Eis como, Filinto Elísio, parceiro do Programa "África em Clave Cultural: personagens e eventos", hoje dedicado ao FLMS, organizado pela Rosa de Porcelana Editora, descreve esta edição 2026.
Ao longo de quatro dias e reunindo uma trintena de convidados, o Festival promoverá mesas temáticas (com reflexões e debates); exposição de livros, leituras diversas e encontros com estudantes da ilha. Uma movida literária e cultural que, a cada ano, altera a rotina turística na ilha do Sal e na vida da vida da cidade de Santa Maria.
A 8ª edição vem traçar novos caminhos epistemológicos e de fazer literários, numa plataforma analítica e crítica da Literatura-Mundo Comparada, desafiando os cânones ao seu alargamento e ao seu recondicionamento.
O Festival homenageia este ano duas figuras importantes, uma na oratura e no cancioneiro cabo-verdiano, Nha Nácia Gomi e outra na poesia brasileira, com reconhecimento internacional, o poeta Manoel de Barros, como faz a cada edição, em tributo a escritores cabo-verdianos e estrangeiros, numa premissa de relação dialógica e fecunda entre os fazedores da literatura.
Tudo começou em 2017, ano do seu arranque e em que os homenageados foram o poeta e diplomata Corsino Fortes e o escritor José Saramago, escritor português, o único Prémio Nobel da Literatura em Língua Portuguesa.
Em 2018, na 2ª edição, os homenageados foram o poeta cabo-verdiano Mário Fonseca e o poeta argentino Jorge Luiz Borges, argentino, um dos maiores poetas do século XX.
Em 2019, na 3ª edição, foram homenageados a prosadora cabo-verdiana Orlanda Amarílis e o romancista alemão Johann Wolfgang von Goethe, figura central da literatura alemã e do Romantismo europeu.
O Festival deu uma trégua de dois anos, durante a pandemia global (2019-2021) retomando a 4ª edição em 2022, com homenagens ao poeta e cientista cabo-verdiano João Vário (de Cabo Verde) e ao escritor e investigador maliano Amadou Hampâté Bá.
A 5ª edição, em 2023, homenageou as figuras de Dulce Almada Duarte, linguista cabo-verdiana, e de António Tabucchi, romancista italiano.
A 6ª edição, em 2024, foi especial, porquanto em tributo ao Centenário de Amílcar Cabral, Fundador das Pátrias de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, poeta e ensaísta, e fez tributo aos Quinhentos Anos do Poeta Luís Vaz de Camões. Essa edição foi precedida pelo Simpósio Internacional Amílcar Cabral no Sal e sucedida pelo Simpósio Internacional Amílcar Cabral na Universidade de Sorbonne – Paris.
Na 7ª edição, em 2025, celebrou-se no Festival os 50 anos das independências de Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, com trabalhos e homenagens através das gerações literárias dos poetas Agostinho Neto, Onésimo Silveira, Noémia de Sousa e Alda Espírito Santo, respetivamente.
Autores, professores, investigadores, estudiosos, críticos, mediadores culturais e leitores, de várias paragens do mundo, circulam pela ilha do Sal na redefinição do sistema-mundo literário. E fazem-no pela procura de novos modos de reconhecimento das literaturas ditas periféricas e pretensamente subalternizadas por uma ordem cultural central, diga-se ocidental.
Os reunidos na ilha do Sal, pretendem, neste ano em que se celebra os 90 anos da revista Claridade, os 40 anos do Movimento Pró Cultura e o ano zero do I Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, sob o lema “Edificar Pontes, Construir um Futuro Melhor”, lançar um olhar sobre a literatura cabo-verdiana, valorizando os seus traços de identidade crioula e de singularidade insular, assim como os seus pontos de identificação histórico-cultural, condição para se aferir o seu potencial de diálogo e de complementaridade com outos sistemas literários do mundo.
O FLMS tem, desde há alguns anos, a curadoria científica da Professora Inocência Mata. Natural de São Tomé e Príncipe, ela é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na área de Literaturas, Artes e Culturas, e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas.
De entre os participantes nesta 8ª edição, escritores de renome como os cabo-verdianos, Germano Almeida (premio Camões 2018), Jorge Carlos Fonseca, da Guiné-Bissau, Odete Semedo e o nosso colega, Filomeno Lopes que apresentará o seu livro “Mudança de Paradigmas”; e vários outros. Da Itália, uma das participantes é a professora, Elisa Alberani (Docente na Universidade de Milão) que, em vésperas da partida para Cabo Verde, confiou à Rádio Vaticano o seu relacionamento com a realidade linguístico-literária cabo-verdiana, os autores que estuda e ainda o entusiasmo e expetativa com que participa pela primeira vez neste Festival.
https://www.vaticannews.va/pt/podcast/africa-em-clave-cultural-personagens-e-eventos/2026/06/africa-em-clave-cultural-personagens-e-eventos-18-06-2026.html
https://www.vaticannews.va/pt/podcast/africa-em-clave-feminina-musica-e-arte/2020/07/africa-em-clave-feminina-musica-e-arte-02-07-2020.html
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.