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Encontro Pastoral da Pessoa Idosa do Regional Norte 2 da CNBB

Vívian Marler - Assessora de Comunicação CNBB Norte 2 Há presenças que não fazem barulho, mas transformam a vida. Uma visita que chega no momento certo, uma conversa demorada junto à ja...

Encontro Pastoral da Pessoa Idosa do Regional Norte 2 da CNBB

Vívian Marler - Assessora de Comunicação CNBB Norte 2

Há presenças que não fazem barulho, mas transformam a vida. Uma visita que chega no momento certo, uma conversa demorada junto à janela, uma oração feita ao lado da cama, uma mão que segura outra mão. Para muitas pessoas idosas, esses gestos simples significam que ainda são lembradas, amadas e importantes.

Foi com esse espírito que coordenadores e representantes da ‘Pastoral da Pessoa Idosa do Regional Norte 2’ participaram, neste final de semana, de 21 a 23 de agosto, do encontro realizado na sede da CNBB, em Belém. A programação reuniu participantes do Pará e do Amapá, de Dom José Ionilton de Oliveira, bispo da Prelazia do Marajó e referencial  para a Dimensão Sociotransformadora, para fortalecer a missão pastoral, aprofundar a formação e planejar ações capazes de alcançar as diferentes realidades do território amazônico.

O encontro aconteceu em sintonia com o tema trabalhado nacionalmente pela Pastoral da Pessoa Idosa “Promovendo o envelhecimento ativo no Brasil”. A proposta não considera a pessoa idosa apenas como alguém que precisa receber cuidados, mas como sujeito de direitos, de história, de fé, de participação e de contribuição para a vida da Igreja e da sociedade.

A programação contemplou momentos de espiritualidade, reflexões sobre a identidade e a missão da PPI, metodologia de acompanhamento, organização pastoral, comunicação, uso do Sistema de Informação e Gerenciamento da Pastoral da Pessoa Idosa (SIGPPI), proteção de dados, planejamento e análise das realidades diocesanas.

Representando a Coordenação Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, Regina Riba, assistente social e integrante da equipe nacional, destacou que a missão da PPI nasce do compromisso de não permitir que nenhuma pessoa idosa seja esquecida. “Para nós, da Coordenação Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, existe uma preocupação muito especial em fazer com que essas pessoas não sejam esquecidas. A PPI é uma Igreja em saída, chamada a ir ao encontro de quem mais precisa, levando os afetos da Igreja e a ternura de Deus a todas as pessoas que envelhecem”, disse.

A afirmação encontra profunda ressonância na mensagem do Papa Leão XIV para a ‘6ª Jornada Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas’, cujo tema foi “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15). Na mensagem, o Pontífice recorda que muitas pessoas idosas vivem sob o risco do anonimato e do abandono. Algumas são deixadas sozinhas em suas próprias casas; outras acabam reduzidas, em instituições, a um número de quarto ou a uma condição de saúde.

No Pará e no Amapá, a missão da Pastoral enfrenta as características próprias de um território extenso, diverso e marcado por grandes distâncias. Há pessoas idosas vivendo em comunidades ribeirinhas, áreas rurais, territórios indígenas, comunidades quilombolas, periferias urbanas e localidades de difícil acesso. Para Regina, fortalecer as lideranças locais é uma das principais estratégias para que a presença da Igreja chegue a esses lugares. “São os coordenadores e líderes que conhecem o território, compreendem as necessidades das pessoas idosas e podem fazer com que a presença da Igreja chegue onde, muitas vezes, outras estruturas não conseguem chegar”.

A realidade amazônica exige uma pastoral sensível às distâncias, aos rios, às condições de transporte, às culturas e aos diferentes modos de viver. Não existe uma única forma de envelhecer nem uma única maneira de acompanhar. Por isso, a formação dos líderes precisa unir conhecimento técnico, espiritualidade, capacidade de escuta e compreensão das realidades locais. A missão se torna mais eficaz quando nasce do território e respeita a história de cada comunidade.

A coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa no Regional Norte 2, Dinamar Aparecida Alves Lima, destacou a importância da capacitação básica dos leigos para que as visitas sejam qualificadas e humanizadas. “É necessário promover a capacitação básica dos leigos, preparando-os para uma visita qualificada e humanizada”, explicou Dina.

A visita domiciliar é uma das expressões mais concretas da missão da Pastoral. Ela alcança a pessoa idosa em seu próprio ambiente, reconhecendo que muitas necessidades não aparecem em encontros comunitários ou dentro dos templos. Existem idosos que já não conseguem sair de casa, que vivem sozinhos, enfrentam doenças, dependem de outras pessoas ou perderam os vínculos sociais. Há também aqueles que continuam ativos, mas não encontram espaços para participar e oferecer sua experiência.

Segundo Dinamar, os voluntários são chamados a ultrapassar os limites físicos das igrejas e a chegar ao coração da sociedade. “A atuação desses voluntários não se limita aos templos; ela se estende para o coração da sociedade, indo aos lares onde a pessoa idosa muitas vezes enfrenta a solidão e a vulnerabilidade. A visita, nesse sentido, é mais do que uma tarefa pastoral. É uma atitude de fé. O líder que escuta, acolhe e acompanha torna-se presença viva de Cristo junto à pessoa visitada. Ao visitar as famílias, o líder da Pastoral da Pessoa Idosa assume seu papel de batizado, sendo a presença viva de Cristo que escuta, acolhe e devolve a dignidade”.

Se a missão é grande, também são grandes os desafios. Entre eles está a logística necessária para chegar às paróquias e comunidades do Regional Norte 2. “Nosso maior desafio é a logística do território, pois sabemos que ele é extenso e que muitas vezes faltam recursos financeiros para irmos ao encontro das paróquias e realizarmos as capacitações básicas”, explicou Dinamar.

As dificuldades de deslocamento podem impedir que a formação alcance todos os lugares e que novos líderes sejam preparados. A ausência de recursos também limita a possibilidade de acompanhamento permanente das comunidades. Ainda assim, o encontro em Belém mostrou que a articulação entre Pará e Amapá pode fortalecer caminhos comuns. O planejamento conjunto, a partilha de experiências e o apoio entre as coordenações ajudam a superar distâncias e a encontrar respostas mais adequadas à realidade regional.

Para Regina, o encontro foi uma oportunidade de alinhamento, unidade e organização dos próximos passos da Pastoral. “Esperamos que os participantes retornem às suas dioceses e prelazias mais animados, mais preparados e conscientes de sua responsabilidade missionária, capazes também de fortalecer novas lideranças e ampliar a presença da PPI.

Promover o envelhecimento ativo não significa exigir que a pessoa idosa mantenha o mesmo ritmo da juventude. Significa garantir condições para que continue participando da vida, tomando decisões, cultivando vínculos e contribuindo com seus dons. A Pastoral da Pessoa Idosa trabalha para que o envelhecimento seja vivido com dignidade, cuidado e sentido. Isso envolve atenção à saúde, à espiritualidade, à convivência, à segurança, à proteção contra a violência e à participação social.

A pessoa idosa traz consigo uma memória que não pode ser descartada. Suas histórias ajudam a comunidade a compreender o caminho percorrido, os desafios superados e os valores que precisam ser preservados. Em muitas comunidades amazônicas, os idosos são guardiões da memória, das tradições, das orações e dos saberes. Eles conhecem os rios, os ciclos da natureza, os caminhos da comunidade e as histórias de fé que passaram de geração em geração. Cuidar dessas pessoas é também proteger a memória dos povos e fortalecer a identidade das comunidades.

Durante o encontro, os participantes refletiram sobre a necessidade de uma Pastoral bem organizada e preparada para responder às exigências atuais. A metodologia da PPI, o acompanhamento mensal, o registro das visitas e o planejamento das ações foram apresentados como instrumentos a serviço do cuidado. O SIGPPI também foi incluído nas discussões como ferramenta de organização e acompanhamento das informações pastorais. O uso responsável dos dados ajuda a conhecer melhor a realidade das pessoas acompanhadas e a identificar situações que precisam de encaminhamento.

A reflexão sobre a proteção de dados reforçou que cuidar também significa preservar a privacidade e a história de cada pessoa. A Pastoral precisa agir com responsabilidade, discrição e respeito, especialmente quando acompanha idosos em situação de doença, abandono, violência ou vulnerabilidade. A técnica, entretanto, não substitui a relação humana. Os sistemas ajudam a organizar a missão, mas é a proximidade que dá sentido ao trabalho. Nenhum registro é capaz de substituir a escuta atenta, o olhar compassivo e a presença junto à pessoa visitada.

A Pastoral da Pessoa Idosa não é responsabilidade apenas de seus líderes. Toda a comunidade cristã é chamada a reconhecer e valorizar as pessoas idosas. As paróquias podem criar espaços de participação, promover encontros intergeracionais, incentivar a visita aos idosos, fortalecer a presença deles nas celebrações e acolher suas contribuições na vida comunitária.

As famílias também possuem papel fundamental. O Papa Leão XIV convidou especialmente os jovens a retomarem o hábito de visitar seus avós e outras pessoas idosas que não recebem visitas. Em uma época marcada pela rapidez e pela fragmentação, a proximidade se torna um verdadeiro testemunho cristão. Estar perto de uma pessoa idosa é afirmar, com atitudes, que sua vida não perdeu importância. A mensagem do Papa recorda que o amor de Deus responde ao sentimento de abandono e esquecimento. A Igreja, como mãe, é chamada a fazer com que essa palavra “Eu nunca te esquecerei” se torne encontro, presença e cuidado.

A missão da Pastoral da Pessoa Idosa também está profundamente ligada à história de valorização da vida e à defesa da dignidade humana construída sob a liderança da doutora Zilda Arns Neumann. Para Marilene Stec, integrante da Equipe Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, esse legado continua inspirando a caminhada da Pastoral em todo o país. “A história da Pastoral da Pessoa Idosa, inspirada e construída sob a liderança da doutora Zilda Arns, continua a nos ensinar a reconhecer o valor, a dignidade e a importância de cada pessoa idosa. Essa história nos inspira a colocar a vida, o cuidado, a proximidade e a defesa da dignidade humana no centro da nossa missão”.

Segundo Marilene, esses valores permanecem presentes no trabalho realizado atualmente, especialmente no compromisso de chegar às pessoas idosas que vivem em situações de maior vulnerabilidade. A integrante da equipe nacional também destacou que acompanhar uma pessoa idosa exige mais do que oferecer assistência ou transmitir informações sobre direitos. A missão requer uma relação marcada pela escuta, pelo respeito, pela amizade e pelo reconhecimento da história de cada pessoa. “É essencial que nossos líderes compreendam que a Pastoral da Pessoa Idosa possui uma metodologia própria, baseada no acompanhamento sistematizado por meio da visita domiciliar”.

Para ela, a visita domiciliar é uma oportunidade de criar vínculos e oferecer uma presença verdadeiramente humana. “Essa visita vai muito além da prestação de assistência ou do acesso a informações sobre direitos. É uma oportunidade de estar presente, escutar com carinho, criar vínculos e reconhecer a história, os valores e a trajetória de vida de cada pessoa idosa”, disse Marilene.