De carro, de Kiev a Cracóvia, e depois em um voo regular, o cardeal Matteo Maria Zuppi retornu a Roma nesta quinta-feira, 16 de julho, ao concluir a missão na Ucrânia. Foi a segunda missão, após a de 2023, para levar à nação devastada a proximidade e a oração do Papa Leão XIV, que “acompanha com apreensão o conflito e pede que se defenda a humanidade, primeira vítima de toda guerra”. Foram 4 dias do cardeal entre a região de Lviv e a capital Kiev, marcados por uma intensa sucessão de encontros, visitas, celebrações, conversas e compromissos. Os últimos ocorreram quarta-feira (15/07) à tarde — após a cerimônia matinal na Praça de São Miguel pelo Dia da Soberania da Ucrânia, com o presidente Volodymyr Zelensky e outras autoridades civis e religiosas —, começando pelo encontro com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha.
Uma longa conversa na qual foram abordados diversos temas para os quais foi solicitado o apoio da Santa Sé, à qual o ministro, em nome do governo ucraniano, expressou gratidão pelo “compromisso humanitário inabalável”. Compromisso esse que o chefe da diplomacia de Kiev voltou a solicitar a Zuppi, à luz dos esforços de paz e da “visão comum de uma paz global e duradoura”: ele declarou que “a Ucrânia deseja pôr fim a esta guerra mais do que qualquer outro. Ao mesmo tempo, nossa indústria de defesa em rápido crescimento e nossa experiência no campo de batalha estão tornando a Ucrânia um ator cada vez mais importante para a segurança europeia”.
O ministro chamou a atenção para a situação dos civis ucranianos detidos que, segundo ele, “permanecem excluídos de mecanismos eficazes de proteção internacional”. É necessário, portanto, promover “um caminho humanitário específico para a libertação deles”. Sybiha também informou Zuppi sobre a situação humanitária nas comunidades de Oleshky e Hola Prystan, na região de Kherson ocupada por soldados russos, onde milhares de civis precisam “urgentemente” de um corredor humanitário. Também não faltou uma menção ao recente ataque russo ao Mosteiro da Lavra de Kyiv-Pechersk, Patrimônio da UNESCO, cujo aniversário de 975 anos será comemorado em agosto. A proteção e a restauração desse local são uma das prioridades do governo ucraniano.
Os temas do repatriamento de prisioneiros e crianças, da proteção da população e da ajuda humanitária voltaram a ser abordados em várias ocasiões também nas demais reuniões institucionais, durante as quais, Zuppi reiterou várias vezes o que constitui o cerne da sua missão na Ucrânia: “um único militar, um único civil ou uma única criança que possa se reunir com sua família é um passo em direção à paz”, disse o cardeal, assegurando: “todo esforço possível será feito. Essa é a vontade de Leão XIV. O compromisso humanitário deve ser considerado acima de qualquer lógica política ou militar. E é isso que está no coração da Igreja, especialista em humanidade”.
Em Kiev – relatou o jornal católico italiano Avvenire, que acompanha a missão –, o cardeal se reuniu com o chefe do gabinete do presidente, o general Kyrylo Budanov, juntamente com a vice, Iryna Vereschuk; o comissário para os Direitos Humanos, Dmytro Lubinets; o chefe da Inteligência Militar; o general Oleh Ivashchenko, responsável pela Coordenação dos Prisioneiros de Guerra, um grupo de familiares de militares e civis detidos na Rússia. Encontros nos quais foram entregues ao cardeal e ao núncio apostólico, o arcebispo Visvaldas Kulbokas, os pedidos a serem levados a Moscou, para onde Zuppi já foi duas vezes.
Em primeiro lugar, o “projeto de troca de prisioneiros ‘todos por todos’, para o qual solicitamos a ajuda do Vaticano”, explicou o general Ivashchenko. Ou seja, fazer com que os 7 mil militares capturados por Moscou voltem para casa e devolver os 4 mil prisioneiros russos que estão na Ucrânia. O outro ponto diz respeito aos “desaparecidos”, muitos dos quais nos territórios ocupados, o drama dos civis a serem repatriados e a questão das crianças ucranianas levadas para além da fronteira, pela qual a Santa Sé já vem atuando há anos.
Os diversos interlocutores expressaram “esperança” na continuidade dessa ação; assim como – à luz da visita de Zuppi ao Centro de Detenção Zakhid-1, na região de Lviv, com a saudação aos prisioneiros do exército de Moscou – foi expresso o desejo de que o cardeal possa fazer o mesmo na Rússia, onde, sobretudo, os parentes dos prisioneiros afirmam ter provas de torturas e condições desumanas.
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