s.Alina Anastasia Petrauskaite, SCM – Vatican News
Como ajudar crianças e adolescentes a preservar a alegria própria da infância quando a guerra continua a fazer parte do cotidiano? Em entrevista aos meios de comunicação do Vaticano, Irina Nazarenko, secretária da Comissão para a Juventude da Diocese de Kyiv-Zhytomyr da Igreja Católica Romana na Ucrânia, coordenadora da educação católica por parte dos católicos de rito romano e professora do Colégio Salesiano Particular «Vsesvit», em Zhytomyr, fala sobre o trabalho diário com as novas gerações, as cartas enviadas pelas crianças aos soldados na linha de frente, os momentos especiais de oração em comunidade e as fontes de esperança que a ajudam a não sucumbir ao desespero.
Segundo Irina Nazarenko, a atual composição da Comissão para a Juventude da Diocese de Kyiv-Zhytomyr foi constituída sob a direção do padre Mykhailo Wocial, SDB, pouco antes do início da invasão em grande escala. A equipe é formada por sacerdotes, pessoas consagradas e jovens engajados provenientes de diferentes paróquias.
"Como organizamos as nossas atividades para os jovens, é importante ouvir as suas opiniões e os seus desejos. Tanto mais que os próprios jovens querem servir à Igreja, às crianças, aos adolescentes e aos outros jovens", ressalta a secretária da Comissão.
Por meio de diversas iniciativas, os organizadores procuram oferecer às crianças e aos jovens um ambiente seguro, marcado pela alegria e pela experiência de uma Igreja viva, ajudando-os a reencontrar a paz interior e a fortalecer-se espiritualmente. Há vários anos é promovido o Dia Diocesano da Criança. Neste ano, mais de 300 pequenos participantes, juntamente com sacerdotes e animadores, tiveram a oportunidade de se afastar, ainda que por um breve período, das angústias e das tensões da vida cotidiana marcada pela guerra.
Um elemento importante da formação é a união entre esporte e evangelização, em particular por meio do torneio anual de futebol "Taça do Bispo". Com o objetivo de reunir crianças e jovens em torno da Palavra de Deus, são promovidas as Olimpíadas Bíblicas e a Ágape Bíblica. Além disso, segundo Irina Nazarenko, a Escola Salesiana de Animação tem produzido excelentes frutos, permitindo que adolescentes e jovens aprendam o voluntariado, a convivência em grupo e o serviço aos próprios companheiros.
Uma experiência particularmente significativa foi o Dia do Adolescente deste ano, que reuniu cerca de 400 participantes. O encontro teve a duração de três dias e alcançou o seu ponto culminante na Solenidade de Pentecostes. Toda a programação foi pensada para ajudar os jovens, em uma fase tão delicada do amadurecimento humano, a fazer uma experiência autêntica de encontro com Cristo.
Irina Nazarenko recorda que a presença de tantos adolescentes sob o mesmo teto, em um primeiro momento, lembrava um verdadeiro furacão. No entanto, foi na oração que toda essa energia encontrou o seu equilíbrio. Durante o encontro, foram montadas tendas especiais nas quais sacerdotes permaneciam disponíveis para atender os participantes. Os pastores ficaram impressionados com o grande número de rapazes e moças que procuravam o sacramento da reconciliação ou buscavam diálogo espiritual, em busca de respostas para as inquietações mais profundas do coração.
As crianças ucranianas de hoje enfrentam provações que jamais deveriam fazer parte da vida de uma criança. Ainda assim, a Igreja e os educadores procuram fazer tudo o que está ao seu alcance para ajudá-las a permanecer firmes em meio a uma dor tão profunda.
Irina Nazarenko observa que o tempo de guerra é uma dura provação para todos e que a palavra 'estresse' sequer é suficiente para descrever a realidade vivida. Muitos alunos do colégio perderam familiares no front. Trata-se de uma dor indizível que, segundo a professora, só pode ser suportada com a ajuda de Deus.
"As crianças e os adolescentes rezam intensamente por aqueles que estão na linha de frente, protegendo-os justamente no momento em que eles vão à escola. Também nós rezamos juntos. E é uma grande alegria ver a felicidade de uma criança ao receber a notícia de que um familiar que há muito tempo não dava notícias finalmente entrou em contato e está vivo", partilha Irina.
Hoje, o processo educativo é profundamente afetado pelos constantes alertas aéreos, que obrigam professores e alunos a permanecer durante horas nos abrigos antiaéreos. Trata-se de uma situação extremamente desgastante para as crianças. Apesar disso, elas continuam indo diariamente ao colégio e agradecem sinceramente a Deus simplesmente pelo fato de um novo dia ter chegado e por ainda terem a possibilidade de estudar.
O apoio aos defensores da Ucrânia tornou-se parte inseparável da vida das paróquias e das escolas. As crianças desenham cartões, escrevem cartas de gratidão e as decoram com símbolos nacionais. Depois, tudo é levado pelos voluntários até a linha de frente. Esses desenhos e essas palavras têm uma força tão grande que é impossível conter as lágrimas.
Irina recorda, emocionada, um momento particularmente comovente vivido no Natal, quando foi com os alunos cantar canções natalinas em um hospital militar. Os soldados feridos ouviam as crianças e choravam. Sobre as camas, estavam pendurados dezenas de desenhos feitos por crianças. Com lágrimas nos olhos, os militares repetiam que as crianças são precisamente aquelas por quem arriscam e oferecem a própria vida no front.
Permanecendo na Ucrânia desde o início da invasão em grande escala, Irina Nazarenko testemunha que, hoje, os ucranianos vivem em uma situação na qual ninguém sabe se despertará no dia seguinte, pois os bombardeios inimigos continuam destruindo cidades e tirando a vida de muitos civis.
Em meio a essa ameaça constante, o único apoio duradouro para ela continua sendo uma fé profunda e a vida sacramental. A oração lhe dá força interior e a professora confessa que simplesmente não consegue imaginar como seria possível atravessar esse período tão trágico sem Deus e sem a participação regular na Eucaristia. A esperança repousa unicamente na misericórdia divina e em sua proteção.
"Desperto todos os dias e vejo como o Senhor me dá forças para trabalhar com as crianças, ensiná-las, conversar com elas e levar-lhes a luz. E é isso que eu faço", conclui Irina Nazarenko.
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