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Dom Imbamba: “O legado do Cardeal Júlio Langa deve perpetuar-se"

A morte do Cardeal Júlio Duarte Langa, aos 98 anos, continua a suscitar mensagens de pesar e reconhecimento em toda a Igreja em África. Entre as vozes que se uniram à Igreja de Moçambiq...

Dom Imbamba: “O legado do Cardeal Júlio Langa deve perpetuar-se"

A morte do Cardeal Júlio Duarte Langa, aos 98 anos, continua a suscitar mensagens de pesar e reconhecimento em toda a Igreja em África. Entre as vozes que se uniram à Igreja de Moçambique está a de Dom José Manuel Imbamba, Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e segundo Vice-Presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM), organismo continental que reúne as Conferências Episcopais da Igreja Católica em África e Madagáscar.

Em nome da Igreja irmã de Angola, Dom Imbamba manifestou a sua proximidade à Igreja de Moçambique e à família do Cardeal Langa, assegurando a união nas orações por aquele que considera um pastor cujo testemunho ultrapassa as fronteiras da sua Igreja local.

“Apresentamos à Igreja irmã de Moçambique a nossa solidariedade e os nossos sentimentos de pesar pela Páscoa do nosso eminente Cardeal Dom Júlio”, afirmou.

Para o Presidente da CEAST, a morte do Cardeal Langa é uma ocasião de oração e, ao mesmo tempo, de gratidão pelo dom da sua vida e do seu ministério. Dom Imbamba pediu a Deus que acolha o Cardeal no seu Reino de amor e sublinhou que o seu legado deve continuar a dar frutos na Igreja.

“Que o seu legado se perpetue não só na Igreja de Moçambique, mas na Igreja universal”, acrescentou, recordando o Cardeal Langa como “Apóstolo, anunciador do Reino e testemunha fiel do amor de Deus entre os seus irmãos”.

A mesma gratidão foi expressa pelo Padre Rafael Simbine, Secretário-Geral do SECAM e sacerdote da Diocese de Xai-Xai, que recordou o Cardeal Langa como uma referência não apenas para a sua diocese ou para Moçambique, mas para a Igreja que caminha em todo o continente africano.

“O Senhor chamou o nosso Cardeal Júlio Duarte Langa, que era a nossa referência”, afirmou o sacerdote, destacando a sua longa dedicação à Igreja e à sociedade moçambicanas.

O Padre Simbine recordou particularmente o trabalho pastoral do Cardeal na promoção das pequenas comunidades cristãs e do catecumenado, sobretudo entre os adultos, duas dimensões que marcaram profundamente o seu ministério episcopal.

Ao apresentar as condolências do SECAM à Conferência Episcopal de Moçambique, à Diocese de Xai-Xai e à família do Cardeal, o Secretário-Geral destacou ainda o seu testemunho de humildade e dedicação à missão evangelizadora.

Também a Irmã Ester Lucas, teóloga e Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, recordou o Cardeal Langa como “pai” e “avô”, dando graças a Deus pelo testemunho de uma vida marcada pela proximidade aos pequenos e aos pobres.

A religiosa destacou de modo particular a sensibilidade pastoral do então Bispo de Xai-Xai para com os doentes e os mais vulneráveis. Recordou o apoio dado às Filhas da Caridade no Hospital Carmelo, numa época em que os doentes de tuberculose e HIV enfrentavam enormes dificuldades de acesso aos cuidados de saúde.

A Irmã Ester recordou igualmente os momentos da guerra civil, quando Dom Júlio Langa se aproximou das religiosas refugiadas para as encorajar a permanecerem junto do povo.

“Não abandonem o povo. A Igreja está convosco”, foram as palavras que, segundo o seu testemunho, permaneceram gravadas na memória das religiosas.

A religiosa considera que o Cardeal Langa deixa à Igreja um exemplo de silêncio, humildade, proximidade e fidelidade, uma vida inteiramente entregue a Deus e aos pobres.

A despedida do Cardeal Júlio Duarte Langa acontece num contexto de oração e esperança cristã. Na mensagem enviada a Moçambique, o Papa Leão XIV recordou os 28 anos de serviço do Cardeal à Diocese de Xai-Xai, especialmente durante o período da guerra civil, destacando a sua entrega “com simplicidade, zelo e perseverança” ao anúncio do Evangelho da paz e da reconciliação.

O testemunho do Cardeal Langa é, assim, recordado como parte do caminho da Igreja em Moçambique e da Igreja em África: um ministério marcado pela evangelização, pela proximidade aos pobres, pela formação das comunidades cristãs e pelo compromisso com a paz e a reconciliação.

Ao unir-se à dor da Igreja moçambicana, Dom Imbamba confiou o Cardeal à misericórdia de Deus, pedindo que o legado de um pastor que serviu com fidelidade continue a inspirar a Igreja, não apenas em Moçambique, mas em todo o continente africano e na Igreja universal.

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