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Gallagher: que a Igreja na Rússia seja construtora de pontes

Ao se reunir com o clero, os religiosos e as religiosas da comunidade católica da Federação Russa, o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Or...

Gallagher: que a Igreja na Rússia seja construtora de pontes

Ao se reunir com o clero, os religiosos e as religiosas da comunidade católica da Federação Russa, o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais da Santa Sé, expressou sua gratidão pela fidelidade com que é realizado o serviço pastoral, educacional e caritativo “muitas vezes em condições não fáceis”, bem como pelo empenho dedicado à promoção da comunhão eclesial e do diálogo com os demais cristãos.

Recebido em um clima de profundo carinho e solidariedade, dom Gallagher iniciou seu discurso transmitindo a “saudação afetuosa do Papa Leão XIV” a toda a comunidade de sacerdotes e consagrados. Recordando o chamado comum à santidade por meio do Batismo, “que o Concílio Vaticano II colocou com veemência no centro da vida da Igreja”, o alto prelado lembrou que, por meio da vocação de cada um, o chamado à santidade se expressa na plenitude da caridade “à qual todos são chamados”. A Igreja cresce e se edifica sobre testemunhas autênticas, disse Gallagher, lembrando que “a vocês é confiada uma responsabilidade especial de tornar visível, com a vida, o Evangelho que anunciam”. “Onde reinam a comunhão e a unidade – destacou o arcebispo – o testemunho se torna credível e fecundo”.

Ao abordar o tema da importância do empenho pastoral dos religiosos e consagrados, dom Gallagher lembrou o convite feito pelo Papa Francisco em Assis para “caminhar com o povo ‘às vezes à frente, às vezes no meio e às vezes atrás’ – à frente para guiar, no meio para apoiar, atrás para não deixar ninguém para trás; mas, acima de tudo, caminhar juntos, ajudar-se mutuamente, saber pedir perdão e perdoar”.

O compromisso da Igreja se concretiza também na construção de caminhos de diálogo “com as outras Igrejas e comunidades eclesiais cristãs, com as outras religiões, com aqueles que não compartilham do nosso caminho”. Referindo-se à encíclica Magnifica humanitas de Leão XIV e ao lema por ele escolhido, In Illo uno unum, dom Gallagher destacou que o diálogo deve ocorrer sem renunciar “à própria identidade, mas abrindo-se com respeito à verdade e aos dons presentes no outro”.

A Igreja é, por fim, chamada a ser artífice da paz e construtora de pontes. Uma missão que o próprio Papa Leão quis confiar-lhe no início de seu pontificado, “falando de ‘paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante’. Construir uma ponte significa reconhecer a distância entre duas margens — a divisão, o ódio, a incompreensão — e recusar que ela seja insuperável”, disse dom Gallagher antes de pedir a intercessão da Mãe de Deus, padroeira da Arquidiocese, “para que ela nos conceda contribuir para a construção de um mundo em que reinem o amor, a justiça e a paz”.

Ao final do encontro com o clero e os religiosos e religiosas, Gallagher presidiu, na catedral de Moscou dedicada à Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, uma missa solene com os bispos católicos do país. Na catedral lotada de fiéis, juntamente com o núncio, dom Giovanni d’Aniello, e o conselheiro da Nunciatura, monsenhor Mislav Hodzic, concelebraram dom Joseph Werth, o administrador apostólico e dom Nikolai Dubinin.

Em um clima de grande recolhimento e emoção, dom Gallagher iniciou sua homilia transmitindo o incentivo do Papa “para continuar, com cada vez mais ímpeto, o caminho da fé” da comunidade católica na Federação Russa. Em seguida, ele voltou ao tema da construção da paz: “aqui com vocês, nesta celebração solene — disse o prelado —, está representada a Igreja universal: viemos de países, culturas e histórias diferentes, estamos reunidos aqui, no coração de Moscou, como uma única família unida pela mesma fé em Deus”.

“Viver o Evangelho – acrescentou dom Gallagher em sua homilia – significa também caminhar juntos pelo bem comum, seguindo o caminho principal do diálogo e da paz”. O diálogo autêntico, reiterou ele, lembrando o diálogo de Jesus com a samaritana junto ao poço, “nunca é um compromisso que anula a própria identidade, mas um encontro de corações”. No Evangelho está o impulso para buscar incansavelmente o que nos une: “nossa colaboração social, o serviço aos pobres, aos doentes, aos perdidos e aos que sofrem não conhece fronteiras confessionais”. Assim se concretiza também o convite do Papa Leão XIV “para nos tornarmos verdadeiros artesãos da paz no dia a dia”, construindo “pontes de diálogo e compreensão, desarmando os corações e curando as feridas com a proximidade, o perdão e a gentileza”.

O encontro de dom Paul Richard Gallagher com os bispos prosseguiu, por fim, por meio de um ágape fraterno oferecido em sua homenagem nas instalações da Cúria arquidiocesana. Ao final do evento, o prelado exortou os bispos a continuarem, com ímpeto sempre renovado, sua missão pastoral.

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