Nas primeiras horas do dia 30 de junho de 2026, a cidade de Am Dafock foi alvo de um ataque violento levado a cabo por um grupo armado contra posições detidas pelas Forças Armadas da República Centro-Africana (FACA). Os confrontos resultaram em baixas entre civis e militares, enquanto edifícios públicos, residências e stocks de alimentos foram destruídos, saqueados ou incendiados.
Perante esta violência, observa o Padre Alain Bienvenu Bangbanzi, Secretário Executivo da Cáritas da República Centro-Africana, milhares de residentes fugiram das suas casas para procurar refúgio perto da base da MINUSCA. Um grande acampamento de deslocados formou-se gradualmente, acrescenta o sacerdote, onde as famílias lutam atualmente para sobreviver em condições "extremamente difíceis". Parte da população, revela o Padre Alain Bienvenu, dirigiu-se para Birao, enquanto outros começam a regressar cautelosamente aos seus bairros, aproveitando uma relativa melhoria da situação de segurança. No entanto, "a situação humanitária continua a ser verdadeiramente precária e preocupante", prossegue o Secretário Executivo da Cáritas da RCA.
As famílias deslocadas carecem, antes de tudo, de habitações adequadas para resistir às fortes chuvas que neste momento flagelam o país. Muitas delas vivem debaixo de "lonas improvisadas — por vezes cheias de buracos — que oferecem uma proteção insuficiente contra as intempéries", explica o Padre Bangbanzi. A esta situação acresce a escassez de alimentos, água potável e serviços de saúde. "As pessoas mais vulneráveis, especialmente mulheres e crianças, também necessitam de protecção contra os riscos de exploração e violência a que os deslocados internos estão frequentemente expostos", acrescenta.
Para além da emergência imediata, a Cáritas sublinha também a necessidade de apoiar as populações na preparação para o regresso a um ambiente seguro. "As famílias que perderam os seus bens vão precisar de atividades geradoras de rendimento, bem como de sementes e ferramentas agrícolas, para retomar a produção de alimentos e limitar o risco de insegurança alimentar", enfatiza ainda o sacerdote.
Atuando através da sua rede paroquial, a Cáritas RCA conta com a filial da Cáritas da paróquia de Birao para avaliar as necessidades das populações em Am Dafock. Os dados recolhidos são utilizados para elaborar apelos de emergência destinados a parceiros humanitários. A organização colabora também com agências humanitárias, especialmente para facilitar a entrega dos apoios a esta zona de difícil acesso, onde uma "ponte aérea é, muitas vezes, a única forma de chegar às populações afetadas".
No entanto, "enfrentamos constrangimentos operacionais e a falta de recursos materiais e financeiros", lamenta o Padre Alain Bienvenu. Para intervirmos de forma eficaz, acrescenta, "precisamos de um apoio significativo dos nossos parceiros".
Face à dimensão das necessidades, a Cáritas RCA apela às autoridades, aos parceiros humanitários e à comunidade internacional para que intensifiquem o seu apoio, de forma a "aliviar o sofrimento da população de Am Dafock". "Embora a situação de segurança tenha melhorado gradualmente graças aos esforços das forças governamentais e dos seus aliados, os desafios humanitários continuam a ser imensos nesta zona do leste do país, onde as dificuldades de acesso complicam ainda mais a entrega de ajuda", sublinha o Secretário Executivo da Cáritas da República Centro-Africana. Para o Padre Bangbanzi, só uma "mobilização colectiva" permitirá oferecer uma "resposta à altura desta crise humanitária" em Am Dafock.
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