O documentário romeno narra a vida da figura extraordinária deste "homem de contrastes harmoniosos: um médico que se dedicava a cuidar dos mortos, no hospital de Oneşti; ao mesmo tempo, ele era um sacerdote franciscano consagrado na clandestinidade", como o descreve o franciscano, Padre Silvestro Baejan.
Ambientado na década de 1980, o filme narra as experiências do Padre Benedict, que trabalhou como médico em Răducăneni, Tătăreni, Bacău e, a partir de 1962, também no hospital de Oneşti, até à sua morte. Homem de oração, com um rosário sempre na mão, Benedict não se preocupava apenas com a saúde física de seus pacientes, mas com as suas almas, incentivando-os a rezar e a se confessar; buscava desviar as mulheres da tentação de abortar, dando-lhes conselhos para não interromper a gestação, por causa da pobreza. Benedict não hesitava em oferecer-lhes apoio psicológico, espiritual e material.
Nascido em 31 de julho de 1931, em Galbeni, região de Bacău, Benedict viveu e trabalhou na Romênia durante toda a sua vida. Criado por uma família católica, frequentou a escola primária em sua cidade natal (1938–1945) e, em setembro de 1945, ingressou para o seminário franciscano conventual de Hălăucești, onde estudou por três anos. Com o início da perseguição à Igreja Católica pelo regime comunista (cf. Fides 20/5/2023), foi obrigado a deixar o seminário para concluir o ensino médio em Bacău e ingressar na faculdade de Medicina da Universidade de Iași, em 1951, onde se formou em 1957.
Em 1972, após uma grave doença e uma recuperação considerada milagrosa, decidiu continuar a sua vocação: ao completar o noviciado, na clandestinidade, sob a direção do Frei Gheorghe Pătrașcu, fez sua profissão temporária, em 1976, e a profissão solene, em 1979, recebendo a ordenação sacerdotal em 14 de setembro de 1980, por mãos do Bispo (mais tarde Cardeal) Alexandru Todea. A partir de 1954, Benedict foi mantido sob vigilância pela Securitate, por 32 anos, e identificado como sacerdote após a sua viagem a Roma, em 30 de outubro de 1983.
"O Venerável Martin Benedict tornou-se cada vez mais conhecido, tanto na Romênia quanto no exterior, e muitas pessoas recorriam a ele em busca de ajuda espiritual", disse à Fides o Padre Silvestro Baejan, encarregado da sua Causa em Roma: "Recentemente, registraram-se dois casos concretos de supostas curas milagrosas: uma jovem em Bucareste e uma mulher em Suceava. No entanto, enfrentamos diversas dificuldades para obter a documentação e os registros médicos necessários". O Padre Baejan explica ainda: "Visto que a Romênia é um país predominantemente ortodoxo, ainda não existe uma mentalidade estabelecida em relação aos procedimentos necessários para os milagres realizados por católicos, que passam pelo processo de canonização. No entanto, inúmeras graças foram alcançadas e muitas oferendas votivas foram depositadas na sua casa onde nasceu. Tais graças referem-se, de modo particular, à harmonia familiar, pequenas curas, nascimento de filhos em situações de infertilidade, mas também à libertação do vício do álcool e de drogas e muito mais".
Após a sua morte, em 12 de julho de 1986, em Oneşti, Martin Benedict começou a ganhar, imediatamente, fama por sua santidade e proximidade com Deus entre os que o conheciam. Um ano após sua morte, a água de um poço, perto da casa da família, em Galbeni, começou a exalar perfume e sabor de rosas, tanto que Galbeni começou a se tornar meta de peregrinações. Seu processo de canonização teve início em 14 de abril de 2007 e a Positio concluída aguarda o exame da Comissão Teológica. Em 17 de dezembro de 2022, Martin Benedict foi declarado Venerável pelo Papa Francisco.
O Dicastério das Causas dos Santos declara que Benedict viveu heroicamente sua dupla vocação, como médico e sacerdote religioso, em contexto clandestino.
Através dos testemunhos de seus familiares e das enfermeiras, que trabalharam com ele, o filme-documentário demonstra que o Venerável franciscano, apesar de sua saúde frágil, exercitava a medicina com generosidade e, graças à sua prudente discrição, conseguiu realizar seu apostolado.
Sobre os documentos mais relevantes, coletados até o momento para a sua Causa, o Padre Silvestro Baejan explica que a primeira menção sobre Martin Benedict, nos arquivos da Securitate, aparece em 1954, na documentação de outro frade franciscano conventual: "Ele foi mantido sob vigilância até o fim de sua vida". Mas, explica ainda que seu dossiê continha apenas algumas páginas, inexplicavelmente interrompido em 1971: "As testemunhas falam muito claramente sobre a sua perseguição até à morte. E os outros documentos, onde estão? Sabemos que, na década de 1980, inquéritos políticos foram transformados em investigações criminais. Após anos de persistência, conseguimos obter a capa e a página de um registro, que comprova a existência de uma investigação criminal. Mas, nossa pesquisa continua”.
“Nesta noite, - declarou o Embaixador da Romênia, junto à Santa Sé, George Bologan, em seu discurso aos presentes - Não estamos reunidos aqui apenas para assistir um filme, mas para compreender o que significa dar testemunho. Estamos diante de uma vida que questiona a nossa liberdade, a nossa memória e a nossa compreensão da fé, quando colocada à prova. Hoje, em várias partes do mundo, inclusive na Europa, a fé está sendo colocada à prova”.
O evento, organizado em colaboração com a Embaixada da Romênia junto à Santa Sé e o Dicastério para a Comunicação, contou também com a presença do Vigário Geral dos Franciscanos Conventuais, Padre Igor Salmič, e do vice-Postulador da Causa de Canonização, Eusebio Bejan, franciscano Conventual. Estiveram presentes ainda a diretora do filme, Adriana Racasan, com vários colaboradores, e o Padre Francisc Ungureanu, diretor da Associação Católica para a Comunicação SIGNIS na Romênia e secretário da Conferência Episcopal Católica Romena.
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