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Bispos da SACBC - Apelo a renovar o espírito do bem comum

O apelo consta de uma Carta Pastoral sobre as Eleições Autárquicas de 2026, assinada pelo Presidente da SACBC, Cardeal Stephen Brislin, no final da Assembleia Plenária dos bispos, reali...

Bispos da SACBC - Apelo a renovar o espírito do bem comum

O apelo consta de uma Carta Pastoral sobre as Eleições Autárquicas de 2026, assinada pelo Presidente da SACBC, Cardeal Stephen Brislin, no final da Assembleia Plenária dos bispos, realizada em agosto, em Pretória. A carta enquadra as eleições de 4 de novembro no contexto mais amplo da doutrina social da Igreja e da preocupação da Igreja pela dignidade de cada pessoa e pelo bem-estar da sociedade.

Citando a Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, os bispos recordam que “a política, tão denegrida, é uma sublime vocação e uma das formas mais preciosas da caridade”, quando procura o bem comum.

Os bispos manifestam a sua gratidão pelo sistema democrático da África do Sul, mas reconhecem os graves desafios que afectam os municípios, particularmente a crise na prestação de serviços. Comunidades de todo o país continuam a enfrentar “falta de água”, acumulação de resíduos não recolhidos, estradas em mau estado e instalações insuficientes para a recreação dos jovens.

A Carta Pastoral identifica vários factores que contribuem para a deterioração da governação local, incluindo o nepotismo e a corrupção, a captura dos municípios pelo crime organizado, a instabilidade dos governos de coligação, o chamado cadre de deployment, a falta de profissionalismo no serviço público e a politização das comissões de bairro (ward committees), que deveriam promover a responsabilização.

Ao mesmo tempo, os bispos alertam para o perigo de atribuir toda a responsabilidade aos líderes políticos e às instituições.

“Devemos também ser honestos quanto ao nosso próprio papel enquanto cidadãos”, afirmam, apontando para práticas como o não pagamento dos serviços municipais, o suborno, as ligações ilegais de electricidade, a ocupação ilegal de terrenos, o vandalismo, a deposição ilegal de resíduos e a criminalidade violenta.

Para os bispos, estas realidades revelam um enfraquecimento mais profundo do espírito do bem comum e do ubuntu — uma tendência para colocar os interesses individuais ou partidários acima do bem-estar da comunidade em geral.

Neste contexto, os bispos dirigem um apelo particular aos jovens para que se tornem participantes activos na construção do futuro do país. Exortam todos os cidadãos a votar e sublinham que “ninguém deve ficar em casa”.

O apelo dá continuidade a uma série de iniciativas de participação cívica promovidas pela Comissão Justiça e Paz da SACBC, em parceria com a Citizens ZA e a Comissão Eleitoral Independente (IEC). Em Julho, estudantes católicos do ensino superior e jovens de seis foranias da Arquidiocese de Joanesburgo participaram em programas de educação cívica destinados a promover um voto informado, uma cidadania responsável e uma liderança ética.

Durante uma dessas iniciativas, o Cardeal Brislin desafiou os jovens a compreenderem a participação não simplesmente como uma obrigação eleitoral, mas como uma responsabilidade perante o futuro da sociedade. Exortou os eleitores a exercerem cuidadosamente a sua consciência, tendo em consideração líderes que demonstrem honestidade, integridade e um verdadeiro compromisso com o serviço aos pobres, desempregados e vulneráveis.

A Carta Pastoral dos bispos reforça esta mensagem, sublinhando, porém, que votar, por si só, não é suficiente.

“Lançar o nosso voto deve andar de mãos dadas com a nossa disponibilidade para trabalhar pelo bem comum — tanto dentro dos partidos políticos como na nossa vida quotidiana enquanto cidadãos”, escrevem.

Inspirando-se no Livro do Deuteronómio, os bispos apresentam a participação na vida pública como uma escolha pela vida: “Coloquei diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida”.

Escolher a vida significa eleger líderes comprometidos em servir honestamente as suas comunidades; respeitar os bens públicos e rejeitar o vandalismo e a ilegalidade; apoiar funcionários públicos que resistam à corrupção e ao nepotismo; incentivar os partidos políticos a cooperarem em favor do bem comum, particularmente nos governos de coligação; e garantir que as comissões de bairro sirvam verdadeiramente as comunidades, em vez de interesses partidários.

Os bispos apelam igualmente aos partidos políticos, candidatos independentes, meios de comunicação social, sociedade civil e instituições do Estado para que actuem de forma responsável durante o processo eleitoral. Pedem que as eleições sejam pacíficas, livres e justas, garantindo que todos os cidadãos possam votar sem medo e que os resultados eleitorais sejam aceites num espírito de paz e responsabilidade.

A carta conclui com uma oração na qual os bispos confiam a África do Sul e as eleições a Deus, pedindo ao Senhor que guie os líderes do país, fortaleça as comunidades e inspire os cidadãos a “agir com sabedoria e coragem”.

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