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A liberdade humana sob o olhar do Amor Esponsal

Diác. Adelino Barcellos Filho - Diocese de Campos/RJ. Em sua alocução para o Angelus em 14 de junho de 2026, o Papa Leão XIV reforçou o anseio espiritual humano de Jesus pela nossa Salv...

A liberdade humana sob o olhar do Amor Esponsal

Diác. Adelino Barcellos Filho - Diocese de Campos/RJ.

Em sua alocução para o Angelus em 14 de junho de 2026, o Papa Leão XIV reforçou o anseio espiritual humano de Jesus pela nossa Salvação, pela Eternidade Feliz. Ao descrever a compaixão de Cristo como Vontade de Redenção, o Pontífice destaca o compromisso inabalável e insubstituível de Deus com o resgate da Alma.

Apesar do caráter positivo da Revelação, muitos focam apenas nas proibições, ignorando que o pecado (adultério da Alma) — seja ele mortal ou venial — é sempre um "bem ilusório" que obstrui a Paz divina. A verdadeira cura reside no empenho pela santidade, na obediência a Deus, a exemplo de Cristo, que se entregou integralmente pela nossa plena Libertação do pecado e da morte (Filipenses 2, 8).

“O Dom de Jesus é gratuito, o seu valor ultrapassa toda a medida: é impossível merecê-lo ou “comprá-lo”, recorda o Santo Padre.

O Santo Padre nos lembra que o Dom de Jesus é a própria Graça (Amor esponsal) sem medidas, impossível de ser ignorado ou tratado de forma irresponsável. Contudo, a persistência no pecado mortal sem conversão em vida leva a um abismo intransponível, pois não há resgate sacramental post mortem. Desconsiderar essa realidade desonra o Sacrifício redentor de Cristo (CIC 1854-1864).

Deus, em Seu respeito absoluto pela Liberdade e por Sua própria imagem em nós (Ele é fiel a Sua própria Liberdade), não interfere no livre-arbítrio sem consentimento, nem retira alguém do inferno, pois isso seria revogar o juízo definitivo (particular - na hora da morte e o universal - “donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”) e o mau uso pleno da liberdade.

A parábola de Lucas (16, 19-31 - “o rico e Lázaro) ilustra esse destino espiritual: enquanto a vida terrena permite boas ou más escolhas, pelo livre-arbítrio, o egoísmo do ‘rico’ e sua indiferença diante do sofrimento alheio, ausência de empatia, traçaram o rumo de sua alma;

A inversão após a morte denota a Justiça divina, enquanto prática da Misericórdia, com Lázaro sendo confortado no "seio de Abraão" enquanto o rico sente dor (física ou moral) no inferno, rogando inútilmente por um alívio mínimo. O abismo intransponível simboliza a imutabilidade espiritual após a morte, impedindo a transição entre glória e tormento.

A importância da Palavra reforça que a Salvação foi revelada por meio de Moisés e dos Profetas (no passado e no presente); quem A rejeita em vida não se converterá nem diante de sinais extraordinários, vão atribuir a coincidências ou fatores psicológicos (“cegos a guiar outros cegos”; “escuta e não ouve”; “vê e não enxerga”).

A história de Tobias e Tobit também nos oferece lições cruciais. Tobit instruiu seu filho no temor ao Senhor e na rejeição ao pecado (Tobias 1, 9). Mesmo vivendo no exílio em Nínive com seus familiares, Tobias preservou sua integridade espiritual ao rejeitar as iguarias oferecidas pelos pagãos.

Por permanecer fiel a Deus interiormente, obteve a benevolência do rei Salmanasar, que lhe garantiu total autonomia (Tobias 1, 9-14). Mais tarde, o Arcanjo Rafael revelou que a oração, o jejum (de comida ou da relação sexual) e a retidão são caminhos de cura, advertindo que o pecado torna o homem inimigo de si mesmo (Tobias 12, 5-10).

Pela vossa retidão, a provação vos testou via tentação. Deus enviou-me para curar-vos e libertar Sara do demônio Asmodeu (na Demonologia, é o ‘Rei dos Demônios’, associado à luxúria e ao adultério). Sou o anjo Rafael, um dos sete diante do Senhor.

No âmbito do Matrimônio, o Sacramento reflete o Amor Esponsal de Cristo por Sua Igreja, distinguindo-se do contrato civil material, a regulação de bens e obrigações civis. O exemplo de Sara, cujos maridos anteriores pereceram sob a influência e astúcia do demônio Asmodeu, serve de alerta solene.

A inversão contemporânea de valores (o mal assume a aparência de bem, de “bonzinho”, “fofo”), muitas vezes disfarçada de "oratória astuta" e retórica doce, tenta desviar o fiel da Verdade. Tal astúcia, que oculta propósitos prejudiciais, assemelha-se às tentações no deserto (Mateus 4, 1-11). O diabo “com a oratória astuta”, com promessas fantásticas, sedutoras e esplêndidas, busca suprir apenas as necessidades meramente humanas ou “carnais”.

A advertência "o diabo tem oratória astuta" funciona como um sinal de alerta contra indivíduos bajuladores ou manipuladores. O conceito central é que propósitos altamente prejudiciais costumam ser ocultados por um discurso persuasivo, doce e gentil, “fofo”. Esta realidade é expressa nos Evangelhos sinóticos (Mateus 4,1-11; Lucas 4,1-13; e Marcos é mais breve (1,12-13).

A expressão "o diabo tem oratória astuta" serve como um alerta crucial contra a manipulação e a lisonja. Essa metáfora, fundamentada nos relatos dos Evangelhos sinóticos (Mateus 4,1-11; Lucas 4,1-13; Marcos 1,12-13), revela como as intenções nocivas costumam ser camufladas por discursos gentis e persuasivos, de um atrevimento sem igual.

Essa dinâmica fundamenta-se em três pilares: a Dissimulação, onde a malícia se traveste de semblantes cativantes; o Poder de Persuasão, que utiliza a suavidade para desarmar a vigilância alheia; e a necessidade de Vigilância constante, lembrando que o caráter deve ser julgado pelas ações e não pelas palavras (princípio Moral fundamental).

Culturalmente, compreende-se que a astúcia representa uma ameaça muito mais profunda e perigosa do que o uso direto da força física. Ao contrário, o zelo pela Casa de Deus faz crescer na firmeza de caráter (João 2, 17). É na instrução catequética (CDC; CIC), que reside a capacidade de transformar a Fé de Jesus Cristo, em algo vivo, explícito e atuante no Amor do Pai, em mim e em você.

Nesse cenário, o Sacramento do Matrimônio - celebrado pelos noivos, na presença de um legítimo representante da Igreja Católica - emerge como um baluarte essencial, o casal forma a primeira comunidade da Igreja Doméstica. Ao refletir o Amor Esponsal de Cristo por Sua Igreja, ele se torna o alicerce para o florescimento das vocações e do chamado à santidade, baseando-se na Liberdade plena e no Respeito mútuo.

Em contrapartida, a negligência deste Sacramento pode deixar o casal vulnerável a influências malignas, disfarçadas de um falso bem-estar e ilusória felicidade, “está tudo bem” - “está tudo ótimo”. Essa negligência espiritual conduz à letargia — um estado de anestesia ou esgotamento da alma — que, de forma análoga ao adultério, impede os cônjuges de discernir a Luz da Verdade e a todos nós de experienciar o infinito Amor Esponsal de Jesus Cristo, desejoso em desposar as nossas Almas.

Em resposta aos Saduceus Jesus afirmou: “Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento; mas os que forem julgados dignos de ter parte no mundo futuro e na Ressurreição dos mortos, não se casarão nem se darão em casamento. E já não poderão morrer, pois serão como os anjos e serão filhos de Deus, porque são Filhos da Ressurreição.”(Lucas 20, 34-36; Mateus 22, 30; Marcos 12, 25).

Na Eternidade Feliz serão apagadas de nossas consciências toda a desordem, desequilíbrios, malícias, pecados de toda espécie (adultérios de nossas Almas), que podem iniciar aqui, na vivência dos Sacramentos e no bom uso dos Sacramentais (Bênçãos que jorraram do lado aberto de Cristo = “porém, um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu Sangue e Água” (João 19, 34). As relações não serão mais de ordem carnal e terrena, mas espiritual, no Amor Esponsal de Cristo Jesus.

Meu Amado Jesus, Esposo da minha alma, que se deixou morrer por mim na Cruz! Une o meu coração ao Seu de tal forma que eu não deseje outra coisa senão Lhe Amar e fazer a Sua Vontade. Inflama o meu ser e aumenta em mim a Vossa Fé, com o Seu Espírito Santo, para que a minha vida seja uma resposta de entrega, doação e Alegria à Sua presença, no cumprimento diário da Vontade do Pai. Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do Amor autêntico e esponsal, com plena confiança, a Vós nos consagramos. Rogamos as Graças indispensáveis à nossa Salvação e Santidade de vida. Expressamos nossa gratidão. Amém.

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