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Coro do Papa se despede do Brasil levando a música sacra do país para o palco

"A turnê está acabando e quero agradecer de coração todas as pessoas que tornaram esta turnê possível. Agora vamos todos descansar um tempinho", confidenciou o monsenhor Marco...

Coro do Papa se despede do Brasil levando a música sacra do país para o palco

"A turnê está acabando e quero agradecer de coração todas as pessoas que tornaram esta turnê possível. Agora vamos todos descansar um tempinho", confidenciou o monsenhor Marcos Pavan, maestro brasileiro do coro da Capela Musical Pontifícia "Sistina", antes da despedida de São Paulo, através das redes sociais de Delphim Rezende Porto, diretor de música da Catedral da Sé e regente da São Paulo Schola Cantorum. A delegação, formada por vozes só masculinas, adultas e infantis, chegou nesta quinta-feira (16/07) em Roma, após 15 dias viajando pelo Brasil para participar de compromissos em 5 cidades diferentes: Campinas, São Paulo, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro, uma forma de celebrar os 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. O público brasileiro acompanhou em peso a passagem do Coro do Papa em todos os lugares em que passou, como confirmou Alessio D'Aniello, mineiro de origem e italiano de adoção:

“Podemos dizer que, os concertos que realizamos nas cidades brasileiras, marcam um acontecimento histórico: ao todo, cerca de 10 mil pessoas compareceram às nossas apresentações. A música sacra continua sendo o meio mais importante de evangelização.”

O último concerto foi na terça-feira (16/07), na Sala São Paulo. "Fiquei positivamente surpreso com uma apresentação de tão alto nível", comentou o psicanalista, Guilherme Bombonato de Sousa Prado. A amiga Angela Mendes, designer gráfico, que já cantou em corais da cidade paulistana, disse que não poderia perder "a oportunidade única e especial" de assistir ao concerto do Coro do Papa: "é bem diferente de um coro tradicional formado por homens e mulheres. Eu acho que nunca tinha visto um coro infantil, e eles tinham um tom bem angelical. Achei muito lindo".

Quem também viveu uma experiência inesquecível estava do outro lado do público, no palco. O organista Felipe Bernardo foi convidado pelo maestro do Coro da Capela Sistina para fazer a abertura do concerto na Sala São Paulo, tocar peças - de compositores brasileiros - que intercalaram a apresentação e finalizar com uma performance conjunta:

"Esse concerto articulado na Sala São Paulo veio por um desejo do mons. Pavan que disse que era o sonho dele poder cantar com o coro também na Sala São Paulo. E quando isso acabou sendo confirmado, um dia ele me liga e diz que vai dar certo a viagem do coro, 'que a gente vai conseguir fazer o concerto na Sala São Paulo e eu gostaria que você tocasse conosco nesse concerto'. Para mim já foi uma emoção muito grande de ter recebido esse convite dele. E me ofereceu para eu tocar algumas peças solo e acompanhar uma peça com o coro. Então, você pode imaginar a responsabilidade: primeiro em dividir o palco com a Sistina e tocar com eles - isso nenhum outro brasileiro fez. O organista do coro, que é o titular da Basílica de São Pedro, Josep Solé Coll, é muito meu amigo, já nos conhecemos há 10 anos, assim como o mons. Pavan também, e ele estava ali dando o maior apoio, até me ajudou a virar as páginas... Para mim é uma honra! Ele, é claro, bondosamente, liberou a obrigação dele, porque, em teoria, só ele pode tocar com esse coro. Mas, a convite do mons. Pavan, eu pude ter esse privilégio e essa honra de poder tocar com coro."

Natural de Botucatu/SP, Felipe é organista, pianista, regente e pesquisador, com especialização em Canto Gregoriano na Itália. Por 18 anos foi mestre de Capela e organista do Pateo do Collegio, em São Paulo, onde dirigiu a Schola Cantorum, realizou gravações e desenvolveu projetos de valorização da música sacra e litúrgica - inclusive recebendo o maestro e o organista do Coro do Papa para ministrar aulas. Atualmente, como organista, atua junto ao Mosteiro de São Bento e à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), é regente associado do Coro Luther King e, como professor, trabalha na Escola Municipal de Música de São Paulo e se dedica à docência em órgão de tubos. No exterior, mantém colaboração artística com o Coro Cantosospeso, de Milão, na Itália.

Foi justamente em uma das viagens em que esteve em Roma, que despretensiosamente Felipe entrou em contato com o mons. Pavan - na época, maestro dos Pueri Cantores, as vozes brancas do Coro do Papa. A partir do convite para acompanhar um ensaio no Vaticano, nasceu a amizade entre os dois brasileiros na Itália e, a partir de uma pizza compartilhada em plena cidade de São Paulo no ano passado, começou a se delinear o sonho conjunto realizado na última terça-feira (14/07) na Sala São Paulo: para mons. Pavan, como conta Felipe, era se apresentar no seu país com a Capela Sistina; para o organista, fazer parte de uma noite eternizada para sempre no currículo e no seu coração. Dele e de milhares de pessoas que, inclusive Brasil afora, durante esses últimos 15 dias de turnê, puderam conhecer e prestigiar a excelência do trabalho do Coro do Papa liderado por um brasileiro: monsenhor Marcos Pavan, depois de quase 30 anos atuando na Capela Sistina, projeta o país no mundo e inspira músicos litúrgicos na missão diária de valorizar o patrimônio da música sacra, assim como fez com Felipe Bernardo:

"O monsenhor, além de ser um músico maravilhoso, um maestro maravilhoso, é uma pessoa iluminada. Um padre que realmente ajuda e dá conselhos, uma pessoa que nos faz acreditar o quanto Deus é bom, através das mãos dele e dos ensinamentos dele. Ele é uma verdadeira inspiração para mim de ser humano que eu gostaria de ser, de um músico que eu gostaria de ser também perto da grandeza que ele é."

Colaboração: Museu de Arte Sacra de São Paulo

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