Roma

As feridas da Igreja na Venezuela, devastada pelo terremoto

«Só na Arquidiocese de Caracas, estima-se que pelo menos 25 igrejas tenham sido danificadas e que muitas delas tenham de ser demolidas, uma vez que já não são recuperáveis». Dom José Lu...

As feridas da Igreja na Venezuela, devastada pelo terremoto

«Só na Arquidiocese de Caracas, estima-se que pelo menos 25 igrejas tenham sido danificadas e que muitas delas tenham de ser demolidas, uma vez que já não são recuperáveis». Dom José Luis Azuaje Ayala, arcebispo de Maracaibo e primeiro vice-presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, manifesta pesar pelos terremotos que assolaram o país. E, na qualidade de presidente da Caritas nacional, procura ilustrar aos meios de comunicação do Vaticano as feridas que os poderosos tremores de 24 de junho infligiram também à Igreja.

No Estado de La Guaira, no epicentro, ainda não há dados concretos, mas os danos são enormes: «não só se perderam algumas igrejas, como também as comunidades paroquiais, uma vez que foram numerosas as habitações destruídas, o que implica que o número de fiéis se reduziu drasticamente». Também o seminário da cidade, com os seus 50 anos de história, ficou danificado: talvez tenha de ser demolido.

E enquanto o último balanço oficial das vítimas aponta 2.595 mortos e quase 12 mil feridos, o bispo confirma que o sistema de saúde está à beira do colapso, com hospitais de campanha que se revelam insuficientes. Nem sequer temos câmaras mortuárias. «Os cadáveres são empilhados no pátio do porto.» Quando tudo corre bem, acrescenta, «os familiares vão até lá, identificam os seus entes queridos e levam-nos embora». Mas mantém-se o alarme em relação aos corpos abandonados em locais improvisados: com as altas temperaturas, estes podem desencadear epidemias difíceis de controlar.

Embora não haja certeza quanto ao número de deslocados — algumas organizações internacionais estimaram que haveria 16 mil pessoas sem casa e 28 mil vivendo em edifícios considerados inabitáveis — o presidente da Caritas admite que o número está, de qualquer forma, aumentando de dia para dia: «nesta primeira fase, concentramo-nos em dar resposta a todas as situações de emergência dos sobreviventes, prestando-lhes assistência. Agora, vamos proceder ao recenseamento dos deslocados: o que é preciso fazer é garantir que essas pessoas, que se encontram sobretudo em campos de acolhimento ou em locais de refúgio, não permaneçam lá durante demasiado tempo».

Neste momento tão difícil, a Igreja venezuelana está tentando, por todos os meios, ajudar a população, sobretudo os mais vulneráveis. «E está fazendo — explica dom Azuaje Ayala — fornecendo-lhes o necessário, como comida e água, mas também com apoio psicológico e espiritual. O desafio é enorme. Há muitas famílias vivendo nestes campos de refugiados e é precisamente aí que este tipo de apoio deve chegar». É dada grande atenção também às crianças e às mães solteiras. «As mães solteiras precisam ser acompanhadas nesta situação em que se sentem abandonadas, sem um teto sobre a cabeça e sem um horizonte claro. Também neste caso, estamos lá para acompanhar, para que saibam que a Igreja está com elas».

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