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FLMS - Uma movida cultural a partir de Cabo Verde

A importância do FLMS para Cabo Verde e para a África em geral, assim como a variedade e excelência de intervenientes que cada ano leva ao Sal, estimulou o programa "África em Clav...

FLMS - Uma movida cultural a partir de Cabo Verde

A importância do FLMS para Cabo Verde e para a África em geral, assim como a variedade e excelência de intervenientes que cada ano leva ao Sal, estimulou o programa "África em Clave Cultural: personagens e eventos" a debruçar-se também esta semana sobre essa quermesse cultural. E fê-lo ouvindo o parecer duma participante não diretamente ligada ao mundo literário, mas que tem afinidades com a visão do mundo que o Festival quer veicular. Trata-se de Myriam Tavares, gestora e mestra em liderança para a criação de valores e transmissão de esperança num mundo melhor para todos; fê-lo repercorrendo, igualmente, com o poeta Filinto Elisio, na sua crónica, o perfil deste Festival, que ele vê como uma movida literária para o mundo, a partir de Cabo Verde. 

O Festival de Literatura-Mundo do Sal, criado pelo poeta cabo-verdiano Filinto Elísio, o escritor português José Luís Peixoto, a editora brasileira Márcia Souto e a artista visual portuguesa Patrícia Pinto, é hoje um dos eventos culturais e literários internacionais, realizado anualmente na cidade de Santa Maria, em Cabo Verde.

A organização do certame está a cargo da Rosa de Porcelana Editora e com a Curadoria Científica da Professora Inocência Mata, de São Tomé e Príncipe. O Festival, que é promovido pela Câmara Municipal do Sal, teve, ao longo dos anos, convidados da Alemanha, Angola, Argentina, Brasil, Cabo Verde, Croácia, Colômbia, Cuba, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné-Bissau, Itália, Moçambique, Nigéria, São-Tomé e Príncipe, Senegal, Tailândia e Vietname, entre outros, fazendo de Cabo Verde um grande ponto de encontro literário.

O evento acontece no mês de junho, e atrai dezenas de escritores, investigadores, professores, mediadores e leitores cabo-verdianos e internacionais. Além das mesas científicas e das mesas de reflexões e debates, acontecem nestes 4 dias lançamentos de livros e sessões de autógrafos. A programação inclui também convívios culturais e visitas às escolas da ilha do Sal.

Os objetivos traçados, desde a sua criação em 2017, foram (i) transformar a ilha do Sal numa centralidade literária em Cabo Verde, para além das ilhas de Santiago e de São Vicente; (ii) inscrever Cabo Verde no roteiro dos festivais literários internacionais; e (iii), a partir da literatura-mundo comparada, promover os escritos dos sistemas literários fora do circuito dos cânones ocidentais e esbater os entraves de tradução e de circulação das obras, na premissa de que todas as geografias são literários e todas as literaturas são património da Humanidade.                    

Em 2017, os homenageados foram Corsino Fortes, um dos grandes da poesia cabo-verdiana e primeiro presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, e José Saramago, escritor português de dimensão mundial, até ainda o único Prémio Nobel da Literatura em Língua Portuguesa.

Em 2018, os homenageados foram os escritores Mário Fonseca, um dos poetas que marcou a geração nacionalista, e Jorge Luiz Borges, argentino, um dos maiores poetas do século XX, marcado por uma toada estética arrojada e com referências universais no tempo e no espaço. A 3ª edição do Festival Literatura-Mundo do Sal, realizada em junho de 2019, homenageou a contista e prosadora cabo-verdiana Orlanda Amarílis e o romancista e poeta alemão Goethe.

Depois de dois anos de interregno, devido à pandemia, o Festival retomou a 4ª edição em 2022, com homenagens ao poeta e cientista João Vário (de Cabo Verde) e ao escritor e investigador Amadou Hampâté Bá (do Mali). A 5ª edição, em 2023, o Festival homenageou as figuras de Dulce Almada Duarte, linguista cabo-verdiana, e António Tabucchi, romancista italiano.

A 6ª edição, em 2024, celebrou o Centenário de Amílcar Cabral, Fundador das Pátrias de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, poeta e ensaísta, e fez tributo aos Quinhentos Anos do Poeta Luís Vaz de Camões. Essa edição foi precedida pelo Simpósio Internacional Amílcar Cabral no Sal e em extensão no Simpósio Internacional Amílcar Cabral na Universidade de Sorbonne – Paris. Na 7ª edição, em 2025, celebrou-se no Festival os 50 anos das independências de Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, com trabalhos e homenagens através das gerações literárias dos poetas Agostinho Neto, Onésimo Silveira, Noémia de Sousa e Alda Espírito Santo.

Neste ano de 2026, o FLMSal celebrou a sua 8.ª edição sob o desígnio “Poéticas da Terra” e com homenagens à rainha do cancioneiro cabo-verdiano Nha Nácia Gomi e ao poeta brasileiro Manoel de Barros, respetivamente da oralitura e da literatura, ambos de fecundo campo criativo.

Na 9.ª edição, em 2027, serão homenageados os poetas, Osvaldo Osório, de Cabo Verde, e Conceição Lima de São Tomé e Príncipe.

O Festival de Literatura-Mundo do Sal tornou-se numa ampla e diversa plataforma de fazeres literários, de geografias e cosmologias de escritas e leituras, e de cruzamento de pensamentos e de vozes, capaz de expandir as várias literaturas para novos horizontes. 

Gestora angolana-caboverdiana, Myriam Tavares, empenhada na liderança para a criação de valores, coloca a pessoa humana no centro das suas atividades e sabe quão importante é a cultura na inspiração dos indivíduos e na mudança da sociedade. São aspetos que partilhou com o programa "África em Clave Cultural: personagens e eventos" desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, dedicado à conclusão da 8.ª edição do FLMS.  Católica, ela partilhou, com muito gosto, através da RV, os valores que a norteiam na sua profissão empresarial e teceu reflexões acerca da África de hoje à procura de melhores caminhos para construir uma sociedade capaz de reter os jovens no Continente. Siga a entrevista com ela para melhor compreender as razões que a levaram ao FLMS e a importância que isso teve para ela. Na conversa, ela salienta a intervenção do Presidente da República de Cabo Verde, assim como uma frase de Filomeno Lopes que considerou importante:  

https://www.vaticannews.va/pt/podcast/africa-em-clave-cultural-personagens-e-eventos/2026/06/africa-em-clave-cultural-personagens-e-eventos-25-06-2026.html

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