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Bispo Raspanti: na visita do Papa a Lampedusa, a nossa batalha pela fraternidade

Falta pouco para a visita pastoral de Leão XIV a Lampedusa. A visita em si também ocorrerá em um arco de tempo não muito longo, mas ainda assim denso, com o Papa fazendo uma parada no c...

Bispo Raspanti: na visita do Papa a Lampedusa, a nossa batalha pela fraternidade

Falta pouco para a visita pastoral de Leão XIV a Lampedusa. A visita em si também ocorrerá em um arco de tempo não muito longo, mas ainda assim denso, com o Papa fazendo uma parada no cemitério da ilha para uma homenagem floral sobre os túmulos dos migrantes mortos no Mediterrâneo, dirigindo-se à Porta da Europa e ao Cais Favarolo, onde abençoará a placa que batiza o local de chegada em homenagem ao Papa Francisco. Em seguida, haverá o encontro com os migrantes, a celebração da Missa — onde foi colocada a imagem de Nossa Senhora de Porto Salvo — e a saudação às autoridades, às crianças enfermas e aos voluntários. Um tempo precioso dedicado à memória, à oração e àqueles que sofrem, treze anos após a visita pastoral de Francisco que, de Lampedusa, lançou o apelo contra a “globalização da indiferença”.

Em uma entrevista ao Vatican News, o bispo de Acireale e presidente da Conferência Episcopal da Sicília (CESi), Dom Antonino Raspanti, detém-se sobre o sentido da visita papal. “A conscientização: não podemos fazer nada porque nós não legislamos nada, o Papa não legisla. Porém, a sua viagem é também a nossa batalha diária, o nosso falar cotidiano na sociedade comum, com os órgãos competentes. Isso faz com que se mantenha elevado, por exemplo, como o Papa disse na Encíclica, o valor da vida das pessoas, alguns dos direitos fundamentais de cada pessoa humana, como o de se deslocar, e da fraternidade”. Para Dom Raspanti, “o ponto central permanece: não podemos apagar a voz de quem é fraco. O Papa Francisco e, agora, o Papa Leão tiveram sempre a coragem, a firmeza e a clareza de defender, expressar e levantar uma voz que não é tanque de guerra nem míssil, mas vimos e continuamos a ver quanta influência ela tem sobre a opinião pública mundial”.

Enquanto isso, o drama das migrações continua, e não apenas em Lampedusa. “Muitos — destaca o bispo de Acireale — não ficam conosco justamente porque aqui na Sicília é realmente mais difícil por mil razões. Porém, nem sempre encontram acolhimento em outros lugares: uma rejeição feita de preconceitos, uma rejeição feita de desprezo e, muitas vezes, de medos. Porque, é preciso admitir, existem medos sobre os quais, às vezes, para inflamá-los, para intensificá-los, sopram também alguns que têm interesses de vários tipos, e isso não é bom, porque tudo isso não traz a paz, não suaviza as relações fraternas que devem vigorar no seio da sociedade". "Pelo contrário — afirma Dom Raspanti —, criam-se continuamente atritos, se não verdadeiros confrontos que depois — conclui — resultam em atos violentos, como infelizmente vemos acontecer de tempos em tempos, tanto por parte dos chamados imigrantes em relação a algumas pessoas locais, como muitas vezes, porém, também o contrário”.

Sobre a visita pastoral de Leão XIV a Lampedusa e o significado que ela tem, em particular, para a Igreja siciliana, Dom Raspanti afirma: “Sabemos que o Papa quer visitar Lampedusa devido à realidade dos migrantes, e com as nossas Igrejas locais nós estamos aqui na linha de frente. Estamos no coração do Mediterrâneo e assistimos há décadas a esse fluxo extraordinário de pessoas, com as alegrias e as dores, com os lutos terríveis, as tragédias que acolhemos e escutamos porque muitos daqueles que chegam nos contam”. Mas, acrescenta, há também “coisas belas: algumas mulheres que chegam e dão à luz ou que deram à luz há pouco tempo, e aqueles que querem permanecer conosco na Sicília. Portanto, para nós — observa o bispo siciliano — é significativo e é também um estímulo, um encorajamento para olhar com benevolência e coração aberto para quem chega. Obviamente, percebemos as dificuldades, que não se cuida como se deveria, que existem grandes falhas e imprecisões, portanto tudo deveria ser melhor organizado. Porém, o acolhimento é uma das coisas mais belas e é também um valor evangélico”.

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