Roma

Cáritas Colômbia: a ajuda não termina com as manchetes

Sebastián Sansón Ferrari – Cidade do Vaticano “Somos solidários neste momento de sofrimento.” Com estas palavras, dom Juan Carlos Barreto Barreto, bispo de Soacha e presidente da Cárita...

Cáritas Colômbia: a ajuda não termina com as manchetes

Sebastián Sansón Ferrari – Cidade do Vaticano

“Somos solidários neste momento de sofrimento.” Com estas palavras, dom Juan Carlos Barreto Barreto, bispo de Soacha e presidente da Cáritas Colômbia, sintetiza o compromisso da Igreja Católica diante da emergência provocada pelo terremoto de segunda-feira, 10 de agosto, que afetou municípios de cinco regiões do país.

Segundo os relatórios oficiais citados pelo presidente da Cáritas Colômbia, mais de 200 mil pessoas foram afetadas. O balanço inclui ao menos 314 mortos e milhares de feridos, além de graves danos em casas, apartamentos, prédios, hospitais e instituições de ensino.

Diante dessa realidade, a resposta da Igreja foi organizada em diferentes níveis. A Cáritas Colômbia trabalha juntamente com a Conferência Episcopal e as Cáritas das jurisdições eclesiásticas, em coordenação com as autoridades locais e nacionais, organizações da sociedade civil e organismos de cooperação internacional.

“Como Igreja, podemos nos articular, mas também devemos estar unidos aos esforços da sociedade civil e do Estado”, explica dom Barreto, referindo-se à campanha “Com a Colômbia até o último recanto”, que mobilizou doações em dinheiro e em bens para atender as comunidades afetadas.

A dimensão da emergência exigiu uma resposta coordenada. A Cáritas Colômbia realizou encontros com os responsáveis pela pastoral social das áreas mais atingidas — cerca de 14 jurisdições eclesiásticas — e, posteriormente, articulou o trabalho com os diretores da pastoral social das 78 jurisdições do país.

Dessa rede também participam a Associação de Bancos de Alimentos da Colômbia e o Banco de Alimentos de Bogotá, enquanto as Cáritas locais coordenam suas ações com prefeituras e governos regionais. Em âmbito nacional, mantém-se o diálogo com o Governo colombiano e com as instituições responsáveis pela assistência em situações de emergência.

A isso se soma a comunicação com as Cáritas irmãs da América Latina, da Europa e dos Estados Unidos, bem como com agências de cooperação internacional, às quais foi apresentada a situação e solicitado apoio.

A resposta não se limita à distribuição de ajuda. A Cáritas também mantém informados sacerdotes, religiosos e comunidades paroquiais por meio dos relatórios oficiais sobre vítimas e danos, promove jornadas de oração e incentiva a população a realizar doações em dinheiro e em bens.

Nestas primeiras semanas, a prioridade está voltada para a alimentação. Mas as necessidades são mais amplas: barracas, colchões e utensílios para o preparo de alimentos fazem parte dos pedidos que chegam dos territórios.

Há pessoas que permanecem fora de suas casas, algumas destruídas e outras gravemente danificadas. Também são necessários medicamentos, enquanto a Pastoral da Saúde disponibilizou uma linha de apoio psicológico, com profissionais que oferecem acompanhamento humano em meio à emergência.

Para dom Barreto, esta primeira resposta foi possível graças à solidariedade que se gerou dentro e fora da Colômbia. Os recursos recebidos permitiram enfrentar necessidades imediatas: alimentação e um lugar onde as pessoas possam passar a noite.

“Estamos muito agradecidos, muito felizes com a resposta que tem sido dada até o momento”, afirma.

Mas o presidente da Cáritas Colômbia adverte que a emergência não terminará quando sua presença nos meios de comunicação diminuir.

Um dos principais apelos de dom Barreto é para que a solidariedade seja mantida ao longo do tempo.

“Estas primeiras semanas às vezes têm o foco da mídia”, explica, mas recorda que, depois, surgirão desafios muito mais prolongados: reconstruir colégios, universidades, escolas e hospitais, além das moradias, paróquias e igrejas afetadas.

“Temos de perseverar neste compromisso de ajuda, que precisa ser sustentado ao longo do tempo”, insiste.

A Cáritas Colômbia já elaborou um plano articulado que será adaptado às necessidades de cada território. A primeira etapa prevê ajuda alimentar, itens de saúde e condições para que as pessoas possam descansar durante a noite. Posteriormente, deverão ser desenvolvidas ações para recuperar a normalidade nas instituições de ensino e reconstruir as moradias, algumas de forma total e outras parcialmente.

A experiência acumulada pela Cáritas Colômbia em contextos de emergência, desde o conflito armado até desastres naturais e inundações, constitui um instrumento importante para esta nova crise. Ao mesmo tempo, a organização procura aprender com outras Cáritas e integrar seus esforços aos do Estado e da sociedade civil. A meta, explica o bispo de Soacha, é uma ação “articulada, organizada e adequada”.

Em meio a esta resposta humanitária, a Igreja quis atender outra dimensão do sofrimento: aquela que não se resolve com alimentos, medicamentos ou um teto.

Dom Barreto menciona, na entrevista, a iniciativa da Arquidiocese de Bogotá, que enviou 80 sacerdotes aos territórios mais afetados para oferecer Primeiros Socorros Espirituais. “Também são muito importantes”, reconhece o presidente da Cáritas Colômbia.

A missão começou oficialmente no dia 19 de agosto. Os sacerdotes, organizados em equipes e em coordenação com os bispos das dioceses locais, deslocaram-se para Pereira, Cali, Palmira, Cartago, Buga e Buenaventura.

Sua missão é simples e, ao mesmo tempo, profunda: encontrar-se com as pessoas afetadas, escutá-las, conversar, rezar com elas e oferecer o sacramento da Reconciliação. Trata-se de acompanhar aqueles que enfrentam a desorientação e a dor depois de terem perdido suas casas, seus bens, seus espaços cotidianos e até mesmo seus entes queridos.

O cardeal Luis José Rueda Aparicio, arcebispo de Bogotá, explicou que estes primeiros dias são aqueles que suscitam mais perguntas e desafios nas comunidades afetadas. Por isso, os sacerdotes procuram ir ao encontro delas para transmitir-lhes uma certeza: a Igreja as ama e Cristo permanece com elas.