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A Cisjordânia está sangrando, Faltas: escutar os apelos do Papa pelo fim da violência

Na Terra Santa, a violência que nunca abandonou esta terra intensifica-se mais uma vez, uma violência que se expande para novos atos de vingança, que aumenta a lista de mortes e destrui...

A Cisjordânia está sangrando, Faltas: escutar os apelos do Papa pelo fim da violência

Na Terra Santa, a violência que nunca abandonou esta terra intensifica-se mais uma vez, uma violência que se expande para novos atos de vingança, que aumenta a lista de mortes e destruição, que reduz as perspectivas de paz e que aprisiona mentes e corações atrás de cercas de arame farpado. A Cisjordânia queima, sangra, grita sua dor e sofrimento. Como Gaza, a Cisjordânia é um território que perdeu sua dimensão e seus espaços, que já não é reconhecível, uma terra que foi dividida física e socialmente, ultrajada por feridas profundas, violada em sua identidade histórica. Cada canto desta terra sofre violência e destruição diariamente, cada habitante desta terra sofre com a escassez, as limitações, o sofrimento e a humilhação que aumentam a cada dia.

As pessoas estão morrendo numa guerra não oficial, não declarada, mas contínua, constante e generalizada. O número de casas e terras queimadas é incontável; não é mais possível viajar de uma cidade para outra, mesmo entre cidades muito próximas, para emergências médicas, para trabalhar, para ajudar parentes ou para defender pequenas propriedades familiares, ocupadas e adquiridas ilegalmente por colonos prepotentes e violentos. Recebo vários pedidos de ajuda para necessidades que se tornaram graves, perigosas e difíceis de resolver. Os numerosos postos de controle — mais de mil — e os postos de controle aéreo agora fazem parte de uma paisagem que antes definia a história e a vida dos palestinos: trabalho nos campos, extensões de olivais, animais pastando e cidades grandes e pequenas, repletas de sons, cores e vida.

Ao longo dos anos, os assentamentos cercaram cada aldeia, cada sinal e símbolo de sociabilidade. Eles cercam a vida palestina, mas não a acolhem; sufocam-na. Abafam as esperanças dos jovens que nem sequer conseguem imaginar o seu futuro, destroem as expectativas de quem trabalha arduamente para construir o passado e o presente, destroem os sorrisos e os sonhos das crianças que veem a sua terra devastada, limitada e desprovida de cor.

Pais impossibilitados de levar seus filhos que necessitam de cuidados hospitalares frequentes, filhos que não podem chegar até seus pais idosos e doentes, pais de família parados em postos de controle que os impedem de ir trabalhar — essas situações vêm ocorrendo há meses, até mesmo anos, na Cisjordânia. As pessoas estão desesperadas e aterrorizadas pelas inúmeras incursões de colonos que, impunemente, conseguem espalhar medo e terror entre essas pessoas, que não encontram abrigo e proteção sequer em suas próprias casas.

Os fortes apelos do Santo Padre para que cesse a violência devem ser ouvidos por quem a provoca e por quem não intervém para deter esta espiral sem fim. As eleições anunciadas e agendadas para os próximos meses em Israel e na Palestina devem trazer novos equilíbrios e verdadeira justiça para ambos os povos. A esperança de que o curso da história possa mudar jamais abandona quem tem fé e confiança no Senhor.

* Diretor das escolas da Custódia da Terra Santa

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