Dízimo

Emergência de incêndios na Itália: relatório aponta falta de prevenção e negligência

“Itália em chamas” é o título do novo relatório da Legambiente, uma associação ambientalista que atua há 10 anos no país. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (16/07), no dia em...

Emergência de incêndios na Itália: relatório aponta falta de prevenção e negligência

“Itália em chamas” é o título do novo relatório da Legambiente, uma associação ambientalista que atua há 10 anos no país. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (16/07), no dia em que se registrou o pico do calor recorde, de 38 graus, que descreve a situação dramática que caracteriza toda a península. O título transmite uma imagem clara de um país devastado pelas chamas, agravada pelo fato de que os incêndios atingem, com cada vez mais frequência, regiões que até hoje haviam sido poupadas pelo fenômeno. 

Como todos os anos, o verão se confirma como a estação crítica para os incêndios, mas em 2026 ele foi antecipado por grandes focos já na primavera e no inverno, devido ao aumento das temperaturas e à crise climática. Nos primeiros 6 meses de 2026, denuncia a Legambiente, o fogo devorou uma área equivalente a 13.368 campos de futebol, mas não parou por aí: o risco é que se supere o recorde de 2025, quando mais de 96.500 hectares de áreas florestais foram consumidos pelas chamas. Uma tendência que não dá sinais de parar desde 2024 e que preocupa pelo envolvimento de regiões que normalmente não eram consideradas de alto risco.

Entre o início do ano e meados de junho, a emergência atingiu toda a Itália, do norte ao sul, com picos no Piemonte, na Ligúria e na Toscana, e efeitos particularmente devastadores na Calábria e na Sicília, que conquistou o triste recorde com nada menos que 1.800 hectares consumidos pelas chamas. O alerta da Legambiente concentra-se no forte aumento do índice de reincidência de incêndios, que mede a probabilidade de um incêndio se repetir no mesmo local ou ser provocado pelas mesmas pessoas.

Essa persistência sistemática das chamas esgota as comunidades locais, já obrigadas a lidar com uma carência crônica de prevenção. O resultado, como confirma também Stefano Ciafani, presidente nacional da Legambiente, é uma gestão dos incêndios que continua se movendo quase exclusivamente na linha da emergência, em vez de na da proteção e do planejamento. Visão compartilhada por Antonio Nicoletti, responsável pelas áreas protegidas da associação, para quem o fenômeno dos incêndios é “a manifestação recorrente de uma fragilidade territorial que afeta quase todas as regiões do país, já por longos períodos do ano”.

O apelo da Legambiente ao mundo da política é, portanto, o de superar a lógica da emergência em favor de um planejamento integrado, capaz de neutralizar logo no início as ameaças alimentadas por uma crise climática que já se tornou estrutural. Para superar as atuais fragilidades de gestão — entre as quais um planejamento florestal deficiente e fragmentado e uma integração insuficiente dos planos de combate a incêndios florestais com os de adaptação climática —, a Legambiente encaminhou ao Executivo 14 propostas para dar início a uma virada rumo a uma ação eficaz de prevenção, hoje mais necessária do que nunca.  

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