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Angola - Peregrinação de Motoqueiros ao Santuário da Muxima

A iniciativa está enquadrada no âmbito da realização da maior manifestação pública de fé, que acontece no Santuário da Mamã Muxima, de 3 a 6 de setembro de 2026, sob o lema: “Mamã Muxim...

Angola - Peregrinação de Motoqueiros ao Santuário da Muxima

A iniciativa está enquadrada no âmbito da realização da maior manifestação pública de fé, que acontece no Santuário da Mamã Muxima, de 3 a 6 de setembro de 2026, sob o lema: “Mamã Muxima, Mãe bondosa e modelo de santidade, rogai por nós”.

O bispo da Diocese de Viana, Dom Emílio Sumbelelo, olha com preocupação para o crescente drama da sinistralidade rodoviária em Angola, particularmente para os acidentes que envolvem motociclos e que deixam, diariamente, famílias marcadas pela dor, pela perda e pelas consequências físicas e psicológicas dos sinistrados.

A bênção dos motoqueiros pode assumir três dimensões: A espiritual que vai compreender a oração pelos motociclistas, passageiros, condutores e vítimas dos acidentes.

A dimensão pastoral está em torno da aproximação da Igreja a uma comunidade particularmente exposta aos riscos da estrada. E a dimensão social e preventiva visa apelar à responsabilidade, prudência, respeito pelo Código de Estrada e defesa da vida.

Ao convocar os motoqueiros para uma peregrinação e para um momento de bênção, a Igreja pretende criar um espaço de oração, reflexão e sensibilização, disse  o porta--voz da Diocese, Padre Queirós Figueira.

Os motoqueiros enaltecem a iniciativa da Igreja particular de Viana, pelo que lançam um apelo à adesão em massa e dizem estar preparados para a peregrinação ao Santuário da Mamã Muxima.

 Ao colocar a dimensão espiritual no centro da iniciativa, a Igreja não pretende apresentar a bênção como uma garantia contra acidentes, mas sim como um gesto de fé, de entrega e de compromisso com a vida. A mensagem é um convite a colocar a responsabilidade no centro de cada deslocação: respeitar o Código de Estrada, evitar a velocidade excessiva, não conduzir sob efeito de álcool, utilizar equipamentos de proteção e adotar uma postura de prudência perante os demais utilizadores da via.

Segundo dados apresentados pela Direção de Trânsito e Segurança Rodoviária, entre janeiro e junho de 2026, Angola registou 6.135 acidentes de viação, que provocaram: 1.576 mortos e 4.559 feridos.

Os dados foram divulgados em agosto de 2026 e colocam a sinistralidade rodoviária entre os problemas mais graves de segurança e saúde pública do país. 

Durante a reunião do Conselho Nacional de Viação e Ordenamento do Trânsito (CNVOT), realizada no dia 8 de abril de 2026, sob a liderança da vice-presidente da República, Esperança da Costa, foi analisado o período de setembro de 2025 a fevereiro de 2026, em que se registaram 1.558 mortes, 125 vítimas mortais a mais do que no período homólogo. 

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e S.Tomé (CEAST) e Arcebispo de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba, renovou o seu apelo para uma maior responsabilidade nas estradas. O prelado, manifestou preocupação, com a sinistralidade rodoviária que se assiste em várias estradas do país, com destaque para o recente acidente no Kuanza-Sul, que vitimou 22 pessoas.

 A fé cristã atribui grande valor à vida humana e, por isso, uma iniciativa deste género pode transformar-se numa oportunidade para recordar que proteger a própria vida, constitui uma forma concreta de responsabilidade cristã.

A bênção dos motoqueiros, prevista para o dia 02 de setembro, poderá ser um momento de oração, mas também de consciencialização. Um momento em que a Igreja se aproxima de uma categoria de utilizadores particularmente vulnerável e lhe recorda que a liberdade de circular deve caminhar lado a lado com o dever de proteger a própria vida e a vida dos outros.

As províncias apontadas pelo CNVOT como estando entre as mais críticas são: Luanda, Huíla, Huambo, Benguela, Cuanza Sul, Icolo e Bengo e Bié.

As autoridades destacam ainda que os acidentes mais letais ocorrem frequentemente de madrugada e em zonas de difícil assistência médica, envolvendo muitas vezes veículos de transporte coletivo de passageiros. Entre os fatores associados aparecem velocidade, fadiga, sonolência e não utilização do cinto de segurança. 

A tragédia mais recente ocorreu na madrugada do dia 3 de agosto de 2026, na Estrada Nacional nº100, na localidade de Quibaúla, província do Cuanza Sul, a cerca de 20 quilómetros do Sumbe e vitimou mortalmente 22 pessoas.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades policiais, um autocarro da empresa Macon, que fazia a ligação Huíla-Luanda, colidiu com uma motorizada de três rodas que transportava combustível em bidões. Na sequência do embate, o motociclo incendiou e o fogo atingiu o autocarro, 22 pessoas morreram, 12 ficaram gravemente feridas e 13 passageiros saíram ilesas. O autocarro transportava 46 passageiros.

Os feridos foram inicialmente encaminhados para unidades hospitalares do Sumbe e, devido à gravidade das queimaduras, alguns foram posteriormente transferidos para Luanda, incluindo para tratamento especializado de queimados.

Assim, a iniciativa da Diocese pode ser apresentada não apenas como uma atividade religiosa, mas como uma resposta pastoral a uma tragédia social que atinge diretamente as comunidades.

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