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Avanços e inventos da Providência Divina

A história dos inventos e do desenvolvimento tecnológico pode ser compreendida também à luz da Providência Divina, que se manifesta na capacidade concedida por Deus ao ser humano de con...

Avanços e inventos da Providência Divina

A história dos inventos e do desenvolvimento tecnológico pode ser compreendida também à luz da Providência Divina, que se manifesta na capacidade concedida por Deus ao ser humano de conhecer, criar, transformar e colocar a realidade a serviço do bem comum. A inteligência, a criatividade e a sabedoria humanas, iluminadas pela busca da verdade, participam de certo modo da obra criadora de Deus, fazendo surgir, ao longo dos séculos, descobertas e tecnologias que transformaram profundamente a vida da humanidade. A Igreja reconhece essa dimensão positiva da ciência e da técnica, recordando sempre que o progresso tecnológico precisa ser orientado pela dignidade da pessoa humana, pela justiça, pela solidariedade e pelo cuidado com a criação. Documentos como a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, a encíclica Laborem Exercens, de São João Paulo II, a Caritas in Veritate, de Bento XVI, e a Laudato si’, do Papa Francisco, ajudam a compreender que a ciência e a tecnologia são dons e responsabilidades: quando colocadas a serviço do ser humano e do bem comum, podem ser instrumentos pelos quais a inteligência humana, sob a ação da Providência, coopera para o desenvolvimento e para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Neste contexto, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje a reflexão "Avanços e inventos da Providência Divina", destacando mais uma vez Pe. Roberto Landell de Moura (1861–1928) sacerdote, cientista e inventor brasileiro, reconhecido como um dos principais pioneiros mundiais da telecomunicação e o verdadeiro inventor do rádio:

"O Decreto do Concílio Ecumênico Vaticano II Inter Mirifica, promulgado por São Paulo VI, a 4 de dezembro de 1963, expressa claramente a providência divina dos inventos e da tecnologia que foram surgindo no decorrer da história, com a ajuda de Deus, por meio da Sabedoria humana, recebida do Criador e Pai providente. Diz assim o primeiro parágrafo (n.01) desse importante documento do Concilio Vaticano II que retrata sobre os Meios de Comunicação Social: "Entre os maravilhosos inventos da técnica que, principalmente nos nossos dias, o engenho humano extraiu, com a ajuda de Deus, das coisas criadas, a Santa Igreja acolhe e fomenta aqueles que dizem respeito, principalmente, ao espírito humano e abriram novos caminhos para comunicar facilmente notícias, ideias e ordens"(Inter Mirifica, n.1). 

A Carta apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “o rápido desenvolvimento”, dirigida aos responsáveis pelas comunicações sociais, no número 2, diz assim: “A mais de quarenta anos após a publicação daquele documento – Inter Mirifica - é muito oportuno voltar a refletir sobre os "desafios" que as comunicações sociais constituem para a Igreja, a qual, como realçou o Papa Paulo VI, "se sentiria culpável diante do seu Senhor se não usasse estes poderosos meios"(Exortação Apostólica Evangelii Nunciandi, número 35). Ou seja, Se a Igreja não utilizar os Modernos Meios de Comunicação – o rádio, a TV, o telefone, a internet, hoje a Inteligência Artificial, etc. será culpada diante de Deus no seu trabalho de levar o Evangelho a todos os povos. Isso já dizia em bom tom o saudoso São Paulo VI, na famosa e pioneira Exortação Apostólica Evangelii Nunciandi, que aponta a identidade da Igreja como sendo missionário no seu nascituro, embrião e constituição. A identidade da Igreja se perde se não evangelizar, como fez potencialmente o apóstolo Paulo, que chegou a dizer um dia dessa forma: “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor 9,16)

A Constituição Pastoral Gaudium et Spes – que retrata a missão da Igreja no mundo, no número 05 referenda um título importante da evolução da técnica: “Evolução e domínio da técnica e da ciência”. E descreve dessa forma essa questão da tecnologia: “A atual perturbação dos espíritos e a mudança das condições de vida, estão ligadas a uma transformação mais ampla, a qual tende a dar o predomínio, na formação do espírito, às ciências matemáticas e naturais, e, no plano da ação, às técnicas, fruto dessas ciências. Esta mentalidade científica modela a cultura e os modos de pensar duma maneira diferente do que no passado. A técnica progrediu tanto que transforma a face da terra e tenta já dominar o espaço”.

Dentro desse contexto, começamos a aprofundar os inventos e descobertas, e a de modo especial, destacar a figura do inventor do rádio, infelizmente não reconhecido, Pe. Roberto Landell de Moura. Há na história da ciência omissões de nomes de sábios inventores, bem como de fatos e episódios interessantes relacionados com as suas experiências. Muitas invenções, principalmente das últimas décadas do século passado até os nossos dias, estão ainda por ser esclarecidas, a fim de saber-se a quem realmente pertence a prioridade delas, uma vez que concomitantemente mais de um sábio fazia experiências em vários países sobre a mesma descoberta. Assim aconteceu quanto à máquina de escrever, à aviação e ao rádio. Citamos apenas esses três inventos por terem eles relações com o Brasil. “Sobre o primeiro, foi o padre brasileiro Francisco João de Macedo que, no século passado, deu remodelação total à máquina de escrever que serviu de modelo às suas congêneres atuais. Quanto à aviação, não há dúvida que foi o aeronauta brasileiro Santos Dumont o primeiro que deu dirigibilidade ao aparelho mais pesado que o ar. E a respeito do rádio, devem-se as primeiras experiências com pleno êxito ao brasileiro Padre Roberto Landell de Moura, que patenteou seus inventos, em 1902-1903, nos Estados Unidos”[1].

Nossa intenção aqui é fazer jus à história do Rádio, uma verdade história para fazer memória desse que foi um padre e gênio brasileiro, não reconhecido como tal, que morreu no anonimato. Uma das obras, embora antigas, quer resgatar dados e informações que resgatam o passado ilustre desse jesuíta gaúcho. A obra judiciosa de Ernani Fornari, no livro “O incrível Pe. Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro”, Editora Globo – Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, de 1960, é “como que um patriótico apelo ao tribunal da opinião pública brasileira, pleiteando o lugar de honra, na história da radiotelegrafia e radiotelefonia, a que faz jus o nome glorioso do nosso genial patrício, o qual, tendo oportunidade de fazer fortuna com seus inventos nos Estados Unidos, e cobrir de glória o seu nome, preferiu morrer ignorado — por amor à sua pátria”[2]. Facilmente se lê assim, numa rápida procura no Google, pelo nome do cônego Padre Roberto Landell de Moura, como o pioneiro na radiodifusão: “O seu primeiro registro inconteste, documentado publicamente, é de 3 de junho de 1900, testando com sucesso aparelhos que transmitiram sem fio sons e sinais telegráficos. No Brasil ele usualmente é considerado o pioneiro em nível mundial. Nos outros países sua realização permanece largamente ignorada, embora um crescente número de fontes estrangeiras estejam aceitando sua primazia”[3].

[1] FORNARI, Ernani. “O incrível Pe. Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro”, Editora Globo – Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, 1960, orelhas do livro do autor. [2] Idem. [3]Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Landell_de_Moura ________________________

Pe. Gerson Schmidt* – Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município.

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