Igreja no Mundo

Gugerotti: cristãos do Oriente correm risco de desaparecer. esperança está na unidade

Uma “palingenesia”, isto é, um renascimento que una o Oriente e o Ocidente cristãos, é necessária para fazer renascer a esperança, sobretudo diante do risco de extinção, das ameaças e d...

Gugerotti: cristãos do Oriente correm risco de desaparecer. esperança está na unidade

Uma “palingenesia”, isto é, um renascimento que una o Oriente e o Ocidente cristãos, é necessária para fazer renascer a esperança, sobretudo diante do risco de extinção, das ameaças e da violência que não permitem vislumbrar uma saída. Foi o que destacou o cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, em sua intervenção no Meeting de Rimini, no último dia 24 de agosto. Para o cardeal, a esperança encontra sua força no Espírito, capaz de gerar “um novo sopro de vida”, que nos faz redescobrir como irmãos, permite que o ecumenismo floresça e restitui a capacidade de sermos criaturas “capazes de Deus”, mesmo em meio aos escombros materiais.

“O cristianismo – destacou o cardeal – é uma realidade plural, que não é apenas a cultura de nossa casa, sobretudo aquela de ontem, porque hoje sua presença aparece mais precária e, às vezes, até mesmo fortemente contestada”. Uma pluralidade que é riqueza na diversidade, “expressão da criatividade do Espírito Santo, que nos transforma em uma sinfonia capaz de enriquecer a sensibilidade de todos nós”. Para o prefeito, “o mundo oriental está hoje no centro da guerra: ela se alastra, destrói e chega até mesmo a colocar orientais contra orientais, católicos contra católicos, ortodoxos contra ortodoxos, ou seja, pessoas que creem no mesmo Senhor, mas para as quais é ainda mais difícil conservar a unidade do corpo de Cristo, que é a Igreja”.

Uma história difícil, iniciada no passado, que hoje continua a ser escrita com a tinta da violência. “Irmãos e irmãs ortodoxos estão ameaçados de extinção e fogem em grande parte de suas terras de origem, tão impregnadas dos próprios passos de Cristo, para buscar segurança em outros lugares, porque – acrescentou Gugerotti – sentem-se fortemente ameaçados depois de terem visto os massacres cometidos pelo Estado Islâmico ou experimentado os bombardeios e a violência sem limites de guerras que não conhecem tempo, porque não têm outro objetivo senão colocar nacionalismos em confronto ou obedecer à lógica dos poucos mercadores que dominam o mundo”. Um contexto no qual é difícil sobreviver.

Como falar, então, de ecumenismo quando está em jogo a possibilidade de permanecer vivo e quando algumas Igrejas ortodoxas estão violentamente em conflito entre si? Essa foi a pergunta apresentada pelo cardeal, que destacou que “a essencialidade na busca pela sobrevivência limpará o rosto da Igreja tanto do consumismo quanto do risco de um irenismo fácil”. Ser uma só coisa significa também questionar o sentido de exclusividade que os ocidentais frequentemente denunciam em relação aos orientais, contrapondo-se ao mundo do consumo, que muitas vezes nos transforma em “feras em nossas reações violentas dentro de nossas próprias casas, habitadas por homens das cavernas, que se esfaqueiam por qualquer coisa”. Daí a necessidade de uma esperança no Espírito que nos regenere.

“A guerra nunca é um bem – acrescentou Gugerotti –, mas a falsa paz, quando já não é paz, e sim triunfo da opressão e da ideologia, de uma moral identitária que nos faz sentir um povo privilegiado mais do que cristãos coerentes, pode esconder, ela própria, perigos mortais para a vida espiritual”.

“Neste momento preciso – ressaltou –, em que não sabemos o que os poderosos da terra poderão inventar de um dia para o outro, em que a comunicação está a serviço do efeito e, sobretudo, das oscilações dos mercados, astutamente antecipadas e, portanto, exploradas em benefício próprio, o Espírito promoverá um resultado purificador também sobre o cansaço do nosso cristianismo”.

A paz, afirmou o cardeal, pode começar imediatamente, sem esperar tratados ou resoluções políticas, no silêncio e na oração, por exemplo, dos Padres do Oriente. “Todo ecumenismo, mas também todo respeito e até mesmo todo gosto pela variedade, nasce desse movimento da alma, inesperado e misterioso, que nos liberta – concluiu o prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais – de nos determos nos detalhes marginais que colocamos no centro da vida e nos restitui a capacidade de sermos criaturas ‘capazes de Deus’, mesmo em meio aos escombros materiais”.

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