes do congresso recomendam “que a construção da igreja possa transmitir uma mensagem que combine fé e cultura”. “Deveria ser um lugar mais revelador e edificante do que uma simples sala de reuniões de oração.” Daí a necessidade de formar os diversos atores da arquitetura, da arte sacra, da liturgia e da pastoral.
Para conseguir isso, os liturgistas africanos convidam as Conferências Episcopais, neste caso o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SEEAM), a promover a criação de um instituto litúrgico para África como um lugar de aprofundamento da liturgia da Igreja Católica, com campos de investigação a partir da rica tradição de África.
Membro do Congresso dos Liturgistas Africanos em Dar es Salaam, o Rev. Henri Chiza, é reitor da Universidade Católica Sapienza de Goma, na República Democrática do Congo. Ele teve o prazer de participar “neste grande momento de partilha de experiências sobre os valores e a dignidade da nossa fé”. Por meio deste congresso, o vigário geral da Diocese de Goma acredita que “a Igreja em África deve expressar verdadeiramente os seus valores em termos de teólogos e liturgistas para dar o seu contributo para a inculturação a nível africano e a nível da Igreja universal”.
O padre Alain Pierre Yao, da Costa do Marfim, acredita que, “embora tenha havido progresso na inculturação na África, ainda há muito a ser feito para vivermos melhor a nossa fé”. Para o reitor do Seminário Maior Notre Dame de Guessihio, em Gagnoa, Costa do Marfim, e também membro da Comissão Nacional de Liturgia, este encontro em Dar es Salaam foi um verdadeiro catalisador para os delegados. “Não saímos deste congresso com decisões, mas com ideias”, declarou. Ideias que pretende partilhar com todos os envolvidos na liturgia dentro da Igreja Católica na Costa do Marfim.
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