“Tivemos a oportunidade de aprofundar a nossa compreensão da realidade na Ásia e a conscientização de que, embora vivendo em contextos muito diferentes, estamos unidos em uma única fé, em um único Corpo de Cristo”. Quem explica é o cardeal Tarcisius Isao Kikuchi, arcebispo de Tóquio e Secretário-geral da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), em conversa com a mídia do Vaticano sobre a XII Assembleia Plenária aberta na segunda-feira (20/07) em Jacarta, na Indonésia, e que se encerra no domingo, 26 de julho. Mais de 120 cardeais e bispos reuniram-se para rezar e refletir sobre a missão da Igreja no continente asiático. O cardeal Kikuchi presidiu a celebração eucarística que deu início à Assembleia, marcada por dias ricos em partilha e pela apresentação das reflexões surgidas nas discussões em grupo.
Eminência, quais os principais frutos da Assembleia Plenária até agora? Quais foram os temas e as prioridades principais das suas discussões?
Eminência, a Ásia é um continente extraordinariamente diversificado. O que o senhor aprendeu com os seus confrades bispos durante esta assembleia?
As grandes ondas migratórias na Ásia exigem uma atenção pastoral imediata em muitos países. A tutela da dignidade humana também é uma prioridade em muitos Estados. Embora cada Nação tenha a sua própria situação e os seus próprios problemas, podemos buscar caminhos de cooperação entre as comunidades eclesiais na Ásia. O que as respectivas comunidades eclesiais na Ásia precisam é da compreensão recíproca de suas realidades e de cooperação mútua. Todos os meus confrades bispos, apesar de suas diferentes realidades, pedem o reconhecimento das circunstâncias em que atuam e o apoio, sobretudo espiritual, recíproco.
Os católicos no Japão representam uma porcentagem relativamente pequena da população. Como arcebispo de Tóquio, de que modo o senhor considera que as deliberações destes dias possam ajudar a sua Igreja a testemunhar melhor ou até mesmo a difundir a fé neste contexto?
Segundo as estatísticas oficiais da Igreja, no Japão há menos de meio milhão de católicos. No entanto, na realidade, no país reside pelo menos outro meio milhão de católicos migrantes. O sistema de registro oficial da Igreja no Japão não leva totalmente em conta essas pessoas. Por exemplo, estima-se que cerca de 40 mil filipinos residam na arquidiocese de Tóquio, e muitos jovens vietnamitas que trabalham no Japão com vistos temporários também são católicos. Através dos nossos encontros com os bispos de outros países asiáticos, iniciamos discussões profícuas sobre a realidade dos católicos migrantes e trocamos perspectivas significativas sobre a sua pastoral. Todos concordamos com o fato de que a presença dos católicos migrantes representa uma contribuição significativa para a comunidade eclesial local, enriquecendo a sua diversidade e permitindo à Igreja ser testemunha de unidade na diversidade, em particular em uma sociedade que frequentemente tende à exclusão e ao nacionalismo, como a japonesa. Sendo um exemplo de “unidade na diversidade”, a Igreja no Japão pode proclamar os valores do Evangelho através da sua própria existência, sendo uma comunidade de pessoas de diferentes nacionalidades que caminham e rezam juntas. A sinodalidade é fundamental para este testemunho.
Como foi recebida no Japão a encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV? Dada a liderança do Japão na inovação tecnológica, o senhor considera que o documento teve repercussão na sociedade japonesa? Em sua opinião, quais aspectos podem ser particularmente valiosos no contexto japonês?
A nova encíclica Magnifica humanitas foi objeto de numerosos artigos na imprensa no Japão. De fato, desde a eleição, as palavras e as ações do Papa Leão têm sido amplamente acompanhadas pelos meios de comunicação japoneses. Há um interesse notável pela nova encíclica porque ela aborda o tema da inteligência artificial — que também é uma questão de interesse nacional neste momento —, mas a tradução oficial em japonês ainda está em andamento e aguardamos com expectativa a sua publicação. Somente então poderemos avaliar a reação da opinião pública.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.