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Em visita à VN, dom Paulo Renato destaca nova encíclica e diretrizes da CNBB

Em visita à Vatican News, o bispo da Diocese de Barra do Garças (MT), dom Paulo Renato, concedeu entrevista para refletir sobre alguns dos temas que marcam a vida da Igreja neste moment...

Em visita à VN, dom Paulo Renato destaca nova encíclica e diretrizes da CNBB

Em visita à Vatican News, o bispo da Diocese de Barra do Garças (MT), dom Paulo Renato, concedeu entrevista para refletir sobre alguns dos temas que marcam a vida da Igreja neste momento: a recente encíclica Magnifica Humanitas, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e os desafios pastorais vividos na região do Araguaia mato-grossense, uma das dioceses mais extensas do Centro-Oeste brasileiro.

Durante a conversa, dom Paulo Renato destacou a importância da nova encíclica do Papa, apresentada como um chamado à valorização da dignidade humana e ao fortalecimento da fraternidade em um contexto mundial marcado por conflitos, desigualdades e profundas transformações culturais. Segundo o bispo, o documento convida os cristãos a redescobrirem o valor da pessoa humana à luz do Evangelho, promovendo uma cultura do encontro e da solidariedade.

A passagem de dom Paulo Renato de Campos por Roma foi marcada por um momento especial de proximidade com o Santo Padre. Na manhã da quarta-feira, 17 de junho, o bispo participou da Audiência Geral do Papa Leão XIV na Praça de São Pedro e teve a oportunidade de cumprimentá-lo pessoalmente. O encontro aconteceu durante a viagem realizada ao lado de sua mãe, que também participou da audiência e viveu de perto a emoção de encontrar o Sucessor de Pedro.

A experiência foi um dos pontos altos da estadia em Roma, que incluiu ainda a visita à sede da Vatican News. Ao comentar a nova encíclica, Dom Paulo destacou que o documento se insere na tradição da Doutrina Social da Igreja e procura responder aos desafios inéditos impostos pela revolução tecnológica, especialmente pelo avanço da inteligência artificial.

Segundo o bispo, o Papa Leão XIV retoma questões que marcaram diferentes períodos da história da humanidade e que exigiram respostas do magistério da Igreja, como a industrialização e as transformações no mundo do trabalho. Agora, explica, a realidade da inteligência artificial exige um novo discernimento ético e antropológico.

“O Papa retoma outros desafios que afetaram a humanidade, como a industrialização e a questão do trabalho, que outros pontífices tiveram de enfrentar. Hoje, Leão XIV precisa enfrentar a realidade da inteligência artificial, com tudo aquilo que ela tem de bom, de ruim e de preocupante. Há coisas maravilhosas que ela pode proporcionar, mas tudo isso passa pelo critério da pessoa humana”, afirmou.

Para dom Paulo, a encíclica representa uma profunda reflexão sobre a centralidade da dignidade humana em um contexto de rápidas mudanças tecnológicas. “É uma encíclica da Doutrina Social da Igreja. O Papa Leão dá uma verdadeira aula de humanismo ao longo dessas páginas”, resumiu.

Outro tema abordado na entrevista foi a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, documento que orientará a caminhada pastoral das dioceses brasileiras pelos próximos seis anos. Dom Paulo teve participação direta na elaboração do texto. Ele integrou o grupo de bispos responsável pela redação e sistematização do documento, coordenado por dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequética da CNBB.

O bispo recordou que a construção das diretrizes foi marcada por um amplo processo de escuta e participação das comunidades, dioceses e regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

“Tive a oportunidade de fazer parte do grupo de bispos que ajudou na redação e na sistematização dessas diretrizes. Foi um processo riquíssimo, que recebeu inúmeras emendas. Trabalhamos o texto durante vários anos com as comunidades e dioceses, além das contribuições apresentadas durante a Assembleia Geral da CNBB”, explicou.

Para ele, uma das grandes riquezas do documento está justamente em sua construção coletiva. “É um texto participado e participativo. As pessoas vão se reconhecer nele porque participaram do processo de elaboração. Esse é um grande ganho para a Igreja no Brasil”, destacou.

Dom Paulo enfatizou ainda que as diretrizes não são um plano de pastoral pronto e acabado, mas uma orientação comum que preserva a unidade da ação evangelizadora no país. A partir dessas diretrizes serão elaborados os planos de pastoral em cada diocese, atentos em cada realidade.

“As diretrizes não estão prontas; elas serão concretizadas na vida e no dia a dia das dioceses. Por isso são diretrizes e não um plano de pastoral. Elas apontam aquilo que a Igreja entende ser importante para este momento histórico. São uma seta, uma direção. Cada diocese, a partir de sua realidade, desenvolverá seu próprio plano pastoral, mas mantendo um fio condutor que garante a unidade da Igreja no Brasil”, afirmou.

À frente da Diocese de Barra do Garças há cerca de dois anos e meio, dom Paulo também apresentou a realidade pastoral da Igreja local, marcada por grandes distâncias geográficas e uma impressionante diversidade cultural.

Com aproximadamente 71 mil quilômetros quadrados de extensão territorial e 20 paróquias, a diocese enfrenta o desafio do número reduzido de sacerdotes. Para garantir o atendimento pastoral das comunidades, conta com a colaboração de missionários vindos de outras regiões do país.

“Temos um número reduzido de clérigos. Conseguimos atender nossas comunidades graças à ajuda de missionários de outras dioceses, especialmente dos regionais Sul 1 e Leste 1, com Rio de Janeiro e São Paulo, da CNBB, que enviam sacerdotes para colaborar conosco”, explicou.

A diversidade da diocese também exige diferentes formas de evangelização. Além do crescimento urbano de Barra do Garças, que abriga instituições de ensino superior, como 4 faculdades, incluindo uma universidade federal e uma faculdade de medicina, a região reúne povos indígenas, comunidades rurais e trabalhadores espalhados por extensas áreas de fazendas.

“Nossa diocese possui uma particularidade muito grande. Temos uma área urbana, mas também a realidade indígena dos povos Xavante e Bororo, cada um com sua cultura própria. Temos ainda as fazendas, onde vivem famílias que necessitam de acompanhamento pastoral, celebrações e catequese”, relatou.

O bispo explicou que a missão evangelizadora exige sensibilidade para dialogar com contextos culturais muito distintos. “Cada lugar nos pede uma linguagem diferente. É preciso virar a página a cada realidade, porque são culturas diversas e precisamos encontrar formas de comunicar o Evangelho a todas elas.”

A realidade da Diocese de Barra do Garças ajuda a compreender os desafios mencionados por dom Paulo Renato. Localizada no leste a diocese reúne cerca de 20 paróquias distribuídas entre cidades, comunidades rurais e territórios indígenas. Marcada pela presença dos povos Xavante e Bororo, a diocese possui inclusive uma Forania Indígena e desenvolve uma intensa ação missionária para atender populações que vivem em contextos culturais bastante distintos.

Entre as iniciativas pastorais de Dom Paulo Renato está a visita periódica às comunidades mais afastadas, onde muitas vezes a presença do bispo representa a oportunidade para a celebração dos sacramentos e o fortalecimento da vida de fé.

Ao refletir sobre os desafios e esperanças da Igreja no Brasil, dom Paulo destacou a importância de manter a comunhão entre as diferentes realidades eclesiais, valorizando a participação do povo de Deus e a capacidade missionária das comunidades. Uma missão que, segundo ele, encontra inspiração tanto nas novas diretrizes da CNBB quanto no chamado do Papa Leão XIV para colocar a pessoa humana no centro das transformações do mundo contemporâneo.

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